ENERGIA CARA


Conta de energia fica até 47% mais cara para o consumidor de Manaus

Consumidores reclamam de alta de até R$300, mesmo depois do fim do home office e voltarem para os seus postos de trabalho

Consumidores de Manaus começaram a sentir aumento na conta a partir do mês de maio
Consumidores de Manaus começaram a sentir aumento na conta a partir do mês de maio | Foto: Ricardo Oliveira

Manaus – Desde o mês de julho, ainda em meio à pandemia da Covid-19, consumidores manauaras começaram a notar uma alta nas suas contas de energia, o que chegou a uma média de de 47% na virada de julho para agosto. Consumidores apontam que valor chegou a ficar R$ 300 mais caro, mesmo depois de terem deixado de trabalhar home office, quando precisaram cumprir as suas funções em casa e dobrar o consumo de energia.

Durante os meses mais críticos da pandemia, um levantamento de tarifas no Brasil feito pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apontou que a empresa Amazonas Energia oferece o segundo serviço mais caro do país. O atual valor é R$ 0,66 por quilowatt hora (kwh) e, até o primeiro trimestre do ano passado, a empresa ocupava o primeiro lugar, com a tarifa a R$ 1,07, por quilowatt, enquanto a média nacional era de R$ 0,87.

De acordo com o advogado Sidney Nunes, até o mês de junho, ele estava pagando, em média, R$ 500 de consumo de energia. Mas, a partir de julho, ele passou a observar um encarecimento na conta. “Os valores estavam se mantendo, mas com a chegada de julho minha conta, que estava dando R$ 500, passou para R$ 800. Sendo que não estamos consumindo mais. Não deixamos nem o ar condicionado ligado durante o dia”, afirma.

Sidney diz que está no aguardo da conta do próximo mês para avaliar se o valor continuará a subir. Segundo ele, se mais um aumento for observado, ele irá buscar resolver a situação por meio da via administrativa e, se for preciso, de forma judicial. O advogado deixa claro, ainda, que muitos amigos próximos a ele também estão reclamando da alta no valor.

Um deles é o empresário Washington, que preferiu não revelar seu sobrenome. Para ele, a alta entre o mês de julho e agosto em sua conta de energia foi absurda. “A nossa média de consumo sempre esteve entre R$500 e R$600, mas agora em agosto recebemos uma conta de R$ 880. Na época em que estávamos de quarentena eu até entendo que viesse um aumento, mas agora já estamos trabalhando e voltamos a gastar menos”, avalia.

A empresa Amazonas Energia oferece o segundo serviço mais caro do país
A empresa Amazonas Energia oferece o segundo serviço mais caro do país | Foto: Reprodução

Outro caso ocorreu com a enfermeira Fernanda Silva. Ela explica que nos últimos dois meses, a alta no valor de suas contas foi insustentável com a realidade que ela vive em seu apartamento. “As contas que eu pagava de R$ 600 chegaram a quase mil reais em julho e agosto. Eu solicitei, inclusive, que a Amazonas Energia verificasse isso e estou no aguardo. Outras pessoas do meu condomínio também se queixaram”, diz.

O engenheiro Filipe Goulart também esteve trabalhando remotamente durante a pandemia, mas, segundo ele, o home office durou pouco tempo e agora ele já está passando mais tempo fora de casa, o que não justifica o aumento no valor da sua conta. “Venho observando um aumento desde maio. Mas agora ficou ainda mais perceptível, pois eu que pagava R$ 600, agora tenho que lidar com contas em torno de R$ 800”, reclama.

A servidora pública Juliana Cruz, 35, conta que a sua conta ficou mais cara pouco mais de 13%, de julho para agosto. Ocorre que ela tem sentido esse encarecimento na conta de luz na passagem de maio para junho. “Eu e meu mariado passamos muito tempo em casa trabalhando em home office e o nosso filho em estudando do mesmo modo estudo de casa, tudo por conta da pandemia. Passávamos muito tempo com ar condicionado ligado. O meu marido voltou para a empresa onde trabalha, o meu filho voltou para a escola e o consumo de energia diminuiu, mas a conta só aumenta”, observa Juliana.

Sem cortes

Em março, um dos meses mais críticos da pandemia, o Governo do Amazonas sancionou a Lei número 5.145, que proíbe o corte dos serviços de distribuição de água e energia elétrica, por falta de pagamento, além do aumento injustificado de preços de produtos ou serviços em todo o Estado, enquanto durar o Plano de Contingência de combate ao novo coronavírus. Pela lei, deve-se usar como parâmetro os preços praticados em 1° de março de 2020, ou seja, como era antes da crise.

Contudo, os consumidores só observaram aumentos durante a pandemia. A Amazonas Energia, segundo reportagem do G1, era a mais endividada e deficitária de uma série de outras distribuidoras do Norte e Nordeste do Brasil, as quais foram privatizadas em 2018. A empresa foi procurada pelo EM TEMPO para se posicionar sobre as reclamações feitas pelos consumidores de Manaus, mas até a publicação desta matéria a assessoria da companhia não deu nenhum retorno sobre a situação.

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