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    DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL


    Indústria amazonense busca agenda sustentável com a União

    Empresários e representantes do setor se reunião, nesta segunda-feira (24) com vice-presidente da República, Hamilton Mourão

    Vice-presidente Hamilton Mourão ouvirá as demandas da indústria da Zona Franca de Manaus | Foto: Divulgação

    Manaus - Em meio a dois dos mais aquecidos debates que ocupam o cenário político e econômico do país, meio ambiente e reforma tributária, as indústrias do Polo Industrial de Manaus (PIM) recebem, nesta segunda-feira (24), o vice-presidente da República e presidente do Conselho da Amazônia, general Hamilton Mourão, para construção de uma agenda junto ao Governo Federal, focada no desenvolvimento sustentável da Amazônia.

    Segurança jurídica para a Zona Franca de Manaus é essencial para o desenvolvimento regional
    Segurança jurídica para a Zona Franca de Manaus é essencial para o desenvolvimento regional | Foto: Divulgação

    No encontro, liderado pelo vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e presidente da Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, será entregue um documento contendo uma proposta sobre o tema, assinado conjuntamente pela Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Associação dos Fabricantes de Motocicletas e Bicicletas (Abraciclo) e Centro da Industria do Estado do Amazonas (Cieam).

    O documento defende a diversificação produtiva da região e da bioeconomia a partir dos recursos gerados pela Zona Franca de Manaus (ZFM). O argumento se constitui com base na matriz econômica do Estado do Amazonas que, por ser industrial, vem garantido a preservação de 95% de sua cobertura natural formada pela floresta amazônica.

    Presidente do Fieam diz que é inconcebível pensar em desenvolvimento do Amazonas sem a ZFM
    Presidente do Fieam diz que é inconcebível pensar em desenvolvimento do Amazonas sem a ZFM | Foto: Divulgação

    “É inconcebível se pensar em desenvolvimento sustentável no Estado do Amazonas sem a manutenção de uma Zona Franca de Manaus fortalecida. Ela proporciona a geração de mais de 500 mil empregos, responde por 80% da arrecadação do estado e contribui, ainda com 18,7% do PIB brasileiro”, afirma Antonio Silva.

    Levantamento preparado pelas entidades demonstra que o Amazonas é o quinto maior em arrecadação no país, atrás apenas do Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Espírito Santo. O Amazonas é superavitário, onde arrecada mais impostos federais do que recebe de repasses obrigatórios. “Nos reuniremos com o Governo Federal para tratarmos deste tema que é do interesse de todos os brasileiros, mas que deve ser protagonizado por quem vive na floresta amazônica, por quem investe e gera riquezas no Amazonas”, complementa Silva.

    Presidente da Eletros diz que investimento no modelo ajuda na preservação da floresta
    Presidente da Eletros diz que investimento no modelo ajuda na preservação da floresta | Foto: Arquivo Em Tempo/Márcio Melo

    O presidente da Eletros, Jorge Nascimento Junior, diz que o setor assiste com preocupação críticas equivocadas ao programa ZFM, num momento em que o mundo questiona os direcionamentos da política ambiental brasileira. “Ocorre que temos nas indústrias do Polo Industrial da Zona Franca de Manaus geração de emprego e renda, mão de obra empregada qualificada, parque fabril instalado com alta tecnologia, centenas de milhões de reais em investimentos em P&D e tudo isso perfeitamente em harmonia com a preservação da floresta mais importante do planeta”, aponta.

    Infraestrutura

    A proposta formulada pela indústria do Amazonas prevê o fortalecimento da economia regional e, para isso, se faz imprescindível investimentos em infraestrutura, principalmente, a rodovia BR-319, a modernização do transporte fluvial de cargas e passageiros, melhoraria de navegabilidade das hidrovias dos rios Madeira, Solimões e Negro, transporte aeroviário com aeroportos municipais e malha viária com frequência de voos, além de investimentos em telecomunicações, melhoria do sistema portuário, portos no interior do estado e a implementação de um zoneamento ecológico-econômico.

    Infraestrutura para o melhor escoamento da produção é uma das principais demandas
    Infraestrutura para o melhor escoamento da produção é uma das principais demandas | Foto: Arquivo Em Tempo/Ione Moreno

    “Nosso país já possui uma política de desenvolvimento regional exemplar que preserva a floresta amazônica e que pode sustentar a diversificação da economia da região com a exploração do seu potencial bioeconômico. Ao invés de discutir uma nova política, devemos melhorá-la criando condições para chegada de novas empresas, incluindo de segmentos ligados à sustentabilidade”, conclui o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian.

    Vantagens comparativas

    No documento que será entregue ao vice-presidente Hamilton Mourão, as indústrias propõem um novo modelo de governança para a ZFM que contemple algumas diretrizes fundamentais, entre elas manter as suas vantagens comparativas para garantia de investimentos locais e manutenção dos empregos, otimização dos recursos gerados pelo Polo Industrial de Manaus, o estabelecimento de novas metas para novos investimentos na promoção do empreendedorismo amazônico sustentável e no aumento de investimentos em P&D.

    "Além da China, somos os únicos fabricantes globais de ar condicionado, assim como somos um dos principais fabricantes de televisores, celulares, computadores, motocicletas, bicicletas, concentrados para bebidas não alcoólicas, entre outros. As maiores multinacionais do setor eletroeletrônico estão instaladas na ZFM e na falta de oportunidades para que estas empresas promovam expansão de suas plantas produtivas corremos o risco de nos tornarmos irrelevantes e perdermos nossas fábricas para outros países”, destaca Jorge Junior.

    Presidente do Cieam diz que a proposta é construir  uma articulação efetiva de cooperação com os governos
    Presidente do Cieam diz que a proposta é construir uma articulação efetiva de cooperação com os governos | Foto: Arquivo Em Tempo

    A criação de um centro de excelência internacional em pesquisas da biodiversidade amazônica, além de polos de formação profissional na área da bioeconomia são algumas soluções apontadas pelo setor. “Mais do que um documento, estamos propondo um amplo debate com o objetivo de se construir uma articulação efetiva e de grande cooperação entre a indústria do Amazonas, o governo federal, governo estadual, base parlamentar do estado e representantes importantes da sociedade civil” afirma o presidente do Cieam, Wilson Périco.

    Entidades irão solicitar ao Governo Federal maior integração entre diversos órgãos governamentais (Basa, FDA, CBA, Embrapa, Ufam, UEA, Bionorte, Inpi). De acordo com as indústrias, a integração se faz necessária para justificar novos investimentos em P&D, tendo em vista que muitas das empresas que estão instaladas na região já estão em franca transformação rumo à indústria 4.0. Além disso, o respaldo do governo é importante para atração de novas companhias brasileiras e multinacionais.

    “Nossa proposta, além de ser muito mais transparente diante do que se tem discutido a respeito do potencial econômico da biodiversidade amazônica no estado, é a única que contempla de fato pequeno empreendedor por meio de iniciativas que criarão oportunidades para este segmento. Além disso, partimos do pressuposto que não se deve pensar em propostas que incentivem a bioeconomia fragilizando a economia local, o que prejudicaria a qualidade de vida de todos os amazonenses”, finaliza Silva, da Fieam e CNI.


    *Com informações da assessoria