Endividamento


Mês de julho bate recorde com 67,4% das famílias endividadas

Em Manaus, o volume de endividados chegou a alcançar 84,8% (531.454) de sua população, no mês de abril

Manaus 24.07.2020. Comércio dia dos pais. Foto: Lucas Silva
Manaus 24.07.2020. Comércio dia dos pais. Foto: Lucas Silva | Foto: Lucas Silva

Manaus – Ainda lidando com os resultados da crise econômica gerada pela pandemia da Covid-19, o percentual nacional de famílias endividadas atingiu os 67,4% em julho, representando o maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). Em abril, Manaus chegou a alcançar 84,8% (531.454) de sua população com dívidas. Segundo economistas, as famílias pobres são as mais atingidas e precisam de um Estado que possa ampará-las.

A pesquisa, divulgada à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), nesta terça-feira (28/07), demonstra que o crescimento no percentual se deve ao aumento do endividamento em famílias com até 10 salários mínimos de renda, que chegou ao recorde de 69% em julho, acima dos 68,2% de junho e dos 65,4% de julho de 2019. Por outro lado, o grupo de famílias com renda superior a esse patamar teve uma redução do endividamento, chegando a 59,1% em julho, abaixo dos 60,7% em junho.

Segundo a economista da CNC responsável pela pesquisa, Izis Ferreira, as necessidades de crédito têm aumentado para as famílias com menor renda, seja para pagamento de despesas correntes, seja para manutenção de algum nível de consumo. Já para as famílias que recebem acima de 10 salários mínimos, a proporção de endividamento diminuiu para 59,1% em julho, ante 60,7% em junho, demonstrando que esse grupo está apresentando maior propensão a poupar.

Para o economista Wallace Meirelles, a economia brasileira e também manauara já estava em queda antes mesmo da pandemia, desde o governo da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT). Agora, ele explica que o problema só está se aprofundando por conta da pandemia e se traduzindo no endividamento de famílias de baixa renda.

“Hoje, o atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fala muito em atividade produtiva, mas não apresenta muitas políticas e propostas realmente efetivas para alavancar nossa economia. Precisamos de um governo que faça sua parte, pois a crise econômica somente passou a se aprofundar com a chegada da pandemia e sabemos quem são os mais atingidos”, esclarece o economista.

Meirelles deixa claro que é preciso, por parte do governo federal, mas também estadual, que propostas sejam lançadas para estimular o mercado brasileiro e também incluir essas famílias, que - neste momento – estão ficando cada vez mais endividadas e sofrendo com o desemprego.

“Precisamos de programas como esse de transferência de renda que está ocorrendo. E precisamos pensar neles com antecedência e não só no momento mais complicado. É necessário ajudar na renegociação dessas dívidas e isso pode ser feito por intermédio das instituições bancárias, por exemplo”, afirma Meirelles.

Indicador nacional

Mais uma vez, o percentual cresceu para as famílias de menor renda e caiu para as mais ricas. Enquanto os lares com até 10 salários mínimos tiveram aumento de 28,6% em junho para 29,7% em julho, para os demais, o percentual caiu de 11,3% para 11,2%.  

Outro percentual calculado pela pesquisa é o das famílias que não terão condições de pagar suas dívidas, que chegou a 12% em julho, acima dos 11,6% de junho e dos 9,6% de julho de 2019. Nesse caso, o percentual cresceu para os dois grupos de renda: de 13,2% em junho para 13,7% em julho no caso das mais pobres; e de 4,7% em junho para 4,9% em julho no caso das mais ricas.

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