Pecuária Amazonense


Abate de bois cai 14,1% enquanto o de suínos cresce 14,8% no Amazonas

Volume de cabeças de gado da pecuária amazonense foi a menor, desde 2013, na série histórica iniciada em 1997

No segundo trimestre deste ano, foram abatidos 56 mil e 800 cabeças de bovinos
No segundo trimestre deste ano, foram abatidos 56 mil e 800 cabeças de bovinos | Foto: Arquivo EM TEMPO

Manaus - No Amazonas, o abate de bovinos caiu em 14,1% e o de suínos cresceu 14,8%, no segundo trimestre de 2020, em relação aos três primeiros meses do ano, de acordo com levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo a pesquisa, por conta dos efeitos da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) sobre a economia, outros estados brasileiros também apresentaram diminuição no abate de animais maiores como os bois.

Além disso, o leite, que requer uma logística mais complexa em sua produção e venda, também sofreu uma forte redução no segundo trimestre do ano. Enquanto isso, os ovos de galinha, que acabam sendo mais acessíveis na questão do custo em meio à pandemia, elevaram sensivelmente sua produção no estado.

No segundo trimestre deste ano foram abatidos 56.800 mil cabeças de bovinos, quantidade 14,1% inferior à obtida no mesmo período em 2019 e 0,95% abaixo da registrada nos três primeiros meses de 2020. É o resultado mais baixo em um segundo trimestre desde 2013, levando em consideração a série histórica iniciada em 1997. Entre o mesmo trimestre desse ano e do ano anterior, a redução no peso das carcaças foi de 14,3%.

De abril a junho, no Amazonas foram abatidas mais de 1,7 mil cabeças de suínos
De abril a junho, no Amazonas foram abatidas mais de 1,7 mil cabeças de suínos | Foto: Alltech

A realidade da diminuição causou reduções no abate de bovinos em 22 das 27 Unidades da Federação (UFs). Na região Norte, todos os estados foram vítimas da queda, exceto Roraima, que apresentou um crescimento de 5,7%, na comparação do segundo trimestre de 2020 com o mesmo período de 2019. O Acre foi o mais afetado com a redução de 15,7%, seguido do Pará (15,5%) e do Amazonas (14,1%). Para as carcaças, a maior diminuição percentual ocorreu no Amazonas (14,4%), seguido do Acre (12,3%).

Já em relação aos suínos, abril, maio e junho registraram o abate de 1.703 cabeças, uma queda de 11,5% em relação ao mesmo período de 2019, contudo, um acréscimo de 14,8% na comparação com o primeiro trimestre do ano. Considerando os suínos, houve aumento no abate em 11 das 25 Unidades da Federação participantes da pesquisa. No entanto, entre os estados do Norte - com participação acima de 1,0% no total de abates do Brasil - foi possível observar somente números em queda, sendo a maior a de Rondônia (38,6).

Leite e ovos

A aquisição de leite cru foi de 1.988 mil litros no segundo trimestre de 2020, equivalente à redução de 14,2% em relação ao mesmo período de 2019 e queda de 28,5% em comparação com o trimestre imediatamente anterior. No Norte houve quedas no Amazonas (14,2%), Pará (14,5%) e em Tocantins (0,6%). Altas foram observadas somente em Rondônia (13,2%) e no Acre (27,6%).

A aquisição de leite cru foi de 1.988 mil litros no segundo trimestre
A aquisição de leite cru foi de 1.988 mil litros no segundo trimestre | Foto: Divulgação

Os segundos trimestres regularmente apresentam menor captação, devido à etapa de entressafra nas principais bacias leiteiras do país, contudo, os efeitos da pandemia da Covid-19 impactaram ainda mais o setor, ao reduzir o consumo de derivados lácteos. Foi possível observar reduções em 16 das 26 UFs participantes da pesquisa.

Já a produção de ovos de galinha foi de 12.419 mil dúzias no segundo trimestre do ano, número 9,5% maior que o registrado nos mesmos três meses de 2019. Na região nortista, houve aumento (na comparação entre o segundo trimestre de 2020 e 2019) em todos os estados, sendo o mais expressivo o de Rondônia (66,0%), e o menor aumento o do Pará (1,0%), enquanto o Amazonas teve aumento de 9,5%.

Períodos de recessão econômica, como o do isolamento social, tendem a aumentar o consumo de ovos
Períodos de recessão econômica, como o do isolamento social, tendem a aumentar o consumo de ovos | Foto: Divulgação

Períodos de recessão econômica, como o do isolamento social, tendem a aumentar o consumo de ovos de galinha, por se tratar de uma fonte de proteína mais acessível do que as carnes. Por isso mesmo, houve aumento na produção de ovos em 18 das 26 UFs com granjas enquadradas no universo do levantamento.

Resultado nacional

A nível nacional, o abate de suínos, que atingiu 12,1 milhões de animais, foi superior em 1,8% ao primeiro trimestre deste ano e em 6,2% ao segundo trimestre do ano passado. Em relação aos bovinos, foram abatidos 7,3 milhões de animais, 0,3% acima do primeiro trimestre deste ano, mas 8% abaixo do segundo trimestre de 2019.

A produção de ovos no segundo trimestre deste ano chegou a 974,15 milhões de dúzias, ou seja, 0,3% a mais do que no primeiro trimestre e 2,8% acima do segundo trimestre do ano passado. A quantidade leite industrializado chegou a 5,75 bilhões de litros (9,3% abaixo do primeiro trimestre e 1,8% inferior ao segundo trimestre de 2019).

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