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    Pobreza e a Pandemia


    INSS e a sina dos aposentados durante a pandemia

    Muitos dependem dos benefícios para sustentar suas famílias, mas acabaram prejudicados com a chegada da pandemia e o fechamento de agências

    | Foto: Helene Santos

    Manaus – Em meio à pandemia da Covid-19, beneficiários encontraram dificuldades para ter acesso aos pagamentos que recebem do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no Amazonas.

    Além das dificuldades com o atendimento remoto, uma vez que o órgão esteve fechado para o atendimento presencial durante cinco meses, alguns trabalhadores até pararam de receber a quantia que tem direito, o que dificultou ainda mais o cenário crítico ocasionado pela pandemia.

    Um dos atingidos foi o beneficiário Acácio de Lima Guedes, de 63 anos. Segundo sua neta, Karen Cristhina Oliveira Guedes, 25 anos, o avô já começou a ter problemas com o INSS meses antes do início da pandemia.

    Com a chegada da crise, a situação econômica só piorou para a sua família. Ela conta que seu avô recebia o Auxílio Doença, pois em 2015 foi diagnosticado com uma doença no coração e ficou impossibilitado de trabalhar.

    “Ele era açougueiro, mas precisou parar de trabalhar após ter um infarto. Com isso, esse benefício passou a ser sua única fonte de renda dele. Contudo, com a chegada do mês de julho de 2019, o auxílio dele foi cortado, com a justificativa de que alguém da família recebia acima de três salários mínimos. Mas essa não é a realidade, porque ninguém da nossa família que mora aqui recebe isso”, explica a neta.

    Karen relata que durante os meses mais críticos da pandemia, a situação acabou se complicando para ele e sua avó, Edenilce Alves Cruz, de 62 anos.

    “Minha vó ajudava lavando roupa para fora, mas também acabou tendo que parar de trabalhar com a chegada da crise. Eles só não passaram fome, porque um primo nosso fez um rancho e trouxe para a gente. No fim das contas recorremos ao auxílio emergencial e ambos foram aceitos, mas também passamos por diversas dificuldades na hora de sacar os valores”, esclarece.

    Além disso, a jovem salienta que ela e os familiares estão tentando solicitar a aposentadoria dos avós, mas até agora não obtiveram resposta. Eles estão tentando desde o início da pandemia, mas com a paralisação de diversos órgãos e serviços, a resolução do problema acabou ficando ainda mais complicada. Atualmente, ela conta que sua tia continua tentando conseguir o benefício para o casal.

    Atendimento remoto

    Algumas dificuldades foram observadas no atendimento remoto
    Algumas dificuldades foram observadas no atendimento remoto | Foto: Caio Rocha

    Após cinco meses de atendimento online, o INSS reabre, durante o mês de setembro, mais de 600 agências ao público brasileiro, que respondem por cerca de 70% da demanda.

    O retorno do serviço presencial está sendo feito de forma gradual e em horário reduzido. Para evitar aglomerações, o atendimento está sendo feito apenas com agendamento prévio, pelo telefone 135 ou pelo Meu INSS.

    Mesmo com a volta do Instituto, as perícias médicas, solicitações de aposentadoria, pensão e salário-maternidade, continuarão sendo feitas remotamente.

    Entretanto, algumas dificuldades foram observadas no novo sistema durante a pandemia. Uma das atingidas foi a aposentada Salvina Figueiredo da Costa, de 64 anos. Segundo ela, foram várias tentativas para fazer a Prova de Vida pela aplicativo e nada foi resolvido.

    “Eu não passei por dificuldades para conseguir meu benefício durante os meses mais críticos da pandemia e, por sorte, o que recebo é só para mim, não preciso sustentar a família com o valor. Contudo, estou tentando há tempos resolver as coisas pelo aplicativo e não consigo, seria muito mais fácil assim, pois não precisaria me arriscar em sair”, desabafa a beneficiária.

    Salvina também chama atenção para as poucos agências bancárias existentes em Manaus para receber seu benefício.

    “Eu cheguei a viajar para Cuiabá, Mato Grosso, um tempo atrás e continuei recebendo o benefício de lá. Todavia, de forma muito mais acessível do que em minha própria cidade, visto que são várias agências e eu não tive que me deslocar com tanta dificuldade como é aqui”, ressalta.

    O Brasil conta com 1.568.050 processos na fila aguardando pelo atendimento do INSS
    O Brasil conta com 1.568.050 processos na fila aguardando pelo atendimento do INSS | Foto: Divulgação

    Perícia médica

    Atualmente, o Brasil conta com 1.568.050 processos na fila aguardando pelo atendimento do INSS, segundo dados do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário. Desses processos, pelo menos metade (50,4%) precisa, necessariamente, de um atendimento presencial. São os 790.390 processos que aguardam perícia médica.

    Entretanto, mesmo com o retorno presencial das agências, os peritos médicos federais ainda não voltaram ao trabalho.

    Segundo o gerente executivo do INSS no Amazonas, Raimundo Pereira, uma nova inspeção no local deve ser realizada nos próximos dias, para a retomada da perícia.

    "Estamos fazendo todas as adequações, teremos uma nova inspeção e provavelmente nos próximos dias teremos pelo menos três agências na capital com perícia médica e algumas agências no interior também", disse.

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