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    Agricultura


    Produção de alface hidropônica cresce 10% no Amazonas

    Manaus, Iranduba, Itacoatiara e Manacapuru representam 87% de toda a produção regional. Só em Manaus, 60 famílias trabalham com hidroponia

    Manaus se destaca na produção de alface hidropônica no Amazonas | Foto: Lucas Silva

    Manaus - O cultivo de alfaces hidropônicas move cada vez mais a economia de produtores do Amazonas. Segundo dados do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), em 2019 o Amazonas produziu 14,9 milhões de pés de alface hidropônica. A capital foi responsável por 67% desta produção, o que mostra que a agricultura urbana e periurbana representam boa parte desta produção. A produção do alimento cresceu 10% no Amazonas.

    A hidroponia é o processo em que as hortaliças não são cultivadas no solo, mas em canos, e neles corre uma solução com água e nutrientes que auxiliam para o desenvolvimento da planta. Desta forma, o ciclo da alface é rápido, em cerca de 35 dias já é possível consumir e comercializar as hortaliças. O Idam registrou um crescimento de 10% desta forma de cultivo, entre o período de 2018 a 2019, indo de 38 hectares de plantação, para 42. A produção está aglomerada nos municípios de Iranduba, Itacoatiara e Manacapuru que, a contar com Manaus, representam 87% da produção total destas alfaces.

    A hidroponia é o processo em que as hortaliças não são cultivadas no solo, mas em canos, e neles corre uma solução com água e nutrientes que auxiliam para o desenvolvimento da planta
    A hidroponia é o processo em que as hortaliças não são cultivadas no solo, mas em canos, e neles corre uma solução com água e nutrientes que auxiliam para o desenvolvimento da planta | Foto: Lucas Silva

    Segundo o diretor-presidente do Idam, Valdenor Pontes, o modelo de tecnologia é simples e altamente denso, o que pode resultar em cada vez mais produtores aderentes. Além disso, o modelo promove a oferta de produtos de qualidade aos moradores dos municípios e da capital. "Essa forma de produção fortalece muito as economias locais pela velocidade no processo e na circulação do consumo. Sempre os municípios vão ter as hortaliças para o consumo e sempre fresquinhas", explica Valdenor.

    De acordo com o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas (Faea), Muni Lourenço, o processo de hidroponia oferece diversos benefícios aos produtores, tanto em escala doméstica quanto comercial. Uma dessas vantagens é o fato de poder ser produzido em pequenos espaços e em qualquer tipo de clima, principalmente na região amazônica.

    "Outras vantagens da hidroponia são o aumento da produtividade, o plantio o ano todo e o consumo controlado da água. A hidroponia pode ser implementada tanto em escala doméstica como comercial. É uma técnica que tem apresentado crescimento, mas é importante destacar que demanda custos mais altos no início da atividade e requer trabalhadores capacitados", afirma Muni.

    Por esses fatores, o processo pode fortalecer o mercado local. "Sem dúvida o cultivo hidropônico pode fortalecer a economia local e a hidroponia é muito viável em áreas localizadas próximo aos centros consumidores, como a capital amazonense", relata o presidente da Faea. De acordo com o Idam, agricultores da capital amazonense também são responsáveis pelo abastecimento de outras variedades de verduras, legumes e frutas. A atividade de horticultura envolve 556 famílias rurais somente em Manaus, das quais mais de 60 trabalham com a alface hidropônica.

    O cultivo hidropônico pode fortalecer a economia local e a hidroponia é muito viável em áreas localizadas próximo de centros consumidores
    O cultivo hidropônico pode fortalecer a economia local e a hidroponia é muito viável em áreas localizadas próximo de centros consumidores | Foto: Arquivo pessoal

    Negócio familiar

    Só em Manaus, 60 famílias trabalham com hidroponia. O produtor local há 10 anos, Cleopas Ferreira, 39, possui seis casas de plantio no quilômetro 2,5 do ramal do Ipiranguinha, bairro Jorge Teixeira. Ele explica que a forma de produção traz benefícios econômicos, como o gasto menor para manutenção. Durante os períodos em que as vendas são melhores, ele chega a faturar mais de R$1 mil por dia, porém não é uma renda certa. 

    O produtor Cleopas conta que possui cerca de 22 mil pés de alface
    O produtor Cleopas conta que possui cerca de 22 mil pés de alface | Foto: Arquivo pessoal

    "Eu vendia nas feiras, mas ganho bem mais como produtor. Quem trabalha com agricultura pode ganhar mil reais em um dia e 300 reais no outro, não é nada certo. Isso os pequenos produtores, como eu. Quando está fácil de produzir, chego a vender dois pés por R$0,80, mas quando tá difícil o pé sai por R$1,50", afirma o produtor. Um dos fatores que influenciam nos preços é o clima, quanto mais calor, mais caro o produto é vendido. É também neste período que ocorre o surgimento de pragas. Com as vendas, ele consegue cerca de 80% de retorno. 

    Projeto Ecológico Moto Honda

    O Projeto Ecológico da Moto Honda da Amazônia também realiza o cultivo de alfaces hidropônicas americana e crespa. De acordo com o engenheiro agrônomo Kioshi Miki, responsável por coordenar todos os processos que envolvem o cultivo das árvores e hortaliças após o plantio das hortaliças, elas são cultivadas pelo processo de hidroponia, onde uma solução com água e NPK (Nitrogênio, Fósforo e Potássio) corre pelos canos em que os pés das hortaliças estão, com a ajuda de bombeamento, e após 35 dias elas estão prontas para consumo.

    "Aqui nós cultivamos duas espécies de alface, a americana e a crespa, que são as mais consumidas aqui na nossa região. E também a rúcula, algumas pessoas gostam muito de consumir, apesar de um gosto meio amargo. Nós também temos alguns projetos parecidos que fazem a produção de pepinos. Hoje nós atendemos a fábrica, tudo o que é produzido vai para o consumo nela, e alguns excedentes nós doamos a entidades carentes", afirma Kioshi. Além disso, o engenheiro explica que são colhidos cerca de 450 quilos de alface e 50 quilos de rúcula, semanalmente.

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