Inflação


Valor da cesta básica cresce enquanto 17,9% estão desempregados no AM

O IPC-C1 registrou inflação de 0,89% na cesta básica em setembro e as famílias de baixa renda são as mais afetadas

De acordo com a pesquisa, as famílias de baixa renda são as mais afetadas | Foto: Lucas Silva

Manaus – O aumento significativo no preço do arroz e de outros alimentos básicos dificultou a vida de diversos consumidores nos últimos meses. De fato, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-C1) registrou inflação de 0,89% no mês de setembro na cesta básica, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FVS). Comparado com o percentual de agosto, a taxa subiu 0,55% e as famílias de baixa renda do Amazonas, que conta com alta taxa de desemprego, estão sendo as mais atingidas pelos preços.

O IPC-C1 serve para calcular a diferença da cesta básica para famílias com renda até 2,5 salários mínimos e, enquanto os preços da cesta básica aumentam, a taxa de desocupação cresceu 17,9% só em agosto de 2020, no Amazonas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo mostrou que o número de desempregados tem aumentado ao longo dos meses. Em maio, a taxa de desocupação chegou a 12%, em junho foi de 15,1%, já em julho, 17% e em agosto, 17,9%. De maio a agosto, houve um crescimento de 5,9% de pessoas sem trabalho.

A doméstica Adriana Cristina Gomes levou um susto ao fazer suas compras em setembro. Com o emprego dela e do esposo, eles recebem dois salários mínimos por mês. Adriana tem uma família de cinco pessoas, mas, aos finais de semana, mais três parentes ficam com ela e o marido em casa, aumentando ainda mais as despesas. Por mês, a família gasta de R$ 600,00 a R$800,00. Para ela, outros alimentos também ficaram mais caros.

“Eu senti muita diferença no preço do arroz, mas não só dele", afirma a consumidora
“Eu senti muita diferença no preço do arroz, mas não só dele", afirma a consumidora | Foto: Arquivo/Agência Brasil

“Eu senti muita diferença no preço do arroz, mas não só dele. O leite e as verduras também estão com o valor nas alturas. É espantoso ver o preço dos alimentos aumentando sem a gente poder fazer nada. Antes eu comprava um pacotinho de queijo por R$ 5,75 e agora estou pagando R$ 9,00 com a mesma quantidade. É um absurdo! O alimento é algo que não tem como ficar sem, então, temos que gastar”, desabafa Adriana.

De agosto para setembro, as maiores taxas foram em torno da alimentação, que passou de 0,76% para 2,23%. O IPC-C1 dos outros grupos, como educação, leitura e recreação aumentou de 0,09% para 2,44% e do vestuário -0,42% para 0,12%. Para a população de menor renda, a inflação na alimentação afetou mais, já que é uma necessidade básica. 

Resultado da pandemia

O economista Wallace Meirelles explica o porquê da alta na inflação, principalmente no grupo da necessidade primária do ser humano: a alimentação. “São vários os fatores causais para este crescimento da inflação, como a depreciação cambial, os problemas logísticos provenientes da crise da pandemia, o aumento do consumo de gêneros básicos, pressionando a oferta agregada em queda. Seus efeitos vão permanecer por alguns anos e vão calejar a sociedade”, argumenta.

Diante da crise global e local, a classe trabalhadora é a mais afetada. Meirelles lamenta que os mais pobres sejam os mais prejudicados, pois estes utilizam a maior parte de suas rendas na compra de alimentos. No entanto, diz que a estagnação econômica de grande proporção assola todos os meios, como empresas, trabalhadores e até governos.

Diante da crise global e local, a classe trabalhadora é a mais afetada
Diante da crise global e local, a classe trabalhadora é a mais afetada | Foto: Gabriel Ramos

Apesar do aumento, o especialista analisa que o cenário econômico poderia estar pior. “Os modelos macroeconômicos estimavam uma retração econômica ainda maior se o auxílio emergencial não chegasse à população, às pequenas e microempresas e aos governos estaduais e municipais, se não tivessem sido implementados”, ressalta.

Pensamento semelhante tem o presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon), Francisco de Assis Mourão. “A inflação vem sendo influenciada pelo câmbio. Vários desses produtos, que compõem a cesta básica são exportados. É mais atrativo para o agricultor exportar do que vender para o mercado interno. Com a falta desse produto, causa o aumento de preço, pois o consumidor perde o poder de compra. Agora é esperar o mercado se acalmar para ver como será daqui para frente”, aconselha.


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