Crescimento


Indústria amazonense cresce 4,9% e supera patamar pré-pandemia

Os dados do IBGE fazem referência a passagem de julho para agosto de 2020 e animam os representantes do setor

Manaus – O Amazonas apresentou crescimento de 4,9%, em agosto de 2020, na pesquisa de crescimento mensal da indústria brasileira, e superou o patamar pré-pandemia da Covid-19, com 7,6% na passagem de julho para agosto, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Para os representantes do setor, os resultados positivos aproximam cada vez mais o Estado da recuperação, além de alavancar a economia da região. 

Segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM-Regional), do IBGE, além do crescimento de 4,9%, que superou a média nacional (3,2%), o Amazonas demonstrou saldo positivo de 0,7%, comparando a produção industrial de julho de 2020, com o mesmo mês do ano anterior. Entretanto, no acumulado do ano, de janeiro até agosto, ainda foi constatada forte retração (13,7%), por conta do impacto da pandemia. 

Além disso, em relação aos 12 locais, do total de 15, que apresentaram crescimento no Brasil em agosto, seis já conseguiram superar o período pré-pandemia, estando o Amazonas em primeiro lugar na lista, com 7,6%, seguido dos estados do Pará (5,5%), Ceará (5%), Goiás (3,9%), Minas Gerais (2,6%) e Pernambuco (0,7%). 

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antônio Silva, confirma a ascendência na economia do Estado. “Os indicadores industriais mostram que realmente estamos superando o patamar do faturamento anterior a pandemia. Acredito que vamos recuperar ainda no decorrer do ano, entretanto, não acreditamos que consigamos zerar esse prejuízo”, analisa.

Silva ainda tem boas perspectivas para o próximo ano. “Acho possível que, no ano de 2021, tenhamos condições de ter plena recuperação e crescimento, tudo dependerá da dinâmica de aprovação pelo Congresso Nacional das reformas necessárias. Creio que estamos em um clima de entendimento entre os Poderes, o que é muito bom para o desempenho da economia”, assegura.

Produtos mais vendidos

O setor de eletrônicos foi um dos responsáveis para o resultado positivo com crescimento mensal de 12,7%
O setor de eletrônicos foi um dos responsáveis para o resultado positivo com crescimento mensal de 12,7% | Foto: Arquivo/Em Tempo

Os segmentos com maior contribuição para resultado positivo observado estiveram presentes na indústria de impressão e reprodução de gravações, como DVDs e discos (35,7%), na fabricação de produtos de borracha (40,4%) e na fabricação de equipamentos de informática e eletrônicos (12,7%), como celulares, computadores e máquinas digitais.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Jorge Júnior Nascimento, explica que a elevação nas vendas se deu justamente porque as pessoas estavam em casa durante o período da pandemia, optando pela troca do televisor e adquirindo novos eletros para facilitar o serviço doméstico.

“O setor de eletroeletrônicos tem se destacado realmente porque o consumidor ficou um bom tempo dentro de casa. Existe também uma previsão de um verão forte e as pessoas procuram pela compra de aparelhos de ar-condicionado e ventiladores. Há um estímulo no consumo de eletro portáteis e eletroeletrônicos, como chapinha de cabelo, barbeador, forno micro-ondas e elétrico, aspirador de pó e lava-louças”, detalha.

Nem tudo está perdido

Mesmo com o crescimento, que está distante de recuperar a economia local, se comparado ao ano passado, se espera um avanço nas vendas ainda neste ano. “Para o final do ano, temos duas datas importantes, como a Black Friday e o Natal. Não vamos ter um lucro como o do ano passado, porém, essa é a oportunidade de diminuir os prejuízos acarretados pela pandemia. Vale lembrar que nós chegamos em uma estagnação de 80% no mês de abril, com o fechamento do comércio”, ressalta Jorge Júnior.

Já para o presidente do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, há uma prevista estagnação do mercado no mês de outubro. “É normal ter um aumento na indústria levando em consideração que antes tudo estava fechado, pois as atividades voltaram na última semana de maio. A partir do mês de outubro deve estabilizar o crescimento com o ritmo de preparação para o Natal. O mais importante é que o emprego no Amazonas se mantém estável”, avalia.


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