Negócios


AM registra alta de 44% na abertura de pequenas empresas na pandemia

Apesar da expansão de pequenos negócios, o Estado aparece em terceiro lugar na taxa de informalidade

Segundo economista, pequenos negócios são uma boa estratégia para driblar a crise | Foto: Lucas Silva

Segundo economista, pequenos negócios são uma boa estratégia para driblar a crise
Segundo economista, pequenos negócios são uma boa estratégia para driblar a crise | Foto: Lucas Silva

Manaus – O número de abertura de empresas para Microempreendedores Individuais (MEI) cresceu 44% no Amazonas, de janeiro a setembro de 2020, em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com o Sebrae-AM. Por outro lado, o estado aparece como o terceiro colocado na maior taxa de informalidade do Brasil, com 55%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Economistas creditam o aumento no número de microempresários à pandemia, já que a mesma gerou desempregos. 

Em números absolutos, durante os nove meses analisados, surgiram neste ano, no Amazonas, 6.998 pequenos negócios a mais do que no mesmo período de 2019. Rafael dos Santos é um dos que faz parte desse percentual. Ao montar seu pequeno negócio, o garçom afirma que conseguiu driblar a crise. Ele deixou seu antigo emprego como atendente de restaurante e, junto à esposa, decidiu fazer hambúrgueres artesanais para vender.

Em pouco tempo, o casal tirou o plano do papel e formalizou o seu pequeno negócio. “Minha esposa e eu começamos a preparar os lanches, temos um ponto e já tivemos retorno para o primeiro mês. Logo de início, fiz o cadastro do nosso empreendimento pela internet e achei bem simples”, conta Rafael sobre o processo para se tornar MEI.

Rafael dos Santos atende em um ponto comercial físico e também oferece serviços de entrega
Rafael dos Santos atende em um ponto comercial físico e também oferece serviços de entrega | Foto: Lucas Silva

Assim como Rafael, Roniel Ramos também optou por abrir seu próprio negócio no ramo da alimentação. Após fazer cursos como maître, cozinheiro e administrador de restaurante, Ramos decidiu vender marmitas. Durante três meses, ele e a esposa cozinhavam em casa e ele mesmo ficava responsável pelas entregas, até que conseguiu contratar um entregador. 

Apesar do trabalho exaustivo, Ramos prefere trabalhar no seu empreendimento. “Tenho autonomia no meu trabalho, faço as coisas do meu jeito, como fiz cursos, me preparei, posso atender o meu cliente da melhor maneira possível”, afirma o microempreendedor. Contudo, sua empresa tem cinco meses e ainda está na informalidade, pois ele ainda está recebendo seu seguro-desemprego. 

Pequenos negócios na informalidade

Ramos faz parte dos 55% dos autônomos que trabalham na informalidade no Amazonas. Na pesquisa do IBGE sobre esse aumento de pessoas que não formalizaram o seu negócio, o Pará ocupou a primeira colocação, com 56,4%, em segundo lugar, o Maranhão, com 55,6% e, então, o Amazonas, com 55%.  Os dados da pesquisa referem-se ao segundo trimestre deste ano.

Ramos faz parte dos 55% dos autônomos que trabalham na informalidade no AM
Ramos faz parte dos 55% dos autônomos que trabalham na informalidade no AM | Foto: Lucas Silva

Para o presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon), Francisco de Assis Mourão, estruturar o próprio negócio pode ser uma saída viável para lidar com a crise, porém, é preciso agir com cautela. “Já foi comprovado na história do Brasil que, em momentos de crises, há um aumento do empreendedorismo. Com a pandemia e o desemprego, os trabalhadores aproveitam o dinheiro da rescisão e do FGTS para montar seu negócio. Mas é preciso buscar apoio técnico, como o Sebrae, por exemplo, para dar esse suporte, separando os custos da pessoa jurídica e física”, ressalta.

Segundo o economista, ao conseguir distinguir os papeis de microempreendedor e pessoa física, o dono do negócio pode ter êxito em seu empreendimento. Contudo, com a informalidade, as desvantagens são inúmeras. "Sem o aparato da CLT, com férias, FGTS, rescisão e os direitos trabalhistas, um trabalhador fica sem suporte. Por outro lado, o MEI pode dar uma segurança, principalmente depois da reforma trabalhista, em que se definiu a terceirização, com a abertura de novos negócios nesses segmentos. Porém, todo o cuidado é pouco”, avalia.

No Brasil

De acordo com o Portal do Empreendedor, o Brasil possui mais de 10 milhões de MEIs. Criado há dez anos, o MEI tem apoio da Legislação, com a Lei Complementar 123/2006, que formaliza profissionais autônomos. O microempreendedor pode faturar até R$ 81 mil por ano. No Portal do Empreendedor, é possível visualizar os principais segmentos com trabalhos formais. Em primeiro lugar, o registro de pequenos negócios é no ramo da beleza, como barbeiro, cabeleireiro, manicure e pedicure (779.834). O segundo aparece o de comerciantes de artigos do vestuário e acessórios (735.051), e, em terceiro, como pedreiro (442.529). 

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