Economia mundial


Pela primeira vez, uma mulher irá dirigir o comércio mundial

A lista de candidatos visando assumir o cargo de Diretor-Geral da Organização Mundial de Comércio foi reduzida a duas finalistas.

 

As duas finalistas à Diretoria-Geral da OMC são a nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala, e a sul- coreana Yoo Myung-hee
As duas finalistas à Diretoria-Geral da OMC são a nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala, e a sul- coreana Yoo Myung-hee | Foto: Reprodução

A Organização Mundial de Comércio (OMC), pela primeira vez em seus 25 anos de história, será dirigida por uma mulher. As duas finalistas à Diretoria-Geral da OMC são a nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala, e a sul- coreana Yoo Myung-hee, conforme pronunciamento realizado pela organização, nesta quinta-feira (08).

O cargo era ocupado pelo brasileiro Roberto Azevedo, que surpreendeu ao deixar o cargo no dia 30 de agosto, um ano antes de completar seu mandato à frente da Organização. O ex-diretor alegou na época, que estava renunciando em razão de motivos familiares e que não possuía aspirações políticas.

A saída prematura do diplomata brasileiro deu-se em meio a um dos períodos mais desafiadores da economia mundial, que enfrenta sua maior recessão desde a Grande Depressão da década de 1930, com a pandemia do coronavírus, que afundou a produção agrícola, industrial e o comércio, e com a guerra comercial entre os Estados Unidos da América (EUA) e a China.

A OMC foi estabelecida em 1995, com o objetivo de promover o livre comércio em benefício de todos, regulamentando e administrando regras de comércio internacional, e tenta resolver disputas entre os seus 164 Estados- membros.

Ngozi Okonjo-Iweala é uma economista e ex-Ministra de Economia da Nigéria. Ela trabalhou 25 anos no Banco Mundial, ascendendo ao cargo de Diretora-Geral da instituição. Em 2018, ela foi nomeada para Conselho de Administração do Twitter, e também preside o Conselho de Administração da Gavi, uma organização internacional que visa reunir os setores público e privado para melhorar o acesso a vacinas.

Okonjo-Iweala, enfrentará a sul-coreana Yoo Myung-hee, a primeira mulher a servir como Ministra do Comércio da Coreia do Sul. Yoo disse que a OMC “encontra-se em uma encruzilhada”, e que é necessário trabalhar para reconstruir confiança e reformar o sistema de comércio mundial. “A economia global está em sob tremenda tensão. E isso é precisamente o porquê de a OMC ser mais importante do que nunca”, afirmou.

Independentemente de quem venha a ser a nova Diretora-Geral da OMC, ela assumirá uma organização que vem tendo dificuldades em evitar brigas comerciais entre seus Estados membros, mais notavelmente entre os EUA e a China. Ela também será forçada a lidar com as consequências da pandemia do coronavírus, que prejudicou fortemente o comércio e desencadeou uma recessão global.

O resultado da eleição presidencial norte-americana em novembro terá grande influência na missão da OMC, uma vez que o Presidente dos EUA, Donald Trump, é um forte crítico da Organização, minando seu trabalho com a imposição de tarifas em países aliados, incluindo Canadá e México, assim como na China, a segunda maior economia do mundo e sua rival.

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