Economia


Coronavírus poderia consolidar o Brasil como líder na inclusão

O Coronavírus poderia consolidar o Brasil como líder na inclusão financeira

| Foto: Divulgação

Apesar da impressionante evolução dos meios de pago eletrônico e seu avance no país nos últimos 10 anos, a nível nacional, onde moram mais de 200 milhões de pessoas, o dinheiro vivo continua sendo o principal meio para fazer pagamentos.

O Banco Central informa que 96,1% da população realiza pagamento em espécie e revela que para compras de até R$ 10 87,9% prefere utilizar dinheiro em papel e para desembolsos de mais de R$ 500 a preferência diminui para 31%, deixando uma margem maior para o uso de meios eletrônicos de pagamento.

Por que apesar da grande quantidade de opções disponíveis no ecossistema de pago eletrônico (transferência bancária, cartões de débito e crédito, pagamentos instantâneos com qr, carteiras virtuais, e-vouchers, pagos in-app, criptomoedas, etc.) grande parte dos brasileiros preferem usar o dinheiro em papel para realizar seus gastos cotidianos?

Entre as principais razões, se encontra a “falsa” bancarização da população brasileira e a precária regulamentação formal do dinheiro eletrônico no país.

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Desafios da inclusão financeira 

COVID-19 destacou a importância de universalizar a inclusão financeira. O governo do Brasil alcançou grandes avanços na sua priorização desde a Alianza para a Inclusão Financeira de 2012 e é o país líder em estratégia em educação financeira desde 2010 (devido ao crescimento econômico e aos baixos níveis em conhecimentos financeiros indicados no documento “A educação financeira em América Latina e o Caribe. Situação atual e perspectivas” empoderar financeiramente as classes médias ao educá-los como investidores foi um dos propósitos traçados na estratégia nacional que foi estabelecida por decreto presidencial).

Porém de acordo com a investigação de a analista Melisa Murialdo, ainda tem desafios a superar:

A Redução da Brecha Digital Regional

O percentual de adultos com relacionamento bancário por região varia, a Região Sudeste apresenta o maior porcentual - 90,9%-, e a Região Norte, o menor, 72,3% 

A Redução da Pobreza:

A maioria dos adultos (58%) não bancarizados não possuem conta porque sua renda mensal não é suficiente para poupá-lo em alguma instituição financeira ou porque consideram que o custo é alto.

A ampliação da Rede de Conexão nas Áreas Não Urbanas:

Apesar da expansão do acesso à Internet no Brasil, um 70% dos estabelecimentos rurais não têm conexão, assim revelou o censo agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A inclusão financeira está diretamente relacionada com a inclusão digital. Sem inversão em infraestrutura que amplie a conectividade não vai ser possível aumentar o desenvolvimento da bancarização e Brasil ficará para atrás em novas tecnologias.

Aumentar a inversão em Cibersegurança: 

Outro desafio importante é aumenta a inversão em segurança cibernética. Na América Latina são registrados 45 ataques cibernéticos por segundo. A lista está liderada pelo Brasil e segue México, ambos estão entre os 20 países mais afetados por malware no mundo. Os ciberataques à dispositivos móveis na América Latina cresceram mais de 70% durante a pandemia; particularmente os que usam a COVID-19 como gancho são os que impulsionaram este crescimento. O setor financeiro é um dos mais sensíveis à cibercriminalidade. As perdas anuais podem ser significativas e representar em torno de 9% do lucro líquido dos bancos a nível mundial, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). 

Se o caminho é para a banca digital, as possibilidades de fraudes virtuais aumentarão, portanto é necessário promover o desenvolvimento contínuo da segurança em Internet com o intuito de proteger o sistema de ataques, fraudes e roubos cibernéticos aumentando o orçamento dirigido à essa política.  

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O Paradoxo da inclusão financeira

 De acordo com o BACEN 86,5% dos brasileiros têm uma conta bancária e se encontra, dessa forma, incluído no sistema financeiro. Porém ao consultá-los somente 70% diz tê-la: isso significa que ainda existem muitos adultos no país que desconhecem que possuem uma conta poupança disponível em alguma instituição financeira.

Cartão de débito

O instrumento eletrônico mais utilizado no país é o cartão de débito. Contudo, é importante esclarecer que a grande porcentagem de participação dos caixas automáticos responde ainda a uma alta incidência de saques de dinheiro por meio deste canal para consumo mensal.

Por sua vez, no relatório de instrumentos de pagos se observa uma grande diferença entre os cartões emitidos e os efetivamente ativos. 

Segundo o Instituto Locomotiva 29% dos brasileiros maiores de 16 anos dizem que não realizaram nenhuma transação bancária nos últimos meses.

Estes últimos dados nos mostram que, além do cenário de pessoas sem acesso a produtos, temos outro perfil, dos chamados “falsos bancarizados”. São pessoas ativas que possuem uma conta bancária, porém não usam ou usam com pouca frequência.

Como conclusão, se a forma de responder ativamente aos novos desafios que impõe a economia digital é avaliada sem deixar de lado complementos analógicos para reduzir os riscos e maximizar os benefícios, a pandemia poderia ser o acelerador da transformação digital que o setor financeiro requer para aprofundar a bancarização, aumentar o desenvolvimento de Fintech e diminuir a grande brecha financeira que existe no nível regional no país.

Dessa  forma, converteríamos esta quarentena em uma consolidação final da inclusão e educação financeira que poderia favorecer o posicionamento do Brasil como líder no setor. 

 * Redatora e Editora de Conteúdos para a América Latina