Audiência no Senado


Ajuda do governo só chegou a 15% das micros e pequenas empresas

Segundo o presidente do Sebrae, Carlos Melles, pelo menos 50% dos micros e pequenos empresários nem tentaram recorrer ao crédito pelas dificuldade burocráticas que encontram

Para Melles é preciso pensar numa moratória dos impostos, num novo Refis, e até  numa anistia,
Para Melles é preciso pensar numa moratória dos impostos, num novo Refis, e até numa anistia, | Foto: Divulgação

Brasília -  Em audiência pública realizada na manhã desta terça-feira (13) pela Comissão Mista do Senado Federal, representantes de bancos públicos, de cooperativas de crédito e do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) debateram a situação das pequenas e médias empresas, que, segundo as instituições, estão em situação financeira precária.

De acordo com os debatedores, apesar das medidas do governo para auxiliar os empresários brasileiros de todos os tamanhos com empréstimos facilitados, grande parte dos recursos não chegou às pequenas e microempresas.

Ainda de acordo com os participantes do debate, agora que aproxima o fim dos auxílios e linhas de crédito emergenciais concedidos na pandemia de covid-19, as empresas precisam lidar com outro problema: pagar tributos atrasados. 

De acordo com as instituições serão necessários mais recursos para financiar esses empresários e os empreendedores individuais a manter suas atividades, havendo necessidade do Congresso Nacional aprovar propostas para renegociar ou até mesmo perdoar as dívidas tributárias das empresas.

Burocracia empede crédito

Segundo o presidente do Sebrae, Carlos Melles, pelo menos 50% dos micros e pequenos empresários nem tentaram recorrer ao crédito pelas dificuldade burocráticas que encontram.

Dessa metade que procurou, apenas 22% obtiveram sucesso, ou seja, 15% do total. Isso precisa ser ampliado e, principalmente no contexto de crise causada pela pandemia, os devedores também vão precisar de auxílio para se reerguer, defendeu. "Nós estamos hoje com 63 milhões de brasileiros inadimplentes. Esses estão no limbo, esses estão foram de atividade. Se nós não reincluirmos esses 63 milhões de brasileiros, quase 1/3 dos brasileiros, nós vamos ter que nação? Uma nação de excluídos", disse Melles.

Para Melles é preciso pensar numa moratória dos impostos, num novo Refis, e até  numa anistia, para colocar de novo esse time de empreendedores no mercado.  "Lá fora, quem erra uma vez, erra duas ou três, todo mundo fala assim: Esse tem experiência. Agora, retoma. Aqui, se errou uma vez ou se está excluído uma vez, não tem condições de retomar mais. Portanto, é um dos problemas mais sérios e mais importantes para o Brasil", avaliou.

Alavancagem

Gerente de Políticas Públicas do Sebrae Nacional, Silas Santiago alertou que a retomada econômica não está ocorrendo de maneira homogênea, nem regionalmente, nem em todos os setores, o que pode impactar até mesmo numa segunda onda de fechamento de empresas.

Até agora, foram atendidas cerca de 500 mil empresas com recursos emergenciais, informou.

Cooperativas

Representantes dos grandes bancos públicos como Caixa Econômica, Banco do Brasil e BNDES participaram da audiência e disseram que os empresários tiveram crédito, receberam benefícios, como a suspensão do pagamento de dívidas por alguns meses, e educação financeira. Se o crédito para o pequenino não chegou na ponta, afirmaram, é porque eles não têm acesso a essas grandes instituições.

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