Imóveis


No Amazonas, mercado imobiliário cresce 24,5% no primeiro semestre

Segmento apresentou alta nas vendas com as taxas de juros baixas, permitindo a aquisição de imóveis

“Na hora de comprar ou alugar um imóvel, procure um corretor credenciado para evitar fraudes”, alerta o presidente da Creci | Foto: Divulgação

 Manaus -  Apesar da pandemia, que gerou uma crise econômica local e mundial, o mercado imobiliário cresceu 24,5% em 2020 no Amazonas, se comparado com o mesmo período do ano passado, de acordo com dados da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário no Estado do Amazonas (Ademi).

Em 2019, o setor faturou R$ 342 milhões em vendas e, neste ano, o número subiu para R$ 426 milhões. Especialistas explicam o fenômeno da ascensão no segmento mesmo no período da pandemia.

Assim como muitos amazonenses, a jornalista Bruna Souza sonhava com um imóvel próprio. Há duas semanas, ela fechou a compra de um apartamento financiado pelo programa de habitação popular, Minha Casa, Minha Vida. Para tirar o sonho de vida do papel, ela economizou e conteve gastos durante o isolamento.

Em 2019, o setor faturou R$ 342 milhões em vendas
Em 2019, o setor faturou R$ 342 milhões em vendas | Foto: Reprodução

“Desde o ano passado, estava procurando um apartamento. Queria um condomínio fechado, com conforto e segurança. No mês passado, vi um empreendimento que gostei muito. Consegui fechar um bom negócio, economizando R$ 50 mil. Dei uma boa entrada e financiei o restante”, conta a comunicadora.

Mercado em alta

Segundo o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado do Amazonas e Roraima (Creci), Paulo Carvalho, a procura no mercado imobiliário aumentou por conta da demanda de quem passou mais tempo em casa economizando e aproveitou a queda das tarifas para comprar seu imóvel.

“Com a taxa de juros mais em conta e algumas construtoras ainda com poucos estoques em promoções, elevou mais ainda a procura de imóveis. Outro motivo foi as taxas baixas que os bancos ofereceram, dando mais oportunidade”, explica.

Ainda de acordo com Carvalho, no meio da pandemia, as pessoas que ficaram em casa perceberam que os imóveis eram pequenos e buscaram ter um ambiente maior ou até reformar o seu home office. Já outros, procuravam um apartamento menor, porém, mais estruturado, oferecendo mais conforto.

Por conta disso, a construção civil não parou, apesar da baixa em alguns meses, segundo o presidente da Indústria da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon), Frank Souza. Ele comenta que 2019 apresentou uma crescente no mercado, tanto em nível de contratações, como em empreendimentos, período anterior à crise.

A construção civil não parou, apesar da baixa em alguns meses
A construção civil não parou, apesar da baixa em alguns meses | Foto: Divulgação

“Nós temos três momentos em que a pandemia afetou o mercado da construção civil. O primeiro gerou uma pausa no início da pandemia, no qual tudo ficou nebuloso tanto para construtor como para fornecedor. Com essa realidade, toda a cadeia da construção diminuiu o ritmo. Em março, abril e maio, o saldo de contratação ficou negativo, pois foi o período em que as empresas dispensaram os trabalhadores por conta da pandemia”, relembra.

Contudo, o divisor de águas deu-se por conta da liberação das empresas com o compromisso de respeitarem os protocolos de proteção. Para Souza, caso o serviço fosse interrompido, iria afetar a introdução de materiais, demissões e entregas no prazo. Ele ressalta que o cenário atual é positivo para o setor e detalha quais materiais tiveram os preços mais elevados.  

“No momento, a pandemia mostrou para o que veio em relação ao aumento do preço dos insumos da cadeia da construção civil, como o cimento, que teve alta de 30%, o tijolo com 100%, entre outros. A matéria-prima subiu e esses preços podem reduzir só no segundo trimestre de 2021. Acredito que as empresas não vão parar, mas essa situação precisa ser analisada”, ressalta.

Obras públicas

Mesmo com o crescimento no setor, as construções públicas diminuíram em Manaus. Houve algumas reformas, mas sem maiores investimentos na capital, apenas com algumas obras em estradas. “Precisamos de mais investimentos para as construções públicas”, confirma Souza.

O Custo Unitário Básico (CUB), que é a soma da matéria e mão de obra, tem crescido em agosto e setembro, contribuindo para as empresas, mas apertando o bolso do cliente. “Neste ano, a perspectiva em termo de vendas será melhor que 2019 e a contratação irá terminar com o saldo positivo. Esse mercado retoma com tudo”, finaliza o presidente da Sinduscon. 

Leia mais:

Regularização de imóveis vai somar mais de 12 mil títulos em Manaus

Portal Nacional Imóveis Global lança três novos recursos exclusivos

Advogada responde se é possível vender imóvel durante inventário