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    Duas Rodas


    No PIM, setor de Duas Rodas apresenta queda de 17,1% na produção

    Apesar da retratação por conta da crise pandêmica, representantes das indústrias e empresários fazem projeções positivas para 2021

    A crise gerada pela pandemia afetou a fabricação, exportação de unidades e vendas locais | Foto: Divulgação/Yamaha

    Manaus – A crise econômica também afetou o setor de duas rodas do Polo Industrial de Manaus (PIM) em 2020. O segmento produziu 693.441 unidades, de janeiro a setembro deste ano, enquanto no mesmo período de 2019, 836.450 unidades foram fabricadas, revelando uma queda de 17,1% na produção, segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo). Empresários e representantes da indústria revelam que, mesmo com as perdas, as previsões são positivas para 2021.

    Com 142.909 unidades a menos na fabricação, outras perdas também se fizeram presentes na exportação. De janeiro a setembro deste ano, 23.653 unidades foram enviadas para outros países enquanto, em 2019, 29.136 tiveram saída do país. Comparando os dois períodos, menos 5.483 unidades foram exportadas, representando uma queda de 18,8% para o setor de duas rodas na Zona Franca.

    O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antônio da Silva, avalia o rendimento dos meses. “A partir de junho, a produção de motocicletas apresentou crescimento consistentemente, com exceção do mês de agosto, em que a produção de 2020 foi inferior à de 2019, de 98.358 unidades contra 114.660, respectivamente”, ilustra.

    De janeiro a setembro deste ano, 23.653 unidades foram enviadas para outros países enquanto, em 2019, 29.136 tiveram saída do país
    De janeiro a setembro deste ano, 23.653 unidades foram enviadas para outros países enquanto, em 2019, 29.136 tiveram saída do país | Foto: Divulgação/Yamaha

    Em setembro, foram produzidas 105 mil motocicletas, representando o melhor mês de produção, segundo a Abraciclo. O presidente da Fieam também apresenta um resultado melhor para a produção de bicicletas. “Apesar do acréscimo significativo, em setembro, por exemplo, foi atingida a casa de 89.209 unidades de bicicletas produzidas, frente à fabricação de 110.895 no ano anterior. Não atingiu os patamares de 2019, por isso, ficou abaixo entre os meses de junho e setembro", explica.

    Analisando os resultados do segmento neste ano, o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian, afirma que a crise ocasionada pela pandemia atinge diretamente a produção. “Com a retomada gradual das atividades fabris, a produção de motocicletas e bicicletas registra uma curva ascendente. Embora os volumes de setembro tenham sido expressivos, o Setor de Duas Rodas ainda registra uma diferença considerável na comparação do acumulado dos nove meses do ano, em comparação com igual período de 2019. As fábricas continuam praticando medidas rigorosas de proteção ao contágio da Covid-19, que afetam diretamente a produção”, ressalta.

    "A empresa prevê encerrar o ano com o resultado de 15 a 20% inferior ao período anterior", avalia o vice-presidente da Moto Honda
    "A empresa prevê encerrar o ano com o resultado de 15 a 20% inferior ao período anterior", avalia o vice-presidente da Moto Honda | Foto: Divulgação/Moto Honda

    Moto Honda

    Segundo o vice-presidente industrial da Moto Honda da Amazônia, Júlio Koga, a empresa priorizou a saúde e segurança dos funcionários e, por isso, suspendeu a fabricação de motocicletas no PIM por dois meses, entre os dias 25 de março a 22 de maio. Com a produção interrompida, naturalmente, houve uma queda drástica nos meses de abril e junho.

    Nesse contexto, Koga observa que, mesmo com a crise econômica, a recuperação já está acontecendo e os resultados podem ser ainda melhores até o final do ano. “A empresa prevê encerrar o ano com o resultado de 15 a 20% inferior ao período anterior. Temos observado uma recuperação da economia, desde o momento mais agudo da crise. Os resultados de vendas dos meses de agosto e setembro desse ano já superaram os números dos mesmos meses de 2019, inclusive em setembro tivemos a melhor média mensal de vendas desde 2015”, pondera.

    O crescimento da Moto Honda, referido pelo vice-presidente, trata-se de números positivos tanto na produção, quanto nas vendas no ramo em setembro. Na fabricação, 85.511 unidades foram produzidas neste ano, ao passo que, em 2019, o número chegou a 75.588 unidades, mostrando um crescimento de 13,1%. Ainda em setembro deste ano, 78.021 motos emplacadas foram vendidas, superando as vendas de 2019, com 70.011 unidades, apontando um aumento de 11,4% no período em 2020.

    No entanto, ele ressalta que ainda é cedo para dar um veredicto do ano baseado nos resultados dos primeiros nove meses. “Os resultados do período têm sido positivos, porém é preciso cautela para confirmar se essa recuperação tem fundamentos sólidos e sustentáveis. Ainda existem incertezas dado o alto nível de desemprego e principalmente a situação fiscal do nosso país”, completa Koga.

    Yamaha

    De acordo com o diretor de relações institucionais da Yamaha no Brasil e vice-presidente da Abraciclo, Hilário Kobayashi, os volumes de produção e vendas ainda são insuficientes para recompor os números das previsões do início do ano de 2020. “Esses aumentos pontuais ainda não servem para compensar os meses em que as fábricas permaneceram fechadas. A retomada das fábricas foi cercada de muito cuidado e isso causou uma diminuição natural da produtividade. E não apenas as fabricantes de motocicletas, mas também sua cadeia de fornecedores foi profundamente impactada pela pandemia”, considera.

    Sobre os emplacamentos, quando as motocicletas são cadastradas, Kobayashi ainda esclarece que houve um aumento de cadastros de motocicletas em agosto e setembro por conta do fechamento das unidades do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran/AM) durante o pico da pandemia. Também ocorreu um acréscimo na procura. Ele credita o aumento na demanda às pessoas que buscaram adquirir motocicletas em razão da facilidade de manutenção e baixo custo.

    "A retomada das fábricas foi cercada de muito cuidado e isso causou uma diminuição natural da produtividade, pois ainda estamos aprendendo todos a trabalhar de máscara", conta o vice-presidente da Abraciclo
    "A retomada das fábricas foi cercada de muito cuidado e isso causou uma diminuição natural da produtividade, pois ainda estamos aprendendo todos a trabalhar de máscara", conta o vice-presidente da Abraciclo | Foto: Divulgação/Yamaha

    Perspectivas para 2021

    Para o ano que vem, os empresários do ramo criam táticas para tentar recuperar os prejuízos de 2020. O vice-presidente da Honda afirma que a empresa tem uma estratégia voltada para a qualidade do negócio a longo prazo, considerando toda a cadeia, priorizando a manutenção do valor da marca, do próprio produto e da sustentabilidade da rede.

    “Vamos seguir investindo continuamente no fortalecimento do nosso line up, a fim de oferecer soluções de mobilidade que atendam às necessidades dos diversos perfis de clientes, e visamos ainda superar expectativas dos consumidores, oferecendo o melhor produto para cada perfil. Acreditamos no potencial de longo prazo do Brasil e da indústria de duas rodas e seguimos empenhados em ressaltar o papel relevante da motocicleta para a mobilidade das pessoas”, esclarece Koga.

    Pensamento semelhante tem o vice-presidente da Fieam. “As perspectivas para o setor são boas, embora não tenhamos como precisar a evolução da pandemia e os impactos que podem advir a partir de uma segunda onda do coronavírus. Ademais, temos que considerar que a escassez de insumos e a variação cambial afetam consideravelmente o segmento de duas rodas. O mercado, entretanto, apresenta sinais de reaquecimento, e, caso consigamos evitar maiores entraves, deveremos ter um ano vindouro com números mais alentadores”, pondera Silva.

    Já presidente da Abraciclo, faz um balanço entre os dois lados, considerando todos os cenários apresentados até então. Para ele, dentro de uma perspectiva otimista, onde os fatores citados atuem de uma forma positiva, um crescimento de 15%, compensando as perdas de 2020 pode existir. "Mas procurando ser realistas, acreditamos que, embora as dificuldades constatadas, teremos um crescimento de 5% a 10% em 2021, com base nos dados que temos disponíveis hoje. Contudo, precisamos aguardar a conclusão dos estudos sobre o ano”, prevê Kobayashi.

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