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    Inflação


    Setores econômicos enfrentam recuperação desigual, avalia BC

    Ainda há incertezas sobre o ritmo de crescimento, principalmente a partir do fim de ano, quando deve terminar o efeito dos auxílios emergenciais pagos pelo governo.

    O IPCA acumulou taxas de inflação de 1,34% no ano e de 3,14% em 12 meses.
    O IPCA acumulou taxas de inflação de 1,34% no ano e de 3,14% em 12 meses. | Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

    Brasília -A economia brasileira apresenta recuperação desigual entre os setores, assim como ocorre em outros países, e ainda há incertezas sobre o ritmo de crescimento, principalmente a partir do fim de ano, quando deve terminar o efeito dos auxílios emergenciais pagos pelo governo. A avaliação é do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) e consta da ata da última reunião, divulgada hoje (3).

    “Os programas governamentais de recomposição de renda têm permitido uma retomada relativamente forte do consumo de bens duráveis e do investimento. Contudo, várias atividades do setor de serviços, sobretudo aquelas mais diretamente afetadas pelo distanciamento social, permanecem bastante deprimidas. Prospectivamente, a pouca previsibilidade associada à evolução da pandemia e ao necessário ajuste dos gastos públicos a partir de 2021 aumenta a incerteza sobre a continuidade da retomada da atividade econômica”, diz o Copom.

    De acordo com o comitê, no cenário internacional, a forte retomada em alguns setores produtivos parece sofrer alguma desaceleração, em parte devido à segunda onda da pandemia de covid-19 em algumas das principais economias. Apesar das incertezas desse cenário e da possível redução dos estímulos governamentais, “a moderação na volatilidade dos ativos financeiros segue resultando em um ambiente relativamente favorável para economias emergentes”.

    Na última semana, o comitê manteve a taxa básica de juros da economia (Selic) em 2% ao ano, o menor nível desde o início da série histórica do BC, em 1986. A manutenção da Selic em baixa estimula a economia porque juros menores barateiam o crédito e incentivam a produção e o consumo em um cenário de baixa atividade econômica.

    Inflação

    A Selic é o principal instrumento usado pelo Banco Central para alcançar a meta de inflação. Em setembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a inflação oficial medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou em 0,64%, contra 0,24% em agosto. O IPCA acumulou taxas de inflação de 1,34% no ano e de 3,14% em 12 meses.

    Na ata, o Copom ressalta que as últimas leituras de inflação ficaram acima do esperado, elevando a projeção para os meses restantes de 2020.

    “Contribuem para essa revisão a continuidade da alta nos preços dos alimentos e de bens industriais, consequência da depreciação persistente do real, da elevação de preço das commodities [produtos primários com cotação em mercados internacionais] e dos programas de transferência de renda. Por um lado, a normalização parcial dos preços ainda deprimidos deve continuar, em um contexto de recuperação dos índices de mobilidade e do nível de atividade. Por outro lado, espera-se a reversão na elevação extraordinária dos preços de alguns produtos, afetados por redução provisória na oferta em conjunção com um aumento ocasional na demanda. Dessa forma, apesar de a pressão inflacionária ter sido mais forte que a esperada, o comitê mantém o diagnóstico de que esse choque é temporário, mas monitora sua evolução com atenção”, diz o documento.

    O comitê estabelece dois cenários com projeções para a inflação neste ano. No primeiro cenário, a inflação termina 2020 e 2021 em 3,1% e sobe para 3,3% em 2022. As projeções para a inflação de preços administrados são 0,8% em 2020, 5,1% em 2021 e 3,9% em 2022. Nesse cenário, a taxa de câmbio parte de R$ 5,60 e a Selic encerra 2020 em 2% ao ano, eleva-se para 2,75% ao ano em 2021 e 4,5% ao ano em 2022 (de acordo com a pesquisa do BC ao mercado financeiro para a taxa básica.

    No cenário com taxa de juros constante a 2% ao ano e taxa de câmbio partindo de R$ 5,60, as projeções de inflação ficam em 3,1% em 2020, 3,2% em 2021 e 3,8% em 2022. Nesse cenário, as projeções para a inflação de preços administrados são 0,8% para 2020, 5,1% para 2021 e 4% para 2022.

    As estimativas para 2020 estão acima do piso da meta de inflação que deve ser perseguida pelo Banco Central. A meta, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 4% em 2020, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 2,5% e o superior, 5,5%. Para 2021, a meta é 3,75%, para 2022, 3,50%, e para 2023, 3,25%, com intervalo de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo em cada ano.

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