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    Bolsa de valores


    Ações do Carrefour recuam mais de 5% após tragédia em Porto Alegre

    Além dos prejuízos relacionados a depredação, os investidores também observam os efeitos da revolta nas vendas da rede de supermercados

    Anteriormente, elas já se encontravam com um recuo de mais de 4%, na contramão do Ibovespa
    Anteriormente, elas já se encontravam com um recuo de mais de 4%, na contramão do Ibovespa | Foto: Luis Pedruco

    Manaus – As ações do Carrefour Brasil (CRFB3) caíam 5,15% às 11h52 de segunda-feira (23/11), cotadas a R$ 19,34. Anteriormente, elas já se encontravam com um recuo de mais de 4%, na contramão do Ibovespa. Os operadores de mercado refletem o envolvimento da rede de supermercados varejistas na morte de João Alberto, em uma das unidades da empresa em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

    A queda das ações vai na contramão do Ibovespa, principal índice da B3 (Bolsa de Valores Brasileira). No mesmo horário, tinha alta de 0,87%, aos 106.965 pontos, com o anúncio da vacina AstraZeneca, da Universidade de Oxford.

    O Carrefour foi alvo de diversos protestos antirracistas ao redor do Brasil. Em algumas capitais, danos diretos foram gerados em diversas lojas da rede em repúdio a morte de João Alberto Silveira Ferreira, um homem negro brutalmente espancado por seguranças do local, na véspera do Dia Nacional da Consciência Negra (20). Mercadorias foram derrubadas das prateleiras em algumas lojas e, em outras, houve início de incêndios.

    Danos diretos foram gerados em diversas lojas da rede em repúdio a morte de João Alberto Silveira Ferreira
    Danos diretos foram gerados em diversas lojas da rede em repúdio a morte de João Alberto Silveira Ferreira | Foto: Reprodução

    Além dos prejuízos relacionados a depredação, os investidores também observam os efeitos da revolta nas vendas do Carrefour. Em Manaus, um ato - que buscava incentivar o boicote a rede - ocorreu em frente à loja no bairro Adrianópolis, na tarde de sábado (21). Cerca de 40 manifestantes participaram do ato e relembraram os casos de racismo no Amazonas e também a violência contra indígenas.

    Em Manaus, um ato - que buscava incentivar o boicote a rede - ocorreu em frente à loja no bairro Adrianópolis
    Em Manaus, um ato - que buscava incentivar o boicote a rede - ocorreu em frente à loja no bairro Adrianópolis | Foto: Leandro Guedes

    Outros casos

    Não é a primeira vez que o Carrefour gerou polêmica por estar envolvido em casos de violência contra consumidores, funcionários e até mesmo animais. Em diferentes localidades brasileiras, como em Recife, a rede chocou ao cobrir o corpo do representante de vendas Moisés Santos, de 53 anos, com guarda-sóis e caixas, enquanto o local continuava em funcionamento. Outro episódio se deu em São Paulo, quando um segurança do supermercado foi flagrado espancando a cadela Manchinha até a morte.

    A rede chocou ao cobrir o corpo do representante de vendas Moisés Santos, de 53 anos, com guarda-sóis e caixas
    A rede chocou ao cobrir o corpo do representante de vendas Moisés Santos, de 53 anos, com guarda-sóis e caixas | Foto: Reprodução

    Denúncia ao Conselho de Direitos Humanos

    A repercussão dos casos não gerou perdas para a rede de supermercados somente na Bolsa de Valores, mas também problemas com o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH). O senador Fabiano Contarato (Rede-ES) apresentou uma denúncia contra o Carrefour pela morte de João Alberto no CNDH. O conselho é um órgão autônomo que busca promover e defender os direitos humanos no país.

    Na denúncia, o senador manifesta sua indignação diante do caso e pede que o conselho tome as "providências cabíveis para o enfrentamento a essa questão que claramente se mostra como uma afronta aos direitos humanos".

    O conselho pode instaurar procedimentos para apurar condutas e situações que afligem os direitos humanos, além de aplicar sanções em decorrência dos casos analisados. Dentre as sanções possíveis estão advertências, censura pública, recomendação de afastamento de cargo e recomendação de que não sejam concedidos verbas, auxílios ou subvenções a entidades violadoras.

    Confira nota do Carrefour referente ao caso:

    *Com informações do Poder 360 e da UOL

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