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    Auxílio Emergencial


    Fim do Auxílio Emergencial: Manauaras falam sobre perspectivas

    Com o fim da ajuda financeira dada pelo governo, manauaras temem redução no orçamento

    O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que não estenderá o benefício
    O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que não estenderá o benefício | Foto: André Melo Andrade/Myphoto Press

    Com o fim do pagamento do auxílio emergencial do governo federal, anunciado para o mês de dezembro, muitas famílias ainda não sabem ao certo o que fazer para continuarem mantendo suas famílias. Apesar da maioria dos setores ter retornado às atividades, muitas pessoas continuam desempregadas e outras, ainda pertencem ao grupo de risco, o que faz com tenham ainda mais dificuldades para se colocarem novamente no mercado.

    Para a comerciante Lindsay Farias, de 27 anos, o fechamento dos estabelecimentos comerciais de produtos não essenciais lhe prejudicou. Ela possui uma loja de artigos de presentes, em um ponto alugado, em um bairro na Zona Oeste de Manaus, e teve de fechar o estabelecimento no mês de março. Sem vendas, passou a depender somente do auxílio do governo, que supriu apenas os custos básicos da família dela.

    Segundo a empreendedora, quando foi contemplada com o auxílio emergencial, conseguiu pagar o aluguel e investir em tecido, pois começou a confeccionar máscaras de proteção.

    “A máscara começou a ser exigida, passei a confeccioná-la em larga escala e vendia para amigos e parentes como uma forma de custear as despesas fixas. Eu tomei todas as precauções e precisei trabalhar com as portas fechadas, atendendo os clientes pelas redes sociais”, relatou.

    Ainda segundo Lindsay, ela só não entrou em colapso econômico porque pôde contar com esse valor do benefício de R$ 600 para atravessar o momento de crise econômica. A jovem informou ainda, que a renda possibilitou que seu empreendimento se mantivesse de pé. A quebra n metade do valor do auxílio, segundo ela, impactou na renda, pois as vendas ainda não voltaram ao esperado. Ela já está pensando como vai fazer quando o benefício chegar ao fim.

    "Estou enxugando ao máximo todas as despesas, para depois que o auxílio acabar, eu consiga me manter e manter também o empreendimento. Estou buscando mercadorias alternativas, de fácil saída, para manter um fluxo de caixa regular”, informou.

    A manicure Luara Branco, de 28 anos, também conseguiu manter a família com o auxílio emergencial do governo. Ela relatou que o esposo foi afastado do serviço e o filho de 8 anos pertence ao grupo de risco. Impossibilitada de realizar os trabalhos de manicure, viu sua renda diminuir drasticamente. 

    “O salário do meu esposo caiu para a metade. Mesmo fazendo de tudo para manter as despesas, os preços dos produtos aumentaram muito. Ficou difícil de manter a casa. Como já estava cadastrada no Bolsa Família fui contemplada com o auxílio logo no primeiro lote”, disse Luara. 

    Ela ainda não retomou às atividades, mas relatou que está investindo em material e equipamentos. Ela espera, com o as festas de fim de ano, recuperar o valor investido e aumentar a renda familiar.

    Outra trabalhadora que disse que o auxílio emergencial lhe ajudou muito foi a operadora caixa Glayce Ribeiro, de 26 anos. Ela foi demitida do emprego e estava recebendo o seguro desemprego quando a pandemia pegou a todos de surpresa. Ela solicitou o benefício que foi negado por várias vezes. Foi quando conseguiu fazer a contestação e só agora conseguiu ser aprovada. Ela recebeu no mês de outubro a primeira parcela do auxílio.

    Como é mãe solo, conseguiu o valor em dobro, ou seja, R$ 1.200, o que auxiliou no pagamento de algumas dívidas e ainda comprar suprimento para sua dispensa, que já estava vazia.

    Glayce diz que tem consciência que o auxílio não é para sempre e que espera logo conseguir um novo emprego.

    Não há prorrogação

    O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que não estenderá o benefício e, que, há “falsa narrativa” de uma segunda onda de Covid-19 no país. Ainda segundo Guedes, a ideia é que o auxílio emergencial seja extinto no final do ano, e a economia, segundo ele, "está voltando forte". Outra situação relatada pelo ministro da Economia é a queda nos casos da covid-19, que baixaram de 1,3 mil mortes diárias para 300. 

    Caixa segue depositando o benefício

    A Caixa Econômica Federal segue depositando os valores conta digital dos beneficiários aprovados. Atualmente, a Caixa está pagando o Ciclo 5.O auxílio emergencial do governo contemplou os brasileiros de baixa renda, trabalhadores informais, MEIs, autônomos e desempregados.

    Agora é esperar que os e setores econômicos gerem empregos e que uma segunda onda da covid-19 não arruíne ainda mais a economia brasileira.

    *Texto escrito por Conceição Melquiades