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    Auxílio emergencial


    Com fim do auxílio, população deve buscar negócios próprios

    Após o pronunciamento do Ministro da Economia, Paulo Guedes, especialistas afirmam que o resultado será desfavorável para as famílias amazonenses e dão dicas sobre como driblar a crise com negócios próprios

     Manaus - O Ministro da Economia, Paulo Guedes, informou que o auxílio emergencial não será prorrogado para 2021. Segundo o Governo Federal, dezembro será o último mês que as famílias irão receber o benefício, já que a economia está voltando 'ao normal'. Economistas avaliam que as famílias amazonenses serão atingidas negativamente com o fim do auxílio e sugerem possíveis soluções envolvendo a abertura de negócios próprios para driblar a situação.

    O pronunciamento de Guedes aconteceu durante uma videoconferência, organizada por uma empresa de investimentos, na tarde de segunda-feira (23). O ministro ressaltou que, se o auxílio fosse menor que R$ 200,00, as famílias brasileiras poderiam receber a assistência até por um ano. Ele também mencionou que o benefício só pode ser estendido caso aja uma ‘segunda onda’ do novo coronavírus.

    Segundo o ministro, as atividades econômicas estão retornando com toda força, dando evidências de recuperação. “A ideia é que o auxílio emergencial se extinga no final do ano. A economia está voltando forte, a doença está descendo. Eu não estou dizendo duas ou três semanas. Eu estou dizendo, de 1,3 mil, 1,4 mil mortes diárias, a coisa caiu para 300, 250. Agora, parece que voltou para 350. [...] Os fatos são que a doença cedeu bastante e a economia voltou com muita força”, reforçou Guedes.

    O ministro mencionou que o auxílio só poderá ser estendido caso surja uma 'segunda onda'
    O ministro mencionou que o auxílio só poderá ser estendido caso surja uma 'segunda onda' | Foto: Isac Nóbrega

    Para o presidente do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon/AM), Francisco Mourão Junior, o país está no limite das dívidas em função dos subsídios voltados à crise, no entanto, a situação é ainda mais delicada para os amazonenses. “O pronunciamento da não continuação do auxílio é preocupante. Infelizmente, na cartilha do ministro neoliberal não provém a intervenção do Estado na economia, que foi essencial no momento em que as famílias não conseguiam trabalhar por conta da pandemia”, declarou.

    Ainda de acordo com Mourão, antes da pandemia, a economia do Amazonas era ruim, com uma parcela da população com dificuldades financeiras, mas que já vinha dando passos de uma pequena recuperação. “O auxílio fez aparecer pessoas que eram invisíveis, que não apontavam em pesquisa nenhuma. Isso só prova o verdadeiro valor quando o Estado intervém na economia. ”, frisou o economista.

    Pensamento similar tem a socióloga Maria Rute Luna. Ela avalia a pobreza no Amazonas como uma desigualdade exorbitante. Mesmo que a capital seja a quarta mais rica em arrecadação do Brasil, a situação era crítica antes da pandemia, ainda mais agora.

    Especialistas sugerem montar negócio próprio como uma solução para gerar renda, após o fim do auxílio
    Especialistas sugerem montar negócio próprio como uma solução para gerar renda, após o fim do auxílio | Foto: Lucas Silva

    Com o agravamento financeiro, Maria Rute retrata o desequilíbrio entre a queda de casos e o desemprego. “Com a abertura do comércio, muitos voltaram ao trabalho e muitos outros não conseguiram retornar. O auxílio salvou boa parte das famílias da miséria. O vírus decaiu, mas o desemprego continua latente. Com essa intensificação da pobreza, prorrogar o auxílio será um tiro no pé”, alegou.

    Já a economista Socorro Corrêa, diz que é compreensivo o posicionamento de Guedes, levando em conta que está preocupado com os gastos públicos. “A continuidade do pagamento de benefícios, por mais três meses em 2021, representaria um gasto aos cofres públicos na ordem de R$ 15,3 bilhões, segundo dados do próprio Ministério da Economia”, afirmou.

    Apesar dos gastos, mais de 300 mil pessoas, aptas para o trabalho, estão desempregadas no Amazonas, conforme o levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em setembro, correspondendo ao terceiro índice mais alto do Brasil.

    Com a realidade do desemprego no Amazonas, a economista afirma que é preciso avaliar esse fator antes de fazer o corte total. Ela faz uma estimativa de que os R$ 15,3 bilhões do auxílio retornam aos cofres públicos na proporção de 1/4 na forma de impostos diretos, fora os tributos gerados indiretamente na cadeia de produtos consumidos pelos beneficiários do programa social.

    “O Governo Federal deve analisar com mais cuidado a questão, respeitando a realidade dos gastos públicos, a possibilidade da continuidade até que o nível de pessoas desempregadas no país possa cair para um patamar de 10%”, opinou Socorro.

    Possíveis soluções

    Com o fim da assistência, o presidente do Corecon sugere que o Governo do Amazonas e a Prefeitura de Manaus se unam para requalificar a população, criar uma política de geração de emprego e renda, e ainda facilitar o acesso ao microcrédito, possibilitando a aquisição de ferramentas para o trabalho autônomo, como venda de alimentos ou produção de algum objetivo para vendas.

    Já socióloga Maria Rute, frisa que, quando essas famílias não conseguem emprego, elas migram para a informalidade, com bicos, sem garantias, agravando outros problemas sociais. Ela traz outras soluções. “O Governo do Amazonas poderia diminuir as despesas do executivo e legislativo e investir em serviços essenciais, como a saúde, educação, assistência social na garantia dos direitos dessas pessoas em vulnerabilidade, o apoio à pequena empresa, ao agricultor, pescador, e a transferência de renda estadual, de R$ 200,00, tanto para a capital como para o interior”, finalizou.

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