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    Renda


    No Brasil, 30% da população mais pobre vive com menos que o necessário

    Na primeira faixa de renda, uma pessoa recebia, em média, R$ 244,60 mensais, mas precisava de quase o dobro (R$ 470,29) para suprir o que consideram suas necessidades

    Entre 2017 e 2018, a renda disponível era de R$ 1.650,78, em média, e a renda mínima, R$ 1.331,57
    Entre 2017 e 2018, a renda disponível era de R$ 1.650,78, em média, e a renda mínima, R$ 1.331,57 | Foto: Camille Perissé/Agencia IBGE

    Manaus - Cerca de 30% das pessoas que tinham os menores rendimentos no Brasil, entre 2017 e 2018, viviam com menos do que consideravam necessário para chegar ao fim do mês, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A constatação é da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) e demonstra que a renda média mensal disponível dessa parcela da população era menor que a renda mínima declarada como necessária.

    Na primeira faixa de renda, uma pessoa recebia, em média, R$ 244,60 mensais, mas precisava de quase o dobro (R$ 470,29) para suprir o que consideram suas necessidades. Essa diferença continua até a terceira faixa de rendimento e só muda na quarta faixa, quando a renda per capita passa a ser maior (R$ 808,40) do que a renda mínima (R$ 789,59).

    Essa proporção se inverte conforme a renda aumenta. Na última faixa, em que a renda disponível era de R$ 6.294,83, as pessoas consideravam R$ 4.001,09 o mínimo necessário para viver. Ou seja, os 10% com os maiores rendimentos declararam precisar receber 8,5 vezes a renda mínima dos 10% com os menores rendimentos (R$ 470,30) para chegar ao fim do mês.

    “O que uma pessoa considera a renda mínima depende da sua renda disponível e, claro, dos seus hábitos de consumo. Esses dados mostram que a percepção das pessoas é bastante diferente, dependendo da faixa de renda”, afirma o analista da pesquisa, Leonardo Oliveira.

    Entre 2017 e 2018, a renda disponível era de R$ 1.650,78, em média, e a renda mínima, R$ 1.331,57. Do total da renda disponível, 86,9% foram obtidos de forma monetária, 23% não monetária menos 9,9% de impostos diretos, contribuições e outras deduções.

    “A parcela monetária da renda corresponde a valores que vêm do trabalho ou de transferências, como aposentadorias, pensões e programas sociais. Já a renda não monetária se refere a valores de bens e serviços que as famílias não precisam pagar, o que inclui os providos pelo governo, instituições e outras famílias, como um remédio retirado em um posto de saúde, um presente recebido de alguém ou uma hortaliça retirada da própria horta, por exemplo”, explica Oliveira.

    Despesa de consumo é maior com habitação

    Já as despesas de consumo totalizaram R$ 1.370,53, sendo a maior parcela com habitação (R$ 466,34), seguida das despesas com transporte (R$ 234,08) e alimentação (R$ 219,44).

    Em média, uma pessoa gastou R$ 264,66, por mês, com moradia, que inclui aluguel, aluguel estimado, condomínio e impostos. “Cerca de 1,7% das pessoas viviam em domicílios cujo valor pago do aluguel ultrapassavam 1/3 da renda familiar líquida disponível, o que é considerado ônus excessivo de aluguel. Entre as regiões, o maior percentual estava no Sudeste (1,0%)”, comenta a analista Luciana Santos.

    Já a despesa com serviços de utilidade pública, como energia elétrica, água e esgoto, gás doméstico e comunicação (telefone fixo e celular, TV por assinatura e internet), foi de R$ 114,12, sendo os maiores gastos com serviços de comunicação (R$ 45,16) e energia elétrica (R$ 39,64).

    “As pessoas que pertenciam aos décimos mais baixos de renda gastaram a maior parte do seu orçamento com o serviço de energia elétrica, sendo 42,2% na primeira faixa de renda. Por outro lado, os serviços de comunicação representaram a maior parte das despesas das famílias com maiores rendimentos, 53,7% das pessoas pertencem às famílias da última faixa de renda”, acrescenta Luciana.

    *Com informações do IBGE

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