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    Natal


    Em Manaus, contratações temporárias para o Natal tem queda de 50%

    Para as datas comemorativas no fim de ano, 2.500 pessoas foram contratadas temporariamente neste ano; no mesmo período de 2019, o número de contratos foi de 5 mil

    | Foto: Lucas Silva

     

    Manaus – Com o aumento da procura por presentes, às vésperas das comemorações natalinas, lojistas aproveitam para fazer contratações temporárias com a finalidade de conseguir atender a demanda dos clientes. Para o período do Natal e Ano Novo, 2.500 pessoas foram contratadas temporariamente neste ano, enquanto 5 mil fizeram contratos transitórios no mesmo período em 2019, segundo dados da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL). Apesar da queda, representantes dos lojistas e comerciantes preveem uma recuperação em 2021.

    Em função da pandemia, funcionários perderam o emprego efetivo em março, quando as lojas e os comércios tiveram que fechar as portas durante 100 dias. Com essa pausa prolongada, o desespero e a incerteza foram sentimentos dos trabalhadores que estavam estáveis no mercado de trabalho. Agora, com os efeitos do desemprego que a crise sanitária gerou, a oportunidade está em atuar com contrato temporário durante o Natal.

    Um dos que aproveitou a chance foi o estudante de Tecnologia em Marketing Athirson Barbosa, 20 anos. O rapaz estava sem trabalhar desde fevereiro deste ano. Em novembro de 2019, ele aproveitou a contratação temporária para trabalhar numa livraria até fevereiro deste ano. Desde então, Athirson ficou desempregado. No pico da pandemia, se dedicou para estudar o mercado financeiro e investir. Para aproveitar novamente os contratos provisórios, ele voltou à livraria para atuar como auxiliar de vendas.

    “Fui chamado novamente para trabalhar na mesma empresa como auxiliar de vendas temporariamente até o mês de março, pois, no fim e início de ano, há uma demanda e procura muito grande por livros didáticos e paradidáticos, então, precisam de mais vendedores. Junto comigo, outros três jovens foram contratos e outros mais ainda serão. Apesar de tudo, as empresas estão se adaptando às mudanças sanitárias e buscando meios para gerar novos empregos novamente e consegui reparar as perdas”, esclarece Athirson.

    Com a reabertura dos setores comerciais, os representantes dos segmentos passaram a organizar as datas comemorativas para tentar recuperar o prejuízo
    Com a reabertura dos setores comerciais, os representantes dos segmentos passaram a organizar as datas comemorativas para tentar recuperar o prejuízo | Foto: Márcio Mello

    Para o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas (Fercomércio), Aderson Frota, em dezembro de 2019, o setor teve um final de ano e início de 2020 positivo, do ponto de vista do varejo. Houve uma expectativa para superar as metas neste ano, até vir a crise sanitária. “Com a pandemia, o comércio ficou 100 dias fechados, gerando desespero. Dialogando com o Governo do Amazonas, foi criado um calendário de reabertura em junho e, consequentemente, as vendas aumentaram”, declara.

    Além de o setor enfrentar a crise sanitária, todos tiveram que lidar com as consequências que a mesma causou, sendo uma delas a dificuldade de abastecimento para o comércio em Manaus. Segundo Frota, o mês de setembro foi marcado pela carência de abastecimento nos comércios por falta de contêineres, que gerou problemas com os produtos e embalagens de plástico, alumínio, papelão e até vidro, prejudicando as vendas na reabertura.

    Apesar das consequências negativas que a pandemia trouxe, ele apresenta números positivos. “Mesmo tirando o que nós perdemos nesse momento, tivemos uma recuperação muito positiva. Crescemos também em relação a empregos, mas não era o que projetamos. O comércio cresceu no número de empregos de 8% a 9% até agora”, informa o presidente da Fecomércio.

    Contratações temporárias

    Com a reabertura dos setores comerciais, que voltaram aos poucos com a previsão do calendário a partir de junho, os representantes dos segmentos passaram a organizar as datas comemorativas para tentar recuperar o tempo e prejuízo. Em outubro, por exemplo, as contratações temporárias se iniciaram para cumprir a jornada do fim de ano, como o Dia das Crianças, a Black Friday e o Natal.

    Com a realidade da falta de produtos nas prateleiras dos locais, com a maioria desabastecida, as vendas nesse período não ocorreram como o esperado. “Assim mesmo, estamos regularizando e as coisas estão voltando ao normal. Estamos em cima do Natal e muitas vendas não poderão ser feitas por falta de mercadoria, mas ainda sim estamos esperando crescer 3% nas vendas no Natal”, prevê Frota.

    De acordo com o presidente da CDL Manaus, Ralph Assayag, apesar da queda no número de contratações temporárias, houve um investimento nas contratações efetivas com o surgimento de novas lojas. “Há uma perspectiva que, no primeiro trimestre, sejam inauguradas outras lojas e atinjam, pelo menos no final do ano e nesses primeiros três meses de 2021, em torno de 2.700 efetivos. Tem uma desvantagem pelo volume dos contratados temporários, mas há uma vantagem pelos efetivos que vão permanecer no trabalho. Tivemos uma queda de 50% no temporário, mas um aumento no número razoável de efetivos”, explica.

    As contratações temporárias surgem como uma oportunidade para quem ficou meses sem trabalho
    As contratações temporárias surgem como uma oportunidade para quem ficou meses sem trabalho | Foto: Divulgação

    Ao avaliar o cenário de contratos provisórios, o economista Sostenes Farias esclarece que esse é um momento para aproveitar a oportunidade de vendas tanto para patrão, como para quem está sendo contratado. “Isso reflete a necessidade que os empresários sentem para suprir as demandas no atendimento ao público, seja no presencial ou no virtual. É um escape tanto para as empresas como para os trabalhadores que, embora temporários, muitas vezes, se transformam em efetivos.”

    Ainda conforme Farias, a Lei Trabalhista para esse segmento de mão-de-obra ampara por até seis meses de contratação, com direito a prorrogação por mais três meses. “O ideal, no entanto, é que essas vagas abertas fossem de contratação efetiva, pois, embora as necessidades sejam apenas para o momento do Natal, o certo seria termos ocupações por mais tempo numa economia sempre evolutiva, de avanços nos negócios. Mas, temporárias ou não, não devemos deixar de reconhecer esse sopro para a vida de muitos trabalhadores”, explana.

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