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    Projeções


    Segundo especialistas, economia do Amazonas será prejudicada em 2021

    Com a previsão do aumento da taxa básica de juros, economistas preveem maior inflação para o próximo ano, principalmente no preços dos alimentos

     

    Com a alta na exportação, produtores devem preferir o mercado externo, aumentado ainda mais o valor dos alimentos
    Com a alta na exportação, produtores devem preferir o mercado externo, aumentado ainda mais o valor dos alimentos | Foto: Brayan Riker

    Manaus – O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2020 mantém alta de 4,39%. Em novembro, esse valor estava em 3,54%. Para 2021, a projeção também registrou aumento, passando de 3,34% para 3,37%, segundo dados do Banco Central (BC), divulgados nesta semana. Diante do quadro inflacionário, gerado pela crise pandêmica, economistas acreditam que as projeções para a economia do Amazonas serão negativas para o próximo ano. 

    A previsão do BC para 2022 e 2023 permaneceu a mesma de quatro semanas atrás, em 3,50% e 3,25%, respectivamente. Com a taxa básica de juros, a Selic, que se manteve 2% ao ano desde agosto, a projeção é que aumente no ano que vem, de 3% para 3,13% ao ano.

    Segundo o Ministro da Economia, Paulo Guedes, em um evento online organizado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) em novembro, é possível que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha alta de 3,2% em 2021. "O Brasil deve voltar a ter crescimento para 3%, 3,5%, podendo chegar a 4% ano que vem”, prevê.

    Já para o presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon), Francisco Mourão Junior, o cenário econômico para 2021 não será dos melhores. Agregado às dificuldades nacionais, o Amazonas também enfrenta problemas para abastecer cidades, com diversas dificuldades logísticas. Em meio à crise sanitária, que ainda não tem previsão para acabar, a situação pode se agravar econômica e socialmente.

    “Tenho uma grande preocupação com o ano que vem. Provavelmente, teremos uma maior inflação e juros altos, provocados pelo câmbio e pela pressão sobre as commodities, principalmente de alimentos. Devido ao câmbio alto, o agricultor tem a opção melhor de preço para exportar, deixando de vender ao mercado interno. Com pouca oferta, a tendência dos preços é subir. Infelizmente, essa é a realidade”, lamenta o economista.

    Mourão também confirma o aumento da taxa básica de juros para o ano que vem, que pode dificultar o controle da inflação, desestimulando a produção e o consumo. “Devido a previsão desse aumento inflacionário, o BC avalia que o Brasil apresentará uma alta na taxa de juros, atualmente em 2% - com o menor patamar da história - com medidas essas para controlar a inflação”, pontua.

     

    A incerteza do controle da Covid-19 desestimula economistas a fazer previsão positiva para 2021
    A incerteza do controle da Covid-19 desestimula economistas a fazer previsão positiva para 2021 | Foto: Arquivo/Em Tempo

    “Nome sujo”

    O país já contava com dívidas antes da pandemia, a situação só agravou com os gastos para combater a Covid-19. De acordo com os dados coletados pelo economista Osíris Araújo, o setor público, com inclusão do Governo Federal, Estadual e Municipal, podem registrar um déficit primário de R$ 789 bilhões, ou seja, representando 10,93% do PIB em 2020.

    “Isso significa que as despesas do setor público, ampliadas fundamentalmente em decorrência das medidas para conter a pandemia de Covid-19, superarão em muito as suas receitas. A dívida bruta deverá fechar 2020 em 92,8% do PIB, o que pode prejudicar ainda mais a economia em 2021 no Brasil, mas também no Amazonas”, mostra seu levantamento.

    Taxa de desemprego

    A projeções são variáveis e se dividem em positivos e negativos. De acordo com a estimativa do Banco Safra, a taxa de desemprego para o novo ano deve ser menor, em 12%, enquanto a de 2020 está em 13,6%. Outras pesquisas mostram um aumento para 14,6%, que para a maioria dos especialistas aparece como um cenário mais fidedigno. 

    Em um cenário de incertezas, os economistas entrevistados apontam que o cenário pandêmico dificulta que projeções mais palpáveis sejam feitas. Segundo eles, a eficiência ou não da vacina, o fim do auxílio e o aumento da inflação são todos pontos que contribuem para a instabilidade financeira das famílias amazonenses, podendo diminuir ainda mais a taxa de ocupação no Estado. 

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