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    Dívidas


    Com 18,8% da população desempregada, famílias acabam endividadas no AM

    No Brasil, 66,3% das famílias estão endividadas; para agravar a situação, no Amazonas, a taxa de desemprego está em quinto lugar a nível nacional

     

    De acordo com a pesquisa, as famílias com renda de até 10 salários mínimos são as mais endividadas
    De acordo com a pesquisa, as famílias com renda de até 10 salários mínimos são as mais endividadas | Foto: Marcely Gomes

    Manaus – Com a taxa de 18,8% de desemprego no Amazonas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a escassez de recursos e o fim do auxílio, as dívidas aumentaram para a população. No Brasil, cerca de 66,3% das famílias estão endividadas, segundo dados de uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Economistas avaliam que as dívidas podem se estender até o final de 2021 e dão orientações de como os amazonenses devem proceder. 

    As informações do estudo, levantadas em dezembro de 2020, mostraram que de 66,3% de famílias endividadas, 25,2% se encontravam com dívidas em atraso e 11,2% não tinham como pagar. Em comparação com o mesmo período em 2019, o endividamento correspondia a 65,6%, com 24,5% em atraso e 10% em condições de não conseguir quitar a dívida.

    Com altas taxas de juros, o maior vilão da história é o cartão de crédito, com 79,4%, mostrando ter o maior percentual das dívidas acumuladas. Os carnês aparecem como o próximo da lista, em 16,5%, o financiamento de carro em 10,2%, o de casa em 9,3%, entre outros tipos de dívidas.  

    Segundo a economista Socorro Corrêa, o endividamento já estava alto e se agravou ainda mais com a crise da Covid-19. Ela diz que as maiores altas ocorreram entre abril e agosto, como mostra o estudo, coincidindo com o pico da primeira onda da pandemia no Brasil. No Amazonas, o desemprego elevado, o fechamento de negócios e até o falecimento dos provedores financeiros das famílias, são efeitos graves e afetam diretamente as finanças dos amazonenses.

    “Infelizmente, a segunda onda que atinge o estado, especialmente Manaus, vai agravar a situação e requer ajuda do poder público local para apoio às famílias com menor poder aquisitivo. O endividamento das famílias prejudica o setor empresarial, que por sua vez, em crise, provoca mais desempregos”, analisa Socorro.

    Já para o economista Origenes Martins, com o auxílio emergencial no ano passado, o percentual de inadimplentes deveria ser menor, pois houve uma ajuda inesperada. “O ano de 2020 foi marcado por um número expressivo de inadimplência. Quando iniciou o programa de auxílio emergencial, se esperava que houvesse uma diminuição no volume de dúvidas, porém, o que se viu foi um aumento considerável no consumo”, revela.

     

    Segundo o economista Martins, os níveis de inadimplência deverão continuar altos até o final do ano
    Segundo o economista Martins, os níveis de inadimplência deverão continuar altos até o final do ano | Foto: Bruna Oliveira

    Desemprego no AM

    O desemprego aumentou com os negócios que tiveram que se adaptar, diminuindo o quadro de funcionários, por conta da pandemia. De acordo com a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada em dezembro de 2020, o Amazonas representava 18,8% do índice de desocupação no país, sendo quinta maior taxa a nível nacional. Em maio de 2020, o estado amazonense ocupava o 10º lugar, com 14,5%. “Ou seja, o desemprego pulou de 14,5% para 18,8% em decorrência da pandemia”, explica Socorro.

    Além disso, a taxa de pessoas ocupadas que trabalhavam na informalidade no Amazonas, em novembro, foi de 52,2%, o equivalente a 709 mil trabalhadores. O número significa que mais da metade dos trabalhadores amazonenses são informais.

    A crise terá fim?

    Esse é um questionamento que muitos fazem todos os dias. No entanto, a economista prevê que esse anseio não será uma realidade tão rápida, dependendo da capacidade em lidar com o colapso.

    “O retorno da economia não acontece em dias. Primeiro, será necessário ‘dominar o vírus’, controlar as contaminações. Com a saúde pública estabelecida, os setores público e privado deverão traçar estratégias para a superação da crise. O tempo vai depender do tamanho das intervenções e da agilidade com que isso acontecerá”, afirma Socorro.

    Martins acredita que paralisar as atividades econômicas no estado foi necessário. Para ela, com a chegada da vacina, o futuro também dependerá do comportamento dos amazonenses. “O que vai determinar o tempo de recuperação econômica será a atitude da população. Caso haja, a consciência de não repetir a irresponsabilidade anterior, podemos ter uma volta ao crescimento a partir do segundo trimestre deste ano”, avalia o economista.

    Possíveis soluções

    Os economistas Socorro e Martins listaram algumas dicas para organizar as finanças:

    1. De urgência, é importante priorizar o pagamento integral do cartão de crédito, pois o juro é muito alto, em média de 490% ao ano. Parcelar ou renegociar só estenderá a dívida; 

    2. Caso seja necessário, vender um imóvel para quitar a dívida do cartão de crédito pode ser necessário;

    3. Renegociar financiamentos que os juros sejam baixos;

    4. Encontrar um serviço autônomo, de preferência com vendas on-line por conta do isolamento, vai ajudar a ganhar um dinheiro extra e colocar o orçamento em dia;

    5. Cortar gastos, se ainda for possível, pode contribuir na conta final de cada mês;

    6. Fazer um planejamento racional dos gastos, na ponta do lápis, pode ser vital para controlar. Neste momento, onde a renda já diminuiu e a ajuda acabou, fica mais importante poupar.

    7. Priorizar os gastos pode ser bem difícil para muita gente, porém, é bastante necessário.

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