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    Pequenos negócios


    Conheça microempreendedores que se reinventaram na pandemia em Manaus

    De janeiro a setembro de 2020, houve um crescimento de 44% no número de abertura de empresas para Microempreendedores Individuais (MEI) no Amazonas

     

    Tapetes personalizados com a foto do pet do cliente é um dos empreendimentos inovadores na capital amazonense
    Tapetes personalizados com a foto do pet do cliente é um dos empreendimentos inovadores na capital amazonense | Foto: Divulgação

    Manaus – Com o desemprego e a crise financeira em decorrência da pandemia da Covid-19, novos empreendimentos surgiram na capital amazonense. De janeiro a setembro de 2020, houve um crescimento de 44% no número de abertura de empresas para Microempreendedores Individuais (MEI), no Amazonas - em comparação com mesmo período de 2019 - segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Amazonas (Sebrae). Economistas explicam o fenômeno e ensinam como registrar seu pequeno negócio.

    A microempreendedora Isabela Pimenta, 38, foi uma das que se reinventou durante a pandemia. Em um dia comum, ela utilizava uma de suas redes sociais quando viu um tapete personalizado sendo entregue na casa de uma celebridade. Ela achou tão interessante que decidiu saber mais sobre a fabricação do chamado capacho, tapete específico para a entrada de residências, comércios, empresas e escolas.

    Coordenadora de uma empresa de clipagem, com a crise econômica, ela precisou demitir dois funcionários e chegou a ter apenas um cliente. Com o aperto financeiro, Isabela teve um insight: por que não revender em Manaus? Começou a pesquisar sobre os capachos – desde a fabricação até a logística –, estudando todas as possibilidades para comercializar.

    “Procurei saber sobre tudo para revender aqui em Manaus, só que não tinha dinheiro para isso. Então, procurei a empresa que fabricava em São Paulo e falei do interesse em comercializar o produto, infelizmente eles foram frios. Um tempo depois, me ligaram e eu fui estudando a logística, comecei a ver tudo isso, assinei o contrato e comecei a vender. Vendi alguns para influenciadores, como a Vivian Amorim. Quando ela divulgou em sua rede social, não consegui atender todos, de tantos pedidos”, compartilha a empreendedora.

     

    O cliente pode escolher a imagem da impressão, como a foto do animal de estimação
    O cliente pode escolher a imagem da impressão, como a foto do animal de estimação | Foto: Divulgação

    Pimenta conta que os maiores pedidos são de fotos de pets - com frases e nome do animal de estimação impressos - apesar de vender bem os kits sanitizantes, com tapetes destinados a higiene dos sapatos. A maior divulgação do trabalho acontece pelas redes sociais, com clientes que identificam o Instagram de Isabela por meio de influenciadores digitais. Segundo ela, um cliente satisfeito traz outros três e, assim, a rede cresce.

    Quando o cliente chega, ela monta um esboço da encomenda e envia os pedidos e o que foi feito para o designer da empresa em São Paulo. O profissional responde com a arte e, então, o cliente faz a aprovação final antes do produto passar para a próxima fase – a da impressão.

    Por mês, a empreendedora chega a vender cerca de 70 tapetes, com o lucro líquido de R$ 3 mil, sem abater o frete e algumas despesas, como os dois moto-taxistas que fazem as entregas para os clientes em Manaus. Ela também vende para outras cidades no Amazonas.

     

    O cliente tem a opção de escolher estampas de séries ou frases
    O cliente tem a opção de escolher estampas de séries ou frases | Foto: Divulgação

    Apesar do sucesso imediato, quando começou a revender em outubro de 2020, Isabela enfrentou dificuldades para a mercadoria chegar, por conta da logística difícil do estado, somado aos problemas de transporte gerados pela própria pandemia. “Pela logística, os produtos demoram um mês para chegar. Mesmo com as transportadoras eficientes, renomadas, o desafio é acentuado pela pandemia, inclusive para liberar o avião cargueiro. Eu poderia vender o dobro se não fosse a demora, que atrasa não só para mim, mas também para os colegas”, revela.

    Ramo alimentício

    Assim como Isabela, a professora Rosiméri Reis, 55, percebeu que era hora de se recriar. Mesmo com a formação pedagógica, decidiu empreender. Ela começou a receber encomendas de bolo vez ou outra e os clientes que gostavam, indicavam aos amigos, o que fez sua rede de consumidores aumentar com o tempo.

    A partir dos bolos caseiros, ela passou a se aperfeiçoar em bolos de aniversário, pães caseiros, salgados e requeijão - tudo produzido em casa - com o diferencial de receitas mais saudáveis, sem farinha de trigo, lactose e açúcar. Ao pesquisar as possibilidades e necessidades do mercado em sua região, o negócio foi crescendo e o que representava uma renda extra, passou a ser a principal fonte financeira de Rosiméri.

     

    Rosiméri produz bolos sem farinha de trigo, açúcar e até sem lactose
    Rosiméri produz bolos sem farinha de trigo, açúcar e até sem lactose | Foto: Divulgação

    “Trabalho sozinha, procuro me organizar, planejar e executar de forma eficaz, de maneira que eu possa atender a clientela. Vi que seria ótimo fazer uma renda extra, pois na minha área de formação  não surgia nenhuma convocação, então lembrei do meu curso em confeitaria. Fui pesquisando, quando me deparei com uma das necessidades da sociedade que vem crescendo, a de desenvolver alimentos mais saudáveis”, conta Rosiméri.

    Mesmo com o pequeno negócio de delícias caseiras há uns três anos, ela viu na pandemia uma oportunidade também para vender mais no condomínio onde mora, na Zona Leste de Manaus. No entanto, ela ainda se depara com alguns desafios convencionais de quem decide ser seu próprio patrão.

    “Entre todos os desafios, o mais complexo é de dar valor ao produto que repassamos para o cliente, diante do desemprego por conta da pandemia, com muitos manauaras sem trabalhar. Ou seja, é preciso saber precificar o produto para o cliente, de forma que o mesmo possa pagar. E também faço a entrega. Não é fácil, fazer os lanches e ainda me organizar para atender e entregar”, desabafa.

     

    Os bolos caseiros também têm boa saída no condomínio onde mora, na Zona Leste de Manaus
    Os bolos caseiros também têm boa saída no condomínio onde mora, na Zona Leste de Manaus | Foto: Divulgação/Rosiméri Reis

    Apesar dos percalços, Rosiméri se diz satisfeita com o seu negócio e admite não querer retornar para a sala de aula ou outra função na área educacional. Além da indicação dos próprios clientes fixos, ela divulga os bolos por uma rede social.  

    Driblando a crise

    Para o economista Origenes Martins, empreender é uma boa estratégia para driblar a crise financeira gerada pela pandemia. “O comércio individual passou a ser uma opção fundamental para enfrentar o momento atual. Não é à toa que o número de registros de MEIs subiu de forma bem substancial no estado”, consta.

    Mesmo com a oportunidade, o economista instrui que é preciso buscar um produto diferente ou, mesmo que já exista o mesmo no mercado, precisa ter um diferencial para atrair o cliente e até iniciar um mercado específico com grandes possibilidades de lucro e expansão, com a compreensão do público-alvo.

    Martins ainda mostra que o mercado de alimentação é o mais procurado para enfrentar o desafio com retorno mais rápido, até pelas restrições legais que a pandemia impõe. Com isso, pode-se aproveitar para preparar os pratos em casa e o serviço delivery para vender na casa do cliente.

    Como formalizar um negócio?

    Ao montar o pequeno negócio, o microempreendedor pode ter algumas dúvidas sobre o procedimento e o processo burocrático. No entanto, a economista e gerente de gestão estratégica do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Amazonas (Sebrae), Socorro Corrêa, afirma que o processo é simples e ainda explica o passo-a-passo para facilitar a vida de quem quer empreender ou que já empreende e não está registrado.

    “Vamos supor que uma pessoa já saiba em que ramo quer atuar, tem o local onde vai funcionar, se orientou sobre as obrigações com tributos, declaração de renda, entre outros quesitos e está decidida a registrar o negócio. O primeiro passo é ir para o site”, detalha Socorro.

    Após abrir o Portal do Empreendedor do Governo Federal, basta clicar no ícone 'formalize-se', ser direcionado para uma nova página, que abrirá informações como quais as atividades permitidas, obrigações e direitos. A gerente do Sebrae aconselha ler todas as orientações com atenção.

    Ao concluir a leitura, basta clicar novamente em 'formalize-se'. Será aberto o acesso para o registro dos dados. Para dar a sequência, o empreendedor precisa preencher os dados, com informações do endereço da residência, CPF, a atividade principal do negócio e as secundárias, se preferir. “O sistema é intuitivo, é só ir preenchendo os dados, conferir com atenção e enviar”, garante Socorro.

    Porém, antes preencher o formulário, é preciso solicitar um cadastro na conta única para acesso aos portais do Governo Federal. Caso haja dúvida, basta o cliente entrar em contato com o Sebrae 0800 570 0800.

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