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    Comércio


    Carnaval 2021: falta de renda extra preocupa comerciantes no AM

    Em meio à pandemia, a suspensão do carnaval impediu que empreendedores do Amazonas aproveitassem o feriado para investir e buscar uma renda complementar

     

    Em 2019, 78% dos comerciantes do setor de festas pretendia expandir ainda mais no ano seguinte, mas foram abalados pela pandemia
    Em 2019, 78% dos comerciantes do setor de festas pretendia expandir ainda mais no ano seguinte, mas foram abalados pela pandemia | Foto: Divulgação/Secom

    ManausEm 2021, devido a pandemia da Covid-19, o feriado de carnaval foi oficialmente cancelado em vários estados do país, incluindo o Amazonas. Apesar de ocorrer normalmente no ano passado, nos meses seguintes, comerciantes e empreendedores já começaram a se preocupar em como a pandemia iria afetar sua renda no ano que estava por vir.

    O estudante Elias Mariano, de 22 anos, começou a empreender em 2019, produzindo tiaras, blusas customizadas e brincos típicos para o carnaval amazonense. Ele conta que seus itens foram um sucesso na época, o que lhe permitiu repetir o feito em 2020 e garantir um faturamento extra. “Nesse período eu trabalhava em uma loja de construção e recebia R$ 150 por semana. Na primeira vez tive que investir duas semanas de trabalho e tive um retorno de 100%”, relembra.

     

    O estudante produzia itens sob encomenda
    O estudante produzia itens sob encomenda | Foto: Divulgação

    No ano passado, as vendas de Mariano foram ainda maiores, chegando até mesmo a outros estados do país. E mesmo com os primeiros indícios da pandemia, em março daquele ano, ele ainda esperava que a crise sanitária não afetasse seus trabalhos futuramente.

    Segundo o estudante, ao perceber o aumento de casos no segundo semestre do ano, suas esperanças foram se esvaziando. “Já tinha até parte do material para produzir mais para 2021, queria me preparar, mas quando os casos começaram a aumentar, comecei a ficar preocupado e depois acabei desistindo”, finaliza ao dizer que sentirá falta desse dinheiro, principalmente agora que está desempregado.

     

    Segundo Mariano, seu retorno foi de 100%
    Segundo Mariano, seu retorno foi de 100% | Foto: Divulgação

    Assim como Mariano, a jornalista Lohany Lopes, de 25 anos, também decidiu empreender durante a festividade. Em 2019, começou a vender dindins alcoólicos nos blocos da cidade. “Foi um sucesso! Conseguimos faturar além do previsto, sendo de 100% acima do valor gasto nos materiais. Os clientes se animavam bastante, pois o produto tinha uma boa aparência e qualidade, além de cumprir com o objetivo de deixá-los mais alegres”, declara.

     

    Lopes conta que muitos veem o carnaval como uma grande oportunidade para ajudar na arrecadação
    Lopes conta que muitos veem o carnaval como uma grande oportunidade para ajudar na arrecadação | Foto: Divulgação

    Lopes conta que muitos veem o carnaval como uma grande oportunidade para ajudar na arrecadação. Para ela, levando em conta a crise econômica vivenciada no Amazonas, qualquer renda adicional é capaz de ajudar, de forma efetiva, diversos trabalhadores. “Muitas pessoas autônomas, que dependem da grana complementar gerada pelo carnaval, estão sofrendo, e é muito triste e desanimador não termos essa época, tanto para festejar quanto para faturar”, salienta.

    Artigos de festas e eventos

    Além dos empreendedores que trabalham especialmente durante o carnaval, o comércio voltado para artigos de festas e celebrações presenciais foi um mais impactados pela pandemia do novo coronavírus. 

    Segundo dados da Associação Brasileira de Eventos (Abrafesta), o mercado de festas e cerimônias movimentou R$ 17 bilhões no Brasil, em 2017, com crescimento constante e ótimas expectativas para 2020. De acordo com pesquisa feita pela Eventbrite, em 2019, 78% pretendia expandir ainda mais no ano seguinte. Já em abril de 2020, um levantamento feito pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostrou que 98% das empresas desse segmento sentiram os efeitos severos da crise.

    Um grande exemplo, em Manaus, foi uma loja de fantasias e artigos de festas, localizada na zona Norte, que fechou as portas no ano passado. “Eu trabalhava com isso há 16 anos, mas tive que fechar, já que não estou com encomendas. O que fiz nessa pandemia foram somente máscaras”, conta a proprietária Lucélia de Sales.

    O empreendimento de Sales segue fechado desde a primeira onda da Covid-19 na capital amazonense. A comerciante afirma jamais ter imaginado a possibilidade de uma pandemia acontecer e afetar de forma tão intensa o mundo. “Para mim foi um susto, nunca imaginei que uma doença pudesse causar tudo isso”, desabafa. 

    Incerteza

    Segundo o presidente em exercício da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas (Fecomércio-AM), Aderson Frota, vários setores comerciais foram afetados pela pandemia. “Janeiro e fevereiro são meses bons normalmente, por conta das férias e do carnaval, então esperávamos que março fosse bom, mas acabou sendo o pior”, revela.

     

    Frota explica que o meio empresarial segue preocupado com a incerteza econômica que a crise sanitária representa
    Frota explica que o meio empresarial segue preocupado com a incerteza econômica que a crise sanitária representa | Foto: Divulgação

    Frota explica que o meio empresarial segue preocupado com a incerteza econômica que a crise sanitária representa para o novo ano, principalmente com o aumento de casos e a necessidade de restringir a circulação de pessoas nas ruas do Amazonas.

    “Ano passado tivemos ajuda do governo com um maior prazo para pagamento de tributos, flexibilização trabalhista, jornada reduzida e auxílio emergencial. Em 2021, estamos inquietos”, ressalta e reafirma que, caso a pandemia não seja controlada, o Brasil - e consequentemente o Amazonas - enfrentarão grandes “ondas de desemprego e crise social”, finaliza.

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