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    Construção civil


    Construção civil é impactada por aumento de 100% no preço de insumos

    De acordo com o Sinduscon, o preço do cimento chegou a aumentar 40%, o do aço 50% e o PVC disparou como o produto mais caro de todos, aumentando 80%

     

    Embora os insumos estejam hiperinflacionados, a mão de obra permanece estável
    Embora os insumos estejam hiperinflacionados, a mão de obra permanece estável | Foto: Divulgação

    Manaus – Com mais pessoas trabalhando em home office, por conta da pandemia da Covid-19, houve um aumento na aquisição de imóveis e reformas residenciais no Amazonas. Em decorrência da alta demanda, os insumos para a construção civil subiram numa escala maior que a inflação, com aumento de 100% no 4º trimestre de 2020, segundo o levantamento do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Amazonas (Sinduscon). O presidente do sindicato revela que o desabastecimento de materiais e o aumento nos preços impactam o mercado imobiliário, principalmente os contratos do programa Casa Verde e Amarela.

    No período citado, a pesquisa do Sinduscon apontou que o preço do cimento chegou a aumentar 40%, o do aço 50% e o PVC disparou como o produto mais caro de todos, aumentando 80%. Em dados gerais, a cesta de insumos do setor da construção civil apresentou, em média, aumento de 15 a 20% no estado.

    Para o presidente do sindicato, Frank Souza, a alta no valor dos insumos pegou todos de surpresa, pois esperavam uma estabilidade em novembro de 2020. O representante afirma que boa parte dos fornecedores da cadeia do setor retornaram com os níveis normais de produção e até ampliaram a base produtiva.

    Embora os insumos estejam hiperinflacionados, a mão de obra permanece estável, correspondendo a inflação esperada de 49% da formação de preço final do m² construtivo. No entanto, quando forem calculadas as despesas da mão de obra com o material, existirá um aumento em torno de 15%, desproporcional à inflação.

    Maiores desafios

    Segundo Souza, o maior desafio do Amazonas é possuir a logística mais cara da região Norte, uma vez que os materiais são importados de outras regiões do país, com gastos que vão além da tabela de preços do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi).

    Outra problemática, de acordo com o presidente, se refere aos contratos estabelecidos pelo programa do Governo Federal, Casa Verde e Amarela. Como o projeto habitacional representa de 85% a 90% da produção imobiliária em Manaus, esses valores precisam ser revisados e reajustados. Caso contrário, existe o risco de haver um número menor de lançamentos do que o previsto.

    Além dos problemas na logística e do acréscimo no preço dos insumos, os reajustes constantes da Petrobras, tanto nos valores petróleo como do diesel e da gasolina, tornam o cenário da construção civil ainda mais instável. Vale lembrar que, só em janeiro, a refinaria alterou três vezes o preço do diesel e quatro vezes o da gasolina.

     

    Em dados gerais, a cesta de insumos do setor da construção civil apresentou, em média, aumento de 15 a 20% no estado
    Em dados gerais, a cesta de insumos do setor da construção civil apresentou, em média, aumento de 15 a 20% no estado | Foto: Divulgação

    De acordo com o presidente do Sinduscon, a alta do petróleo é mais um agravante para o aumento no preço dos insumos, justamente porque atinge diretamente o ramo da construção. “A nossa grande preocupação para 2021 é o aumento dos juros, porque quando começa a gerar inflação no mercado, automaticamente todos os setores são influenciados, desde o transporte de pessoal, até o asfalto, que é baseado em um derivado de petróleo. No meu entendimento, vai levar um tempo para gerar um equilíbrio nesse sentido, pois ainda temos preços subindo, como do aço, por exemplo”, salienta Souza.

    Mesmo assim, para 2021, o presidente prevê um crescimento no setor, com melhores resultados dos que foram apresentados no ano anterior. Segundo Souza, essa espera se baseia na busca da população amazonense por adquirir imóveis. "As pessoas estão procurando melhorar suas residências, que também se tornaram o local de trabalho para aqueles ainda estão em home office", anseia. 

    Obras na segunda onda

    O Sinduscon realizou uma pesquisa com 12 empresas associadas ao setor no Amazonas sobre como funcionaram os canteiros de obras durante a pandemia em 2020 e no início de 2021, com a chegada da segunda onda do novo coranavírus no estado. Dos 34 canteiros em funcionamento, apenas um teve sua obra paralisada no período. Em relação as obras, a maioria em andamento se encontra em Manaus e algumas em Anori, Coari e Silves, no interior.

     

    Dos 1.299 contratados por essas 12 empresas, 111 foram afastados por motivo de saúde
    Dos 1.299 contratados por essas 12 empresas, 111 foram afastados por motivo de saúde | Foto: Divulgação

    Dos 1.299 contratados por essas 12 empresas, 111 foram afastados por motivo de saúde, por estarem dentro dos grupos de risco da Covid-19 ou com sintomas da doença. Dessa forma, apenas 8% dos trabalhadores foram afastados. No total, foram 205 casos suspeitos, 120 confirmados e dois óbitos por contaminação. 

    Dados nacionais

    Segundo pesquisa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), através dos Indicadores Imobiliários do 4º trimestre de 2020, o setor encerrou 2020 com uma queda de 17,8% no número de lançamentos em comparação com o mesmo período em 2019. Porém, houve um crescimento de 9,8% no número de apartamentos vendidos.

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