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    Comércio


    Na primeira semana de reabertura, comércio tem baixo faturamento

    Em Manaus, comerciantes revelam que as vendas ficaram abaixo da expectativa, com apenas 30% do que foi faturado na reabertura em 2020

     

    Com o novo decreto Governo estadual, os serviços não-essenciais, fechados desde o dia 4 de janeiro, voltaram a funcionar na segunda-feira (22)
    Com o novo decreto Governo estadual, os serviços não-essenciais, fechados desde o dia 4 de janeiro, voltaram a funcionar na segunda-feira (22) | Foto: Brayan Riker

    Manaus - Há uma semana da flexibilização do comércio em Manaus, com horário restrito das 8h às 15h, a circulação de pessoas ficou aquém do esperado. Em janeiro deste ano, o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) apresentou queda de 83,9% em comparação com o mesmo período de 2020, segundo dados da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas (Fecomércio-AM). Representantes do setor e comerciantes afirmam que a movimentação e as vendas foram baixas em relação a reabertura que ocorreu no ano anterior.

    Com o novo decreto Governo estadual, os serviços não-essenciais, fechados desde o dia 4 de janeiro, voltaram a funcionar na segunda-feira (22). No entanto, desde o final do ano passado, o comércio vem sendo atingido por fechamentos em dias pontuais, como no dia 26 de dezembro e, já em 2021, no dia 1º de janeiro.

    Essas mudanças constantes acabam gerando incertezas para os comerciantes, que se preparam com antecedência para as vendas de fim e início de ano. Para o proprietário de uma loja de vestuário no centro de Manaus, Omar Ibrahim, 24, as perdas foram grandes nesse período. “Com o fechamento, as contas ficaram. Tentamos migrar para o sistema online, porém, o faturamento correspondeu a 20% do rendimento presencial, então só deu para pagar as despesas de manutenção do estabelecimento, como aluguel, água, energia elétrica e telefone”, desabafou. 

    Ibrahim ainda explicou que os lojistas fazem um investimento pesado na compra de mercadorias no final de cada ano para conseguir atender a demanda nos períodos festivos e ir parcelando o pagamento aos fornecedores na medida em que os produtos são vendidos para a clientela. Porém, neste ano, essa saída não ocorreu.

    O proprietário ainda comparou essa volta das atividades comerciais em 2021 com a do ano anterior, após o comércio manauara ficar 100 dias paralisado. “O comércio está bem devagar. As pessoas estão sem dinheiro e priorizando gastos com produtos realmente essenciais. Houve uma queda vertiginosa em relação ao ano passado. Estamos vendendo o equivalente a 30% do que vendemos em 2020, quando houve a primeira reabertura e a população estava com o auxílio emergencial em mãos”, esclareceu Ibrahim.

     

    O proprietário ainda comparou essa volta das atividades comerciais em 2021 com a do ano anterior, após o comércio manauara ficar 100 dias paralisado
    O proprietário ainda comparou essa volta das atividades comerciais em 2021 com a do ano anterior, após o comércio manauara ficar 100 dias paralisado | Foto: Arquivo EM TEMPO

    Impressão semelhante sobre a volta do comércio tem o proprietário de 14 lojas no ramo de confecções em Manaus, Firas Munir, 27. O empresário contou que as vendas na primeira semana ficaram bem abaixo das expectativas e que praticamente todo o estoque do final de ano está estacionado, já que a mercadoria é vendida em janeiro e fevereiro.

    Mesmo com os prejuízos nas vendas, o pagamento dos fornecedores e as despesas para manter as lojas tiveram que ser quitados, incluindo os impostos. Segundo Munir, será difícil que o segmento comercial se recupere tão cedo na capital amazonense. “A recuperação das perdas de janeiro e fevereiro serão difíceis, mas estamos trabalhando para isso. O comércio não pode continuar a ser o bode expiatório do processo de contaminação da Covid-19”, salientou.

    Comércio não é o vilão

    ­De acordo com o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas (Fecomércio-AM), Aderson Frota, foi necessário diálogo e compreensão para a reabertura do comércio em Manaus, pois o ramo era visto como o maior vilão em relação a disseminação no novo coronavírus. Segundo Frota, o aumento no número de casos está associado à aglomerações e festas clandestinas no final de ano.

    O presidente da Fecomércio ressaltou que o setor é responsável por contribuir diretamente no equilíbrio econômico das famílias e da sociedade no estado. “Fomos conversando, mostrando que não somos os ocasionadores desse colapso. Aproximadamente 95% dos comércios não geram aglomeração. Estamos colocando em risco os estabelecimentos comerciais. É essa atividade que atende a população e é a maior empregadora do Amazonas, com mais de 300 mil trabalhadores. O segmento precisa ser respeitado e apoiado, porque é triste ver o povo desempregado”, afirmou.

    Para as próximas semanas, Frota relatou que espera que as restrições diminuam, pois a reabertura foi marcada pelo desabastecimento e pelo período chuvoso, que atrapalha diretamente as vendas. Para ele, uma recuperação como a do ano passado é possível. “Em 2020, quando houve a reabertura de todos os setores, o comércio foi o que mais cresceu e contribuiu para os cofres com os impostos, chegando a 54% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS)”, destacou.

    Segundo o presidente da Câmara de Dirigentes e Lojistas de Manaus (CDL), Ralph Assayag, é difícil prever o reestabelecimento do setor em 2021, neste momento, quando a observação acontece diariamente e as decisões são diferentes a cada semana. Sobre as consequências do período, Assayag revelou que foram as piores, com demissões, queda de faturamento e perda de capital de giro.

    Mesmo com os resultados negativos, Assayag transmitiu alívio pelo retorno. "Dá um pouco mais de ânimo saber que voltamos. Temos conhecimento que as vendas estão fracas por conta da chuva e do horário reduzido, que atrapalham muito, mas o empresário já pode pensar com mais tranquilidade”, finalizou.

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