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    Desenvolvimento


    Projeto Amacro promete solucionar problemas socioeconômicos no AM

    A partir de estratégias sustentáveis, como a bioeconomia, a nova iniciativa pretende melhorar a vida social e econômica em 32 municípios entre o sul do Amazonas, noroeste de Rondônia e leste do Acre

     

    No local há 80% de floresta coberta e 43% dos municípios possuem baixo IDH
    No local há 80% de floresta coberta e 43% dos municípios possuem baixo IDH | Foto: Divulgação

    Manaus – Por meio do desenvolvimento sustentável, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) se uniram com outras instituições para trazer soluções para os problemas socioeconômicos da região da Amazônia localizada no sul do Amazonas, noroeste de Rondônia e leste do Acre. Nesse local há 80% de floresta coberta e 43% dos municípios possuem baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Para os economistas, se tiver constância, o denominado Projeto Amacro pode melhor o cenário econômico em todo o estado. 

    A iniciativa estabelece a Zona de Desenvolvimento Sustentável dos Estados do Amazonas, Acre e Rondônia (Amacro) e pretende gerar respostas aos desafios existentes nessa região que envolve os três estados. O projeto atingirá 32 municípios, localizados no sul do Amazonas, leste do Acre e noroeste de Rondônia, com a extensão total de 454.220 km² e uma população de 1,7 milhão de pessoas.

    Segundo a superintendente da Sudam, Louise Caroline Campos Löw, a proposta ainda não conta com um porta-voz, uma vez que está sendo estruturada por diversos órgãos e instituições parceiras, unindo as competências de cada segmento para suprir as necessidades da região, sendo as principais: logística, desenvolvimento produtivo e infraestrutura urbana.

    Uma das sugestões mais relevantes até o momento - que tem a intenção de gerar renda para a população e, ao mesmo tempo, preservar o ambiente e a floresta - está voltada para a bioeconomia, modelo que objetiva ser focado na utilização de recursos de base biológica, recicláveis e renováveis, ou seja, mais sustentáveis.

     

    O projeto atingirá 32 municípios, localizados no sul do Amazonas, leste do Acre e noroeste de Rondônia
    O projeto atingirá 32 municípios, localizados no sul do Amazonas, leste do Acre e noroeste de Rondônia | Foto: Divulgação/O Eco

    A responsável pela Sudam garante que a iniciativa não será apenas teórica, mas que realmente fará a diferença na vida da população. “O projeto nasceu há alguns anos, nos próprios estados. Depois, os órgãos foram convidados a fazer parte e a ideia foi florescendo. [...] Não é só um projeto teórico e bonito, e nem que pensa só no econômico e no ambiental, mas sim na junção de ambos os aspectos. Queremos realmente ajudar e resolver os problemas, um deles é o Povoamento Adensado da região da Amazônia Legal”, detalha Löw.

    Além desse adensamento na região da Amazônia Legal, que corresponde a 61% do território brasileiro e onde se encontra todo o bioma do país, o projeto idealiza resolver a pressão sob a floresta amazônica. Löw alerta para o tema, pois segundo ela, caso não haja uma intervenção, pode-se ter uma perda dessa área de cobertura, que representa 80% da região atualmente.

    Nesse contexto, a preservação da floresta deve acontecer sem comprometer a qualidade de vida da população presente nessa região. “Queremos fazer um cinturão de proteção nessa área, mas gerando alternativas para a população. Incluir as pessoas na pauta da floresta, que precisa de logística, saneamento. Então, a ideia é trazer alternativas de crescimento para as pessoas dalí”, esclarece a superintendente.

    Desenvolvimento

    Para alcançar os objetivos de desenvolvimento sustentável, algumas ferramentas a serem usadas envolvem Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e Capacitação. Em segmentos como o do Turismo, a intenção é verticalizar, levando opções que vão além de visitações à floresta, mas que aprofundam-se em contextos históricos, como por exemplo museus e passeios culturais e gastronômicos. 

    Depois de estabelecida, a Amacro deve servir de exemplo, como projeto-piloto, para outras regiões. Das quais vale destacar o Alto Solimões, Marajó e a Transamazônica. De acordo com o superintendente da Suframa, general Algacir Polsin, o Amazonas como um todo só tende a ganhar com a iniciativa.

    “Os benefícios do projeto prometem ser inúmeros, desde melhores condições de vida para a população até benefícios socioeconômicos, já que pretendemos chamar para a região diversos outros retornos econômicos. Nesse sentido, destaco a importância da bioeconomia, com as novas resoluções da Suframa, de empreendedorismo e de pesquisas [...] Os eixos temáticos vão desde a área da saúde até energias renováveis, entre outros”, salienta Polsin.

    Atraso nos planos

    O economista Wallace Meirelles vê a alternativa como proveitosa e muito relevante para o estado. No entanto, critica o atraso de planos como esse a nível nacional e local, visto que projetos assim também existem em outras regiões. “A gente precisa, de fato, de um plano de desenvolvimento sustentável. Estamos no século 21, isso já é executado em vários lugares do mundo, porém, no Brasil, tivemos alguns retrocessos. Sem plano nacional estamos à deriva e da mesma forma a nível regional. Caso seja implementado e tenha uma constância, esse projeto irá realmente contribuir”, elucida.

    Meirelles ainda ressalta que os problemas da Amazônia são estruturais, que demandam ações a longo prazo. Por isso, espera que a Amacro atinja essas necessidades pelo menos nessa região entre os estados. De acordo com a Suframa, o projeto oficial será lançado nos dias 19 e 20 de abril deste ano, por meio de um encontro virtual que trará informações ainda mais detalhadas.

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