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    Economia brasileira


    No Norte, 66% da população não acredita em uma recuperação econômica

    Pesquisa da Febraban demonstra que mais da metade da população nortista não acredita que o Brasil irá se recuperar economicamente em 2021

     

    Os prognósticos sobre desemprego e inflação também são predominantemente negativos
    Os prognósticos sobre desemprego e inflação também são predominantemente negativos | Foto: Arquivo EM TEMPO

    Manaus - Por conta da pandemia da Covid-19 e de suas consequências financeiras, mais da metade (66%) dos habitantes da região Norte do Brasil acredita que a recuperação econômica só irá ocorrer a partir de 2022 no país. Os que acreditam que essa recuperação acontece ainda este ano somam menos de um terço da população.

    Os dados foram reunidos na nova pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que a entidade e o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) lançam este mês, com um levantamento realizado entre 3 mil pessoas, maiores de 18 anos, em todo o Brasil, durante a primeira semana de março de 2021. 

    "Durante a pandemia, o papel do setor financeiro transcendeu, em muito, nossas atividades. Além de 3,5 trilhões de reais que foram concedidos para o crédito, participamos de movimentos solidários que permitiram a milhões de pessoas enfrentarem melhor este momento. Estamos falando mais com a sociedade porque para melhor atendê-la é preciso ouvi-la cada vez mais", diz João Borges, diretor de Comunicação da Febraban. 

    Segundo a pesquisa Radar Febraban, 49% dos entrevistados no Norte acreditam que a situação das finanças das famílias só deve melhorar no próximo ano. No país, esse índice é de 54%, demonstrando um maior otimismo na região. Os nortistas que acreditam na recuperação ainda em 2021 representam 29%, contra uma média nacional de 23%. Analisando a economia, ainda no Norte, 66% pensam que o Brasil não demonstrará recuperação econômica este ano. Em relação aos dados nacionais, esse índice atinge 75%. 

    Os prognósticos sobre desemprego, acesso a crédito, taxa de juros, inflação e poder de compra da população nortista também são predominantemente negativos: 70% acham que o desemprego vai crescer, a mesma média da pesquisa nacional. Outros 73% preveem o aumento da inflação e do custo de vida (80% é a média nacional); também 73% dos entrevistados acreditam que a taxa de juros vai aumentar (76%, nacional); e 55% vislumbram a diminuição do poder de compra das pessoas (64%, nacional).

    "A crise de saúde provocada pela pandemia atingiu em cheio a economia global, e com especial impacto no Brasil, que já vinha tentado se reerguer após sucessivos anos de baixo crescimento. Grande parte das famílias têm ou teve que conviver por um longo período com perdas financeiras, esvaziamento das reservas, redução salarial, desemprego. Diante de tantas dificuldades enfrentadas, não é de estranhar o pessimismo quanto à recuperação financeira das pessoas e do país", avalia o cientista político e sociólogo Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do Ipespe.

    Pix é aprovado pela maioria

    Após 90 dias de uso, o Pix está aprovado pelos usuários que o utilizam para transferências e outras operações bancárias. O Radar Febraban detectou também uma boa avaliação dos bancos entre a população neste período de pandemia. Além da expressiva satisfação dos usuários com o Pix, a pesquisa identificou que, mesmo com o avanço dos hábitos online, a maioria das pessoas se sente pouco ou nada segura em relação ao uso dos seus dados pessoais na internet.

    No Norte, em questão de múltiplas respostas, 46% disseram ter feito transferência bancária através do Pix; 38% o utilizaram para fazer pagamento; 33% recebem pagamentos com ele e 32% contaram com a ferramenta para receber transferências. A nota média atribuída ao Pix na região é de 9,1, acima da nota média nacional, que atinge 8,9. Uma parcela de 35% afirma não ter usado o Pix (abaixo da média nacional, que é de 38%).

    Segundo o levantamento, a confiança da população nortista nos bancos em meio à crise e a percepção sobre sua contribuição nas diversas áreas é majoritariamente positiva: 57% afirmaram confiar nas instituições bancárias (igual à média nacional). Também foram avaliados os níveis de confiança nas empresas privadas (48%) e nas fintechs (46%). Para efeito de comparação, as médias nacionais nesses quesitos foram 51% e 49%, respectivamente. Os bancos foram bem avaliados pela maior parte dos entrevistados.

    Sobre a Febraban

    A Federação Brasileira de Bancos é a principal entidade representativa do setor bancário brasileiro. Fundada em 1967, na cidade de São Paulo, é uma associação sem fins lucrativos que tem o compromisso de fortalecer o sistema financeiro e suas relações com a sociedade e contribuir para o desenvolvimento econômico, social e sustentável do país. O quadro associativo da entidade conta com 117 instituições financeiras associadas, as quais representam 98,8% dos ativos totais e 96,6% do patrimônio líquido das instituições bancárias brasileiras.

    Sobre o Ipespe

    O Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas, fundado em 1986, é uma das instituições mais respeitadas do Brasil no setor de pesquisas de mercado e opinião pública. E conta com um conselho científico formado por especialistas de diversas áreas, o qual é presidido por Antonio Lavareda, mestre em sociologia e doutor em ciência política. Tem equipes operacionais e consultores em todos os estados do país e atuação em âmbito nacional e internacional, sempre atualizado com o que há de mais inovador em técnicas e sistemas de pesquisas.

    *Com informações da assessoria

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