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    Microempresas


    Pequenos negócios impulsionam a economia no AM ao gerar empregos

    Com a crise financeira, microempreendedores amazonenses comprovaram sua importância ao ofertar oportunidades de emprego e estimular a economia estadual

     

    Quase 70% dos empregos formais criados em fevereiro deste ano foram por meio dos pequenos negócios
    Quase 70% dos empregos formais criados em fevereiro deste ano foram por meio dos pequenos negócios | Foto: Arquivo EM TEMPO

    Manaus – Com a onda de desemprego ocasionada pela pandemia da Covid-19, as micro e pequenas empresas foram responsáveis por equilibrar a economia. Quase 70% dos empregos formais criados no Brasil em fevereiro deste ano foram por meio dos pequenos negócios, de acordo com o Sebrae. No Amazonas, a contribuição veio das mais de 13 mil microempresas que surgiram no estado em um dos períodos mais críticos da crise - de abril a julho de 2020 -, segundo dados da Junta Comercial do Estado do Amazonas (Jucea).

    Na análise do Sebrae, com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia, 868 demissões foram registradas no Amazonas em fevereiro de 2021, um dos piores desempenhos nacionais. Enquanto isso, outro levantamento do órgão demonstra que, das 401.639 vagas registradas em fevereiro de 2021, 68,5% vieram das microempresas, ou seja 275 mil pessoas.

    Com a crise financeira, economistas e pequenos empreendedores amazonenses reconhecem que a categoria comprovou sua importância ao gerar novas oportunidades e impulsionar a economia estadual e nacional. Uma das responsáveis por esse estímulo econômico é Lorena Barreto, 36. 

    Microempreendedora, Lorena parou de trabalhar de carteira assinada em 2013 e passou a investir em seu pequeno negócio de vendas de marmitas na capital. A intenção sempre foi gerar renda para cuidar da filha caçula, além de poder trabalhar sem sair do conforto de seu lar. 

    Apaixonada pela gastronomia, a microempresária sempre sonhou com seu empreendimento e agora ela trabalha na elaboração de pratos que vão além do arroz e feijão. Lorena emprega mais duas pessoas para ajudar na cozinha e um motoboy para as entregas. Além de uma funcionária que é chamada quando existe a necessidade, ou seja, quando há uma maior demanda.

     

    Lorena trabalha na elaboração de pratos que vão além do arroz e feijão
    Lorena trabalha na elaboração de pratos que vão além do arroz e feijão | Foto: Divulgação

    Apesar dos desafios diários de empreender, a proprietária consegue reconhecer a relevância que seu negócio possui para movimentar a economia local, principalmente durante os períodos de crise. “Mesmo sendo um empreendimento pequeno, eu gero empregos. Pode ser que não seja por meio de uma renda alta, mas tenho certeza que meu negócio ajuda essas pessoas. Tenho consciência que estou contribuindo”, declara.

    Diferente de Lorena, que tinha o sonho de ser empreendedora, Roberta Bittencourt, 37, nunca havia almejado ter seu próprio negócio. Apesar do empreendimento existir desde 2016, foi há um ano, em plena pandemia em Manaus, que ela optou por inovar seu cardápio - agora contando com doces e sobremesas personalizadas - e mudar o foco do seu serviço, oferecendo entregas por meio de aplicativos de comida. 

     

    Roberta optou por inovar seu cardápio, incorporando doces personalizados
    Roberta optou por inovar seu cardápio, incorporando doces personalizados | Foto: Divulgação

    O investimento foi positivo e hoje ela conta com a ajuda do marido e de uma amiga para produzir os alimentos. A microempresária também tem consciência da relevância do seu negócio para a movimentação da economia no Amazonas, ainda mais no momento em que - segundo ela - muitas empresas grandes acabam demitindo seus colaboradores, contribuindo com a taxa de desemprego no estado. 

    “Nós, microempreendedores, somos muito importantes, ainda mais nessa pandemia. Nossa atividade movimenta vários setores, desde as lojas onde compramos nossas embalagens até os motoboys terceirizados que precisam da atividade para o seu sustento. Por isso, é muito importante que a população escolha consumir do pequeno empresário, porque assim ajuda várias pessoas. Quando o consumidor escolhe os pequenos negócios, fortalece esse segmento e impulsiona a economia”, salienta Roberta.

     

    A microempresária tem consciência da relevância do seu negócio para a movimentação da economia no Amazonas
    A microempresária tem consciência da relevância do seu negócio para a movimentação da economia no Amazonas | Foto: Divulgação

    Capacidade de adaptação

    Segundo o analista de gestão estratégica do Sebrae-AM, Carlos Fialho, os pequenos negócios foram os que mais conseguiram se modernizar diante da pandemia, através do atendimento on-line e ao oferecer a opção do serviço de entregas - por comodidade e segurança do cliente. Essa transição foi um diferencial para que as micro e pequenas empresas estimulassem a economia amazonense.

    Ao descrever esse potencial de adaptação em meio à crise, o analista explica que a contribuição dos pequenos negócios se deu também pelas medidas adotadas (como redução de jornadas e salários, férias coletivas e suspensão de contratos de trabalho) para manter os empregos e até gerar novos. 

    Fialho ainda destaca que houve um aumento, por parte dos microempreendedores, na procura por consultoria do Sebrae-AM durante a pandemia. Essa busca surgiu, segundo ele, diante da necessidade de orientação para os negócios que os microempresários do Amazonas sentiram. O medo de ir à falência e passar a fazer parte das estatísticas de desemprego motivou grande parte da categoria, de acordo com o analista.

     

    A contribuição dos pequenos negócios se deu também pelas medidas adotadas para manter os empregos
    A contribuição dos pequenos negócios se deu também pelas medidas adotadas para manter os empregos | Foto: Arquivo/Agência Brasil

    Para Fialho, ao se importarem com seus negócios, pensando em como conduzi-los melhor e se adaptando aos períodos de dificuldade financeira, os pequenos empreendedores conquistaram o mercado e a população no estado tem voltado seu olhar para os empreendimentos de bairro. “Os pequenos têm se destacado, atraindo a atenção do público-alvo e, consequentemente, melhorando o seu faturamento e mantendo a sustentabilidade dos seus negócios e funcionários. A sociedade também mudou sua forma de pensar e procurou comprar mais dos pequenos, valorizando o mercadinho do bairro, a artesã, o marceneiro entre outros profissionais”, considera.

    Contribuição

    De acordo com o economista Origenes Martins, os pequenos empreendimentos são capazes de ‘segurar as pontas’ da economia, porque possuem a capacidade e a facilidade de reinvenção de forma ágil - levando em conta os obstáculos das grandes empresas em mudar suas matrizes e dinâmica, sendo mais viável e, ao mesmo tempo prejudicial, realizar demissões.

    Para Martins, a modalidade movimenta toda a cadeia econômica no Amazonas. “Além de manter o emprego e a renda, a atividade econômica depende hoje em torno de 40%, no mínimo, dos pequenos e médios empreendedores. Eu até acredito que durante a pandemia esta proporção tenha aumentado. Não há nenhuma dúvida de importância na economia do estado, tanto no que diz respeito a faturamento quanto a geração de empregos. É o que faz girar o processo econômico de renda - consumo – produção”, ressalta.

     

    A modalidade movimenta toda a cadeia econômica no Amazonas
    A modalidade movimenta toda a cadeia econômica no Amazonas | Foto: Divulgação

    Concordando com a relevante participação das microempresas no processo econômico, a economista Denise Kassama afirma que os empreendimentos menores também movimentam a economia através do recolhimento de impostos para os governos municipal, estadual e federal.   

    Para o reestabelecimento financeiro do estado e do país, Kassama acredita ser necessário um incentivo, por meio de políticas públicas voltadas para o pequeno empreendedor. “Um trabalhador empregado tem renda, consome, contribui para a previdência social e paga impostos, atuando assim diretamente no processo de crescimento econômico. Políticas públicas de estimulo às micro e pequenas empresas e, principalmente, ao consumo de seus bens e serviços, podem ser de grande relevância para o processo de superação da crise”, considera.

    Informalidade

    Apesar do potencial dos pequenos negócios na geração de oportunidades de emprego, a forma como muitos são contratados no Amazonas ainda gera uma alta taxa de informalidade. Uma pesquisa do IBGE, divulgada em outubro de 2020, mostrou que o estado apareceu como o terceiro colocado na lista de maiores taxas de informalidade do país. Com 1,34 milhão de pessoas empregadas em setembro do ano passado, 700 mil permaneciam na informalidade. Ou seja, 51, 9%, mais da metade dos ocupados.

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