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    Inflação


    Projeção do salário mínimo não condiz com a crise econômica no AM

    A nova projeção do salário mínimo, de R$ 1.147, não corresponde com a crise econômica vivenciada desde 2020 pelas famílias amazonenses

     

    O salário mínimo de 2021 (R$ 1.100,00) ficou abaixo da inflação e não foi readequado
    O salário mínimo de 2021 (R$ 1.100,00) ficou abaixo da inflação e não foi readequado | Foto: Divulgação/Reuters

    Manaus – Caso o salário mínimo de R$ 1.147,00 em 2022 seja aprovado, como proposta do Governo Federal, famílias amazonenses que já estão sendo prejudicadas financeiramente desde o início da crise pandêmica, serão ainda mais afetadas com a perda do poder aquisitivo. Em comparação com o salário deste ano, de R$ 1.100,00, haverá um aumento de 4,2%.

    Contudo, segundo economistas, o acréscimo não será suficiente para a manutenção de qualidade da população do Amazonas. 

    Mesmo que o valor chegue a cobrir a inflação acumulada atualmente pelo Índice de Preços ao Consumidor (INPC) ainda será pouco. Quando anunciada a definição do salário mínimo de 2021 (R$ 1.100,00), especialistas questionaram a decisão federal, pois o valor ficou abaixo da inflação.

    Mesmo com o anúncio do reajuste, para R$ 1.195,00, o salário não foi readequado. O acréscimo de R$ 1,95 corrigiria o INPC de 5,26% para 5,45%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatísticas (IBGE).

    No entanto, essa correção não aconteceu. Diante do novo anúncio, a doméstica Lucicleide Marinho, 42, ficou incomodada. Para ela, o maior desafio é manter o sustento da família com o esposo. Na casa, os quatro moradores - o casal e mais dois filhos - gastam R$ 415,00 mensalmente com alimentação e gás de cozinha, além de outros R$ 400,00 com o custo de energia elétrica e água.

    “Não daria para depender desse salário de R$ 1.147 para sobreviver por mês, porque ficaria faltando. O custo de vida está ainda mais alto desde o início da pandemia, por isso, sabemos que é pouco”, contesta Lucicleide.

    Para conseguir driblar a crise, mesmo em meio às dificuldades, o esposo da doméstica optou por buscar uma renda extra ao trabalhar como servente de pedreiro. Além de realizar um brechó aos domingos e contar com mais alguns 'bicos'. A família também foi obrigada a diminuir gastos, buscando economizar em necessidades básicas, como luz e água. 

    Além da projeção para 2022, o Ministério da Economia também apresentou as previsões para os anos posteriores.

     

    Além da projeção para 2022, o Ministério da Economia também apresentou as previsões para os anos posteriores
    Além da projeção para 2022, o Ministério da Economia também apresentou as previsões para os anos posteriores | Foto: Divulgação

    Para 2023, a proposta do salário mínimo seria de R$ 1,188,00, já para 2024, de R$ 1.229,00 - uma alta de 3,57% e 3,45%, respectivamente, em comparação com o ano anterior de cada um. 

    Inflação

    Em março de 2021, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – responsável por medir a inflação do país, sofreu um aumento de 0,93% e alcançou 6,10% em 12 meses, segundo dados levantados pelo IBGE. Até o final do ano, ainda por conta da crise financeira, a meta da inflação é chegar a 3,75%.

    De acordo com o economista Ailson Rezende, o salário mínimo deve repor as perdas causadas pela inflação. Como a meta da inflação de 2021 está em 3,75% ao ano, a diferença do salário mínimo de R$ 1.100,00 para R$ 1.147,00 é de 4,27%, ou seja, ainda é possível cobrir. Com um mínimo de 2,25% e máximo de 5,25%, a margem de erro esbarra em 1.5 pontos percentuais.

    Apesar da proposta do salário para 2022 se mostrar acima da inflação atual, Rezende afirma que a definição do valor é precoce.

    “O Banco Central (BC) projeta uma inflação de 5,0%, ficando acima da correção do salário mínimo, portanto, é cedo para tentar definir o salário mínimo definitivo para o ano que vem. Ou será preciso fazer um ajuste no valor, caso fique abaixo do índice inflacionário de 2021”, esclarece o profissional.

    Região Norte afetada

    O economista ainda ressalta que o salário mínimo deveria garantir a dignidade do cidadão amazonense, a fim de dar condições necessárias para a manutenção das famílias que vivem na região, gerando saúde e bem-estar aos trabalhadores. Entretanto, para ele, pelo alto custo dos produtos essenciais, isso não tem acontecido.

    Segundo Rezende, a perda do poder de compra é mais acentuada no Norte do país, principalmente ao falar em necessidades básicas, como alimentação. “O Amazonas tem um dos custos de vida mais caros da região Norte em razão da elevada renda per capita gerada pelo Polo Industrial de Manaus (PIM) ”, justifica.

     

    Segundo Rezende, a perda do poder de compra é mais acentuada no Norte do país por conta do PIM
    Segundo Rezende, a perda do poder de compra é mais acentuada no Norte do país por conta do PIM | Foto: Divulgação

    Segundo o economista Sóstenes Farias, essa projeção não será suficiente para o amazonense recuperar tudo o que perdeu na crise. Por isso, ele acredita que o valor será corrigido, já que a previsão foi dada com antecedência.

    “Pelas expectativas iniciais da inflação, fica improvável qualquer perspectiva de recuperação do poder aquisitivo do salário mínimo. Mas, como se trata ainda de uma expectativa preliminar, frente a inflação oficial, esse valor poderá sofrer correção”, analisa.

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