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    Agricultura familiar


    Distrito Agropecuário tem prejuízo de mais de R$ 36 mil por mês no AM

    Com dificuldades para fazer o escoamento de seus produtos em meio à pandemia, agricultores familiares amazonenses perdem renda

     

    Sem investimentos no DAS, os consumidores também são afetados, pois precisam pagar pela importação de produtos hortifrutigranjeiros
    Sem investimentos no DAS, os consumidores também são afetados, pois precisam pagar pela importação de produtos hortifrutigranjeiros | Foto: Divulgação

    Manaus - Em função da pandemia, agricultores familiares da região do Distrito Agropecuário da Suframa (DAS), na BR- 174, enfrentam dificuldades para escoar sua produção. A área de Terra Nostra e Fidel Castro, por exemplo, possui três mil famílias que vivem da agricultura. Sem caminhões para transportar os alimentos desde julho de 2020, o prejuízo mensal fica em torno de R$ 18 a R$ 36 mil em vendas, segundo a Cooperativa dos Produtores Rurais dos Assentados do Amazonas (Cooperam).

    Atualmente, o Amazonas importa 80% dos produtos hortifrutigranjeiros de outros estados, de acordo com o Sindicato dos Feirantes do Estado do Amazonas (Sindifeiras-AM).

    Essa dependência afeta o bolso dos consumidores, que pagam o custo da importação - que deixa os alimentos mais caros. Existindo um maior incentivo em relação ao DAS, os preços seriam mais baixos, beneficiando os produtores e os consumidores amazonenses. 

    O prejuízo relatado pelos cultivadores de Terra Nostra e Fidel Castro, refere-se ao fornecimento para quatro redes de supermercados na capital do estado, não contabilizando o lucro feito pelos produtores na feira local. 

    O agricultor Fernando de Carvalho, 65, foi um dos afetados pela crise no escoamento. Morador do quilômetro 19, na comunidade Terra Nostra, o produtor possui dez hectares de plantação, divididos entre diversos alimentos - como cupuaçu, graviola, pimenta-do-reino e macaxeira - com a distribuição voltada para os supermercados de Manaus.

    Para Carvalho, alguns produtos chegaram a ser perdidos por falta de transporte, com a retirada dos caminhões desde o ano passado.

    “A nossa dificuldade é escoar nossos produtos. Com a pandemia, os caminhões foram retirados e o ônibus coletivo só passa uma vez por semana, cobrando R$ 25,00 o volume, o que encarece para levar a produção até a feira”, desabafa o trabalhador.

    Além de salientar a falta que o veículo faz para os pequenos produtores, o cultivador ainda relata a necessidade de existir uma melhoria estrutural na rodovia do ramal, além de assistência técnica, com instruções voltadas para a lavoura, de acordo com cada alimento produzido. Dessa forma, os agricultores poderiam desenvolver mais e aumentar seus negócios. 

     

    A região do DAS conta com mais de 25 mil famílias que trabalham com a agricultura
    A região do DAS conta com mais de 25 mil famílias que trabalham com a agricultura | Foto: Divulgação

    Segundo a Cooperam, a região entre a capital e o município de Rio Preto da Eva, conhecido como DAS, conta com mais de 25 mil famílias que trabalham com a agricultura. No entanto, apenas as comunidades de Terra Nostra e Fidel Castro foram severamente afetadas pelo cancelamento do envio de caminhões. 

    Redução de custos

    Para o presidente da Cooperam, Ismael Oliveira, a produção dos agricultores familiares na região possui grande potencial, pois tende a diminuir os custos de importação, consequentemente, aliviando o bolso dos manauaras. 

    Oliveira ainda esclarece outro benefício da produção familiar: não causa prejuízo ambiental. “Essa área é extremamente propícia ao desenvolvimento rural ou chamado extensão do grande cinturão do desenvolvimento de Manaus. Com exceção da área do Puraquequara e Chico Mendes, a capital do estado não tem áreas agrícolas. As comunidades do Distrito Agropecuário não provocam nenhum impacto ambiental, pois a região já está desmatada”, explica.

    Suframa

    Responsável por essas comunidades, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), em nota, comunicou que não foi informada sobre a suspensão dos caminhões dessas duas regiões e afirmou que várias empresas agroindustriais usufruem dos incentivos à produção do setor primário na localidade, voltadas para fruticultura, piscicultura, dentre outras. 

    “Durante a pandemia, o DAS manteve sua atividade e produção que comumente abastece o mercado local e alguns mercados externos. Como a produção está principalmente voltada ao mercado interno do Amazonas, especialmente à capital, a logística tem sido a mesma usualmente utilizada pelos empreendedores locais", reportou a Suframa.

    O órgão relatou ainda que a atenção a melhorias logísticas na região tem sido pauta de conversas entre a Suframa e órgãos parceiros, a fim de garantir que os produtores e toda a sociedade possam contar com melhores condições de trafegabilidade. 

    Para driblar as dificuldades financeiras e resolver a falta de escoamento das produções agrícolas no DAS, alguns produtores, por meio da Cooperam, organizaram uma vaquinha com o objetivo de adquirir, pelo menos, um caminhão. Para contribuir, basta usar as chaves pix – [email protected]/ 5592992202808. 

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