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    Turismo


    Novo flutuante no Rio Negro gera empregos em comunidade no Iranduba

    Com o novo empreendimento, pelo menos 20 empregos diretos devem ser gerados até 2022 para a comunidade da Cachoeira do Castanho, onde o Flutuante Abaré está localizado

     

    A novidade movimentou a economia local em um momento em que a taxa de desemprego no Amazonas atingiu 15,8%
    A novidade movimentou a economia local em um momento em que a taxa de desemprego no Amazonas atingiu 15,8% | Foto: Brayan Riker

    Iranduba (AM) – Inovação no ecoturismo presente no Amazonas, a segunda unidade do Restaurante e Flutuante Abaré - primeiro empreendimento do ramo localizado na comunidade Cachoeira Castanho, em Iranduba (distante 27 quilômetros de Manaus), surgiu como uma dose de esperança para os moradores do local.

    Na localidade que vive do turismo e que foi duramente afetada pela pandemia, sem a possibilidade de operar no setor de forma legal, ao menos 20 empregos diretos devem ser gerados pelo novo empreendimento até 2022. 

    Com a abertura oficial do flutuante, no início de maio, seis empregos formais já foram gerados, e treinamentos serão realizados pelo próprio Abaré Sup para qualificar trabalhadores da região da Cachoeira do Castanho e abrir novas vagas.

    A novidade movimentou a economia local em um momento em que a taxa de desemprego no Amazonas atingiu 15,8% e superou a média nacional de 13,5% no ano de 2020. Um recorde divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que colocou a região entre os 10 primeiros estados mais afetados pelo desemprego.

    Os dados se tornam ainda mais preocupantes quando se leva em consideração o nível de ocupação da população. Nesse quesito, o Amazonas também é destaque com apenas 50,3% da população ativa e apta para trabalhar ocupada, ou seja, os outros quase 50% da população está fora do mercado de trabalho.

     

    Na comunidade, 100% dos moradores estavam em situação de desemprego
    Na comunidade, 100% dos moradores estavam em situação de desemprego | Foto: Brayan Riker

    Na comunidade, os dados não-oficiais levantados por um líder comunitário apontam que 100% dos moradores estavam em situação de desemprego. “Essas informações chegaram até mim, que ninguém aqui tinha carteira assinada e viviam, quando viviam, com empregos informais ou empregos ligados ao extrativismo, à exploração”, explicou o proprietário do flutuante, Diogo de Vasconcelos.

    O IBGE aponta ainda que as taxas subiram pois, em 2020, não só o mercado formal foi afetado, mas também o mercado informal, a principal porta de entrada dos trabalhadores. Todo o período analisado é comparado ao mesmo período de 2019, quando ainda não havia pandemia no país.

    Segundo o empreendedor, o trabalho de turismo na região atendeu a um “chamado” dessas pessoas. “Realmente queríamos fazer algo ligado ao ecoturismo, o que não conseguimos fazer no Tarumã, onde fica nossa primeira unidade. Mas, o motivo principal que determinou a abertura do flutuante foi a fome e a vontade de viver, nos reinventarmos para ajudar a comunidade”.

    Turismo sustentável

    “Com a pandemia, o pouco turismo que existia, cessou. Então as pessoas passaram muita dificuldade. Aqui, conheci um dos líderes comunitários, que trouxeram até minha atenção os obstáculos que eles enfrentavam para operar um restaurante, para trazer turistas para mergulhar com os botos”, disse o proprietário.

    De acordo com ele, a estrutura que ele trouxe com o Abaré Rio Negro já existia na região, mas não funcionava da forma correta.

     

    A permanência do flutuante no local é uma forma de afastar o turismo predatório
    A permanência do flutuante no local é uma forma de afastar o turismo predatório | Foto: Brayan Riker

    A previsão de lucro em 2022 é de 100%, motivado pela proposta de turismo sustentável e pela remuneração adequada para as pessoas envolvidas nesse trabalho. Além disso, a permanência do flutuante no local, segundo Diogo, é uma forma de afastar o turismo predatório.

    “O que se vê, normalmente, é esse turismo predatório na região, onde as pessoas vêm e querem pagar 10 reais para o ribeirinho pelo serviço que ele oferece e poluem o rio. Tem aquelas situações que as pessoas vêm e sequer consomem ou contribuem para a economia da comunidade”, lamentou.

    Para evitar essa poluição, o funcionamento do flutuante também segue protocolos de biossegurança previstos pela regulamentação do Amazonas, incluindo o tratamento de esgoto e orientação aos frequentadores. 

    “Nosso objetivo é fomentar esse turismo ecológico, responsável, e que consiga agregar algo para a comunidade, não apenas retirar”, finalizou o empreendedor.

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