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    Cultivo de grãos


    No Amazonas, produção de soja cresce 41% e tende à expansão

    Mesmo com a pandemia, na safra de 2020/21, 7 mil toneladas foram produzidas, o que representa um crescimento de 41% em relação à safra anterior

     

    No cenário nacional, o cultivo de grãos também está em ascensão
    No cenário nacional, o cultivo de grãos também está em ascensão | Foto: Divulgação

    Manaus – Apesar da pandemia, a produção de soja no Amazonas está caminhando para uma maior expansão. Na safra de 2020/21, 7 mil toneladas foram produzidas, o que representa um crescimento de 41% em relação à safra anterior, de 2018/19, com o cultivo de 4.950 toneladas do grão, segundo levantamento do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam).

    Economistas revelam que as atividades primárias precisam ser mais desenvolvidas no estado, pois possuem intensa capacidade de crescimento. 

    No cenário nacional, o cultivo de grãos também está em ascensão. A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é que 273,8 milhões de toneladas sejam produzidas na safra 2020/21, apresentando um crescimento recorde de 6,5%, em comparação com a safra anterior. O resultado representa um aumento de 16,8 milhões de toneladas.

    O produtor de soja Edson Martins, 62, cultiva o grão no quilômetro 50, em Humaitá (cerca de 670 quilômetros de Manaus).

    Além de ter 100 hectares plantados, o agricultor também produz 400 hectares de arroz e 50 hectares de milho, fora a criação de animais. Martins conta que não foi impactado negativamente com a pandemia.

    “Estou produzindo e gerando 30 empregos na minha região só com o cultivo dos cereais. Como vendo em Humaitá, não sofri nenhum prejuízo com a pandemia. Gostaria mesmo é de vender também para as escolas, contribuindo para a merenda escolar na minha área”, almeja o produtor.

     

    Além de ter 100 hectares plantados, o agricultor também produz 400 hectares de arroz e 50 hectares de milho
    Além de ter 100 hectares plantados, o agricultor também produz 400 hectares de arroz e 50 hectares de milho | Foto: Arquivo EM TEMPO

    Segundo o presidente do Idam, Valdenor Pontes Cardoso, o cultivo da soja está em destaque, pois tem apresentado evolução, contribuindo para o desenvolvimento econômico no sul do Amazonas - região de campos naturais e que tem outro tratamento do ponto de vista ambiental.

    Pontes ainda ressalta que o grão tem tendência a se desenvolver mais nas próximas safras, em virtude do apoio do Governo do Amazonas no investimento em assistência técnica e parcerias com empresas privadas.

    Mesmo em período de pandemia, o responsável pelo Idam afirma que a agropecuária tem dado um retorno positivo.

     “O governo estadual está garantindo apoio às empresas que estão chegando no sul do estado para incentivar, estimular e produzir grãos. O Idam está intensificando a assistência técnica na região e se estruturando com um corpo técnico especialista na área de grãos para interagir efetivamente com os produtores”, destaca Pontes.  

    Vantagem climática

    Com o cultivo concentrado em dez municípios do estado, seis estão presentes no sul do Amazonas, com o clima mais ameno. Em Lábrea, Apuí, Boca do Acre, Carauari e Manicoré estão as maiores áreas de extensão agrícola do Amazonas. De acordo com Pontes, a temperatura ambiente dessas regiões favorece a safra.

     

     Em Lábrea, Apuí, Boca do Acre, Carauari e Manicoré estão as maiores áreas de extensão agrícola do Amazonas
    Em Lábrea, Apuí, Boca do Acre, Carauari e Manicoré estão as maiores áreas de extensão agrícola do Amazonas | Foto: Arquivo EM TEMPO

    “Temos uma vantagem comparativa com outras regiões de frio ou de excesso de calor, nós temos um clima temperado e uma amplitude de temperatura relativamente boa, o que gera um impacto nos vegetais, provocando aceleração da fotossíntese e aumentando a produção de massa vegetal. Quem tem genética e componente de produção também eleva a produção de grãos”, esclarece.

    Para o economista Wallace Meirelles, é preciso um maior desenvolvimento do setor agropecuário no estado, com um estímulo ainda maior no interior.

    Segundo ele, dos 80% do Produto Interno Bruto (PIB) do Amazonas, 50% está relacionado ao segmento de serviços, 28% corresponde à indústria - especificamente ao Polo Industrial de Manaus (PIM), e apenas 6% à economia primária, como agricultura, pecuária e extrativismo.

    Neste sentido, Meirelles enfatiza que as maiores atividades produtivas ficam concentradas na capital. Por essa centralização, o que existe de produção de soja, acaba ficando distante dos outros municípios e de Manaus.

    “A plantação de soja pega mais o sul do Amazonas e está mais ligada à Rondônia. É uma distância enorme. É preciso fazer um mapeamento da capacidade produtiva no estado e do trabalho de desenvolvimento da logística de escoamento no interior”, ressalta.

     

    Para o economista Wallace Meirelles, é preciso um maior desenvolvimento do setor agropecuário no estado
    Para o economista Wallace Meirelles, é preciso um maior desenvolvimento do setor agropecuário no estado | Foto: Arquivo EM TEMPO

    Diante do desafio infraestrutural pelo acesso fluvial e pelas péssimas condições pelo acesso terrestre, o economista destaca a necessidade de avançar mais em direção ao agronegócio, partindo da resolução dos problemas estruturais - como a questão do sistema de transporte fluvial, que não conta com agilidade, nem segurança.

    Potência nacional

    Conforme apresenta o levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a produção de alimentos no Brasil atende a 800 milhões de pessoas no mundo e, nos próximos cinco anos, pode chegar a ser o maior exportador de grãos do planeta.

    Em dez anos, o país que faturava US$ 20,6 bilhões, passou a faturar US$ 100 bilhões, com a produção de soja, milho, algodão, carne e produtos florestais.

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