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    Indústria


    Governo Federal atrasa processo de expansão da LG no PIM

    Com a retirada da pauta sobre a ampliação da empresa no AM, 68 empregos diretos serão perdidos, além dos tantos indiretos que poderiam ser gerados

     

    | Foto: Divulgação

    Manaus – O processo de transferência da multinacional LG Eletronics, de Taubaté, em São Paulo, para o Polo Industrial em Manaus (PIM) segue em passos lentos. Em reunião do Conselho de Administração da Suframa (CAS) essa semana, o representante do Ministério da Economia, o secretário de Produtividade, Emprego e Competitividade, Carlos da Costa, retirou a pauta sobre a ampliação da empresa no Amazonas. Representantes da indústria esperam que a decisão seja revogada em breve.

    No início de abril, a empresa sul-coreana anunciou que pretendia transferir sua produção de notebooks e monitores presente no interior de São Paulo para a Zona Franca de Manuas (ZFM), gerando cerca de 68 novos empregos.

    Atualmente, a LG - quarta maior empregadora do modelo - gera 1.400 empregos no PIM e está instalada no estado desde 1995, segundo dados da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam).

    O deputado federal Marcelo Ramos criticou a decisão do representante do ministro Paulo Guedes, pois houve um investimento previsto de R$ 160 milhões em pesquisa e qualificação de mão de obra para os novos empregos que seriam gerados no Amazonas. “Nós não vamos aceitar esse tipo de provocação na ZFM”, criticou o deputado.

    Em entrevista ao EM TEMPO, Ramos enfatizou que apenas com segurança jurídica será possível garantir a manutenção dos investimentos, além de salientar que o Governo Federal tem um olhar distorcido em relação aos incentivos fiscais que o modelo possui.

    “O Ministério da Economia tem uma visão míope da ZFM. Pensam que tirando os incentivos vão passar a arrecadar. O histórico tem mostrado que as empresas que saem do PIM, saem também do Brasil e, portanto, isso não acrescenta em nada na arrecadação. Pelo contrário, perde receita de ICMS, de ISS, além de perder empregos”, salientou o deputado federal.

     

    A assessoria da LG declarou que a empresa não tem detalhes em relação à decisão do secretário
    A assessoria da LG declarou que a empresa não tem detalhes em relação à decisão do secretário | Foto: Divulgação

    Presente em Brasília, Ramos explicou que irá procurar o secretário Carlos Costa, a fim de dialogar mais sobre o assunto, procurando ouvir a opinião do representante do ministério e solicitar que aprove o projeto para o CAS - seguindo para os próximos passos.

    Para esclarecer a situação, o EM TEMPO fez contato com a assessoria da LG Brasil, localizada em São Paulo. Sobre rumores de que a empresa poderia deixar de produzir no país, a assessoria declarou que “a LG não comenta sobre rumores” e que não teria detalhes em relação à decisão do secretário no CAS.

    Novas oportunidades

    De acordo com o representante do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, a situação deve ser resolvida em breve, diante do potencial que a empresa possui como a quarta maior empregadora do modelo e que agora poderá gerar mais 68 oportunidades diretas ao expandir seus negócios no Amazonas. 

    “Existe uma preservação e toda uma geração de emprego a partir dessas novas vagas. São mais pessoas para transportar, para trabalhar na cozinha, entre outras vagas indiretas. Então, a LG passa a comprar mais insumos e aí vai gerar empregos com esses fornecedores. Eu lamento a decisão tomada no CAS, mas tenho otimismo de que isso seja revertido bem rapidamente”, destacou Périco.

    Sobre a reunião do CAS, o presidente da Fieam, Antônio Silva, afirmou que houve uma má interpretação da proposta e que os detalhes estão sendo discutidos e ajustados entre as esferas.

    “O que ocorreu foi uma divergência interpretativa de um critério analítico do projeto. A situação já está sendo tratada dentro do âmbito governamental e institucional para que o PIM possa ser beneficiado”, esclareceu o presidente. 

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