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    Exportações


    Porto de Itacoatiara tem aumento de 5.236% na exportação de soja

    Pertencente ao Arco Norte, o porto de Itacoatiara exportou mais de 2 milhões de quilos de soja no primeiro trimestre de 2021, superando o volume de 2020

     

    Atualmente, os portos do Arco Norte são responsáveis por 50% do escoamento da produção de soja e milho no estado
    Atualmente, os portos do Arco Norte são responsáveis por 50% do escoamento da produção de soja e milho no estado | Foto: Reprodução

    Manaus – Como o único terminal portuário do Amazonas pertencente ao denominado "Arco Norte', o porto de Itacoatiara apresentou um crescimento impressionante de 5.236% no volume de soja exportada. No ano passado, houve o escoamento de 44.804 quilos de soja por meio do terminal, em 2021, o número foi bem maior, com 2.390.969 quilos exportados, segundo dados do Ministério da Economia (ME).

    Os portos do Arco Norte têm se destacado ao longo dos anos. Atualmente, os terminais do Arco – em Itaituba, Santarém, Barbacena (PA), Santana (AP), Porto Velho (RO) e Itacoatiara (AM) - são responsáveis por 50% do escoamento da produção de soja e milho no estado.

    Com esse resultado, os portos do Norte podem superar o volume dos terminais portuários de Santos (SP) e do Paranaguá (PR), referências no mercado de exportações.

    Além da soja, o porto de Itacoatiara ainda exporta o milho, ambos grãos provenientes do Mato Grosso, ou seja, apenas escoados pelo estado amazonense. A exportação de milho em Itacoatiara se iniciou em 2020, com 800.308 quilos, e no primeiro trimestre de 2021 já chegou a 45.600 quilos, o que demonstra que a produção irá novamente alcançar um bom resultado. 

    Quando criados, os portos do Arco Norte eram considerados experimentos logísticos. Porém, com o tempo, e com o aperfeiçoamento de suas estruturas, os terminais estão se destacando. O grande potencial advém de um principal fator: os portos estão em pontos estratégicos para o escoamento, mais próximos dos produtores do Mato Grosso.  

     

    Os portos estão em pontos estratégicos para o escoamento da soja
    Os portos estão em pontos estratégicos para o escoamento da soja | Foto: Arquivo EM TEMPO

    Impacto econômico

    Segundo o presidente da Federação da Indústria do Estado do Amazonas (Fieam), Antônio Silva, o Amazonas começou a produzir grãos de soja em 2019, mas o volume foi menor do que o esperado.

    De acordo com o representante, somente escoando a soja, o impacto financeiro é menor, mas ainda assim gera emprego e movimenta a região economicamente. 

    “A soja é apenas escoada pelo estado, de forma que o impacto na economia é menor que o esperado, uma vez que a fatura do produto não ocorre aqui e a operação de exportação já possui benefícios a título de incentivá-la. De todo modo, esse é um vetor importante pelo impacto indireto e induzido – emprego e renda - que finda por movimentar a economia regional”, declara Silva.

    O presidente da Fieam salienta que os números do primeiro trimestre de 2021 demonstram uma recuperação ao mesmo patamar de 2018, com 2.390.969 quilogramas do grão exportados.

    "Essa é uma atividade culturalmente pouco associada à região amazônica. Em razão do posicionamento geográfico, a possibilidade para crescimento da atividade existe, entretanto, trata-se de uma questão a longo prazo", ressalta Silva.

     

    Além da soja, o porto de Itacoatiara ainda exporta o milho, ambos grãos provenientes do Mato Grosso
    Além da soja, o porto de Itacoatiara ainda exporta o milho, ambos grãos provenientes do Mato Grosso | Foto: Divulgação

    Logística

    De acordo com o economista Origenes Martins, o agronegócio brasileiro tem apresentado um crescimento espantoso. “Até a década de 1950 nosso país era importador de alimentos e dependente completo das políticas externas do setor. Atualmente, como maior exportador de alimentos do mundo, também apresenta a agricultura mais moderna e eficiente do planeta”, enfatiza.

    Martins frisa que a dificuldade logística em escoar a produção e a dependência do porto de Santos, em São Paulo, por muitos anos, limitaram o avanço dos portos regionais.

    O economista reconhece que o Arco Norte representa uma contribuição relevante na exportação de grãos no país, mostrando que é possível reduzir as limitações estruturais.

    Mesmo legitimando as superações, Martins enfatiza que é preciso continuar com os investimentos para resolver as deficiências logísticas ainda existentes.

    “Está faltando investimento no processo intermediário, pois a produção é de alto nível, os portos oferecem a oportunidade de desenvolver uma solução mais rápida e barata para a exportação. Falta, no entanto, investir na ligação, com estradas ou ferrovias que liguem o setor produtivo aos nossos portos, como a ferrovia que vai ligar o Mato Grosso ao Pará”, finaliza Martins.

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