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    Economia e cultura


    Com apoio, economia criativa pode crescer e gerar mais empregos no AM

    No último levantamento feito pelo Itaú Cultural, a economia criativa no Amazonas contava com cerca de 70 mil trabalhadores diretos e indiretos

     

    Mesmo com o grande potencial no Amazonas, a pandemia da Covid-19 também afetou esses trabalhadores
    Mesmo com o grande potencial no Amazonas, a pandemia da Covid-19 também afetou esses trabalhadores | Foto: Divulgação

    Manaus - Com negócios voltados para produções artísticas e intelectuais, a economia criativa vem ganhando cada vez mais força no Amazonas. Em 2019, o estado contava com 69.894 trabalhadores na área, segundo dados do Itaú Cultural. Representantes afirmam que o setor tem potencial para a expansão, principalmente diante da pluralidade cultural presente na região amazônica, como o desenvolvimento do artesanato. 

    O levantamento feito pelo Itaú Cultural demonstra ainda que qualquer atividade voltada para a área da economia criativa gera diversos empregos diretos, além de indiretos, para profissionais de outras áreas.

      Um grande exemplo é que, do total de trabalhos realizados por esses quase 70 mil profissionais em 2019, 46,6% contaram com a participação de trabalhadores de empresas de comunicação, 38,8% de serviços de alimentação, 45,30% de serviços gráficos e 45,3% de ambulantes.  

    Mesmo com o grande potencial no Amazonas, a pandemia da Covid-19 também afetou esses trabalhadores, principalmente os que dependiam somente dessa renda. Em 2020, 21,5% dos profissionais criativos no estado chegaram a perder até R$1.000,00 por mês. Agravando mais ainda a situação, 28,1% disseram que perderam até R$2.000,00; 14,6% até R$3.000,00 e 18,4% relataram que tiveram perdas de até R$4.000,00 por mês.

    Driblando a crise

    O pequeno empreendedor Luan Carlos Saraiva, 27, é um dos que faz parte das estatísticas. Com atuação no segmento da 'cultura nerd', vendendo camisetas, almofadas, canecas e quadros há um ano e dois meses, Luan teve uma queda de 80% nas vendas com a chegada da segunda onda da pandemia.

    Atualmente ele ainda encontra dificuldades para manter seu negócio, especialmente diante do aumento no preço dos insumos para a confecção dos produtos.

      “Do ano passado para cá, houve um aumento de 30% no preço das matérias-primas. O apoio que necessito mesmo é dos próprios clientes, porque é difícil manter a loja sem vendas. Investimos nas promoções dos produtos, mas não temos mais tanto faturamento”, desabafa o pequeno empresário.  


     

    Luan vende camisetas, almofadas, canecas e quadros personalizados
    Luan vende camisetas, almofadas, canecas e quadros personalizados | Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

    Em meio às perdas, Luan investiu nas redes sociais e no site de sua loja, optando por vender no modelo e-commerce. O objetivo do proprietário é alcançar mais pessoas e se adequar a nova realidade da maior parte dos empreendimentos, que estão migrando para o mundo digital.

    Assim, segundo ele, os clientes podem acessar as mídias sociais, escolher a arte, fazer a encomenda e ter o produto final entregue em sua casa.

    Como Luan, a empreendedora Angélica Moraes, 37, também faz parte do setor que engloba a economia criativa. Há cinco anos no ramo da criação de móveis não convencionais, ela encontrou - em meio à pandemia - uma forma de inovar. Atendendo ao público de Manaus, que começou a trabalhar no modelo home office, a proprietária passou a oferecer a opção de entrega a domicílio de mesas, no estilo industrial, para escritório.

     

    Angélica passou a oferecer a opção de entrega a domicílio de mesas, no estilo industrial, para escritório
    Angélica passou a oferecer a opção de entrega a domicílio de mesas, no estilo industrial, para escritório | Foto: Divulgação

    Depois de viver uma estagnação nas vendas durante quase três meses, com essa nova estratégia, Angélica observou um aumento de 30% em seu faturamento no mês de abril.

      “Eu busquei fomento para fazer móveis a pronta entrega e percebi que, em abril, tudo começou a mudar, com uma melhora muito grande em relação ao rendimento e creio que vamos conseguir retomar 100% no segundo semestre”, espera a empreendedora.  

     

    Angélica observou um aumento de 30% em seu faturamento
    Angélica observou um aumento de 30% em seu faturamento | Foto: Divulgação

    Necessidade de uma associação

    A economia criativa, além de se desenvolver bem na capital amazonense, também apresenta ótimos resultados no interior do estado. Contudo, as possibilidades acabam sendo mais limitadas, como conta a artesã Camyla Vieira, 29, que mora em Tefé (a 551 quilômetros de Manaus) e atua na área de vestuário com pinturas artísticas e tingimentos em camisetas por meio da técnica 'tie-dye', com cores fluorescentes. 

    A profissional sente falta, por exemplo, de uma associação – inexistente no interior do estado e na capital – que represente o setor. Em seu município, outras mulheres também estão envolvidas com a economia criativa, com serviços voltados para pintura e bordado, além de outras habilidades artesanais. As vendas ocorrem por meio de um ateliê on-line, nas mídias sociais. 

      “Nós, artesãs, merecemos um apoio do Governo do Amazonas e da prefeitura. Faço parte de um bazar em Tefé, que serve como uma grande oportunidade para as mulheres empreendedoras se tornarem conhecidas, fazendo com que os pequenos negócios cresçam. Mas o que sonhamos mesmo é em nos unir para montar uma associação”, ressalta Camyla.  

     

    Camyla atua na área de vestuário com pinturas artísticas e tingimentos em camisetas
    Camyla atua na área de vestuário com pinturas artísticas e tingimentos em camisetas | Foto: Divulgação

    Apoio financeiro 

    Diante das medidas restritivas por conta da pandemia, trabalhadores do ramo da economia criativa, que tinham suas lojas físicas, ficaram impossibilitados de vender presencialmente.

    Por essa razão, um grupo deles se uniu para criar uma plataforma, visando auxiliar os empreendedores criativos com produções voltadas para saúde, bem-estar, sustentabilidade, cultura pop, moda, acessórios, móveis, decoração, espiritualidade e produtos da Amazônia.

    Segundo Juliana Teles, uma das idealizadoras da iniciativa, a proposta da plataforma CriativaHub é conectar colaboradores criativos e seus produtos com clientes, criando uma ponte entre eles. Para se associar ao site, o empreendedor deve fazer o cadastro e pagar 10% sob cada produto vendido.

      “Além de oferecer a plataforma, disponibilizamos capacitações. Durante três meses no ano passado, acompanhamos de perto oito empreendedores, dando suporte e mentoria. Não somos uma associação, mas um projeto para ajudar os trabalhadores da economia criativa”, explica Juliana.  

    De acordo com o responsável pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Marcos Apolo Muniz, a pandemia prejudicou bastante o segmento no estado, que depende do contato com as pessoas. Para driblar essa dificuldade, o departamento resolveu investir em editais e agendas virtuais para divulgar serviços da área. 

    Muniz conta que a agenda virtual permite que as atividades dos trabalhadores criativos sejam divulgadas, alcançando um número maior do público para essa cadeia produtiva. O secretário acredita que o diálogo entre quem está na linha de frente se faz necessário para a compreensão dos desafios do setor através de um mapeamento.

    “A partir do momento em que essas informações são divulgadas, o próprio mercado passa a entender como a economia criativa está se movimentando para uma retomada”, destaca o secretário.

    Outro auxílio que o setor recebeu veio direto do Governo Federal. Por meio da Lei Aldir Blanc, que permite o recebimento de uma verba para o setor cultural de cada estado diante de calamidades, o setor no Amazonas também foi contemplado com mais de R$ 38 milhões. O subsídio foi aprovado pelo Congresso Nacional e disponibilizado para cada secretaria estadual. Segundo a assessoria da Secretaria, os projetos estão em execução.

     

    Artesanato produzido no mercado Adolfo Lisboa, na capital amazonense
    Artesanato produzido no mercado Adolfo Lisboa, na capital amazonense | Foto: Brayan Riker

    Economia e cultura

    A economia criativa explora conteúdos ou produtos artísticos, transformando-os em recurso econômico, o que, para o economista Wallace Meirelles, é um diferencial - ainda mais na região da Amazônia. Para ele, o mercado tem potencial, pois condiz com a pluralidade cultural, tanto tradicional, quanto contemporânea, no estado. 


    “Quando olhamos para Manaus, que tem um grande processo de diversificação na atividade econômica, percebemos que a economia criativa existe, mas precisa ser melhor explorada. É um mercado que precisa ser aprimorado, de forma técnica, porém, com uma grande potencialidade”, avalia o economista.  

    Meirelles ainda ressalta que não é só o Amazonas que precisa expandir os negócios nesse setor, mas todo o país.

    No entanto, mais especificamente no estado, o artesanato nas feiras, a gastronomia e todas as ramificações da economia criativa precisam ser destacadas e mais presentes, principalmente quando os turistas chegam com o desejo de conhecer uma cultura diferente. “Esse conjunto de fatores ajuda no desenvolvimento da própria economia local”, finaliza.

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