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    Produção de laranjas


    Em Rio Preto da Eva, produção de laranja tem queda de 66%

    Com a pandemia, produtores rurais encontram dificuldades nas vendas, tendo que baixar o preço atacadista a um valor semelhando ao cobrado há dez anos

     

    Com produção sazonal, a safra de laranja ocorre entre os meses de junho e agosto
    Com produção sazonal, a safra de laranja ocorre entre os meses de junho e agosto | Foto: Arquivo/Em Tempo

    Rio Preto da Eva - O segmento de citricultura do município de Rio Preto da Eva, localizado a 78 quilômetros de Manaus, é o maior do estado do Amazonas, com a produção de 120 milhões de laranjas em 2020. Porém, a previsão para 2021 é que essa quantidade caia para 80 milhões em função da pandemia e das chuvas, apresentando uma queda de 66,6%, segundo dados do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam).

      Com a queda, o abastecimento de laranjas em Manaus também deve ser afetado, já que 80% da produção é destinada para suprir a demanda da capital. Diante dessa situação, produtores rurais têm enfrentado dificuldades nas vendas, tendo que baixar o preço atacadista a um valor semelhando ao cobrado há dez anos.  

    Com produção sazonal, a safra de laranja ocorre entre os meses de junho e agosto. Nos demais meses, a colheita acontece para os frutos que nascem fora de época. 

    A fazenda de Hélio Pontes, 39, produz cerca de 500 sacas por semana nesse período, e 100 sacas por semana nos meses restantes. Normalmente, sua renda anual bruta gira em torno de R$ 450.000, mas, durante a pandemia, caiu para R$ 350.000.

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    Antes da crise econômica o preço de uma saca padrão no atacado custava em média R$ 45, e agora está sendo vendida a R$ 25, devido à baixa no consumo, tanto por segmentos de restaurante e hotelaria, que precisaram diminuir as atividades, quanto pelo cidadão comum, que hoje, com pouco poder de compra, tem optado por alimentos mais básicos "

    , afirma Pontes.

     

    A chuva é outro fator que agrava a situação, pois, além de sua quantidade elevada poder danificar algumas árvores, dificulta o escoamento, já que o  plantio das laranjas é feito em uma área de ramal de mil quilômetros, onde apenas seis estão asfaltados. Durante o período chuvoso, há formações de atoleiros que atrasam a entrega dos produtos, além de quebrar os veículos, aumentando ainda o custo de produção.

    “O setor primário no Amazonas está regredindo. Rio Preto é uma cidade que está estagnada e abandonada em todos os setores. Muitos produtores rurais  migraram para outros lugares, principalmente para Roraima. Estamos vivendo uma das piores fases da citricultura local”, lamenta o produtor.

     

    E é para Manaus que 80% da produção é destinada, a fim de abastecer e suprir a demanda da capital
    E é para Manaus que 80% da produção é destinada, a fim de abastecer e suprir a demanda da capital | Foto: Arquivo/Em Tempo

    Produção

      O processo de cultivo começa com o preparo das mudas, que dura cinco anos entre a análise de solo, de folha e nutrição. Após esse período, elas entram em atividade comercial. As principais variedades produzidas pelo município são rubi, valência e, principalmente, pera. A fruta se destaca por ser doce e suculenta, devido à qualidade do solo, da adubação e principalmente do fotoperiodismo (tempo de luminosidade). No entanto, depois de três anos de alta produção, as laranjeiras costumam dar uma “recuada”, produzindo menos frutos.  

    Segundo a assessoria do Idam, pessoas que tenham acima de dois hectares de plantio de laranja já entram para a lista de produtoras, que hoje já conta com mais de 150 nomes. Rio Preto da Eva já ultrapassa mais de 1.800 hectares de área plantada.

     

    Rio Preto da Eva já ultrapassa mais de 1.800 hectares de área plantada
    Rio Preto da Eva já ultrapassa mais de 1.800 hectares de área plantada | Foto: Divulgação

    A quantidade de chuva do Amazonas também tem um lado positivo, visto que os produtores não precisam instalar irrigadores. Para o citricultor Hiran Filizola, 51,  apesar de o plantio ter um período de safra, plantar no clima amazônico ainda é melhor que plantar no Sudeste. “O clima amazônico é bom porque faz com que tenhamos produção durante todo o ano, diferente de São Paulo, por exemplo, que é só uma safra”, enfatiza.

    Feira da Laranja

    Anteriormente chamada de Festa da Laranja, a atual Feira da Laranja busca juntar oportunidades de negócio para os agricultores e promoção da cultura local para turistas. Além de promover o mercado de citricultura, a festa costuma movimentar a economia local.

    “O principal objetivo da Feira é promover capacitações e aproximar tecnologias para otimizar a produção rural, além de ser uma estratégia para otimizar o nosso comércio”, diz Ronisley Martins, secretário de Planejamento, Agroindústria, Comércio e Turismo da cidade.

      Para os produtores, o evento, que também faz falta, é uma importante vitrine para sua atividade, onde muitos participam de forma ativa, expondo os frutos e alguns derivados deles. Em decorrência da pandemia, a feira não aconteceu em 2020 e nem neste ano, com a previsão de ser promovida apenas entre agosto e setembro de 2022.  

    Mesmo com os problemas levantados, o economista Origenes Martins ressalta um ponto positivo nesse setor. Segundo ele, o consumo de frutas e verduras em Manaus costumava ser voltado para produtos vindos das regiões Centro-Oeste e Sul do Brasil, entretanto, mudou nos últimos anos.

    “Éramos praticamente dependentes totais do Centro-Oeste e do Sul, mas a produção local desenvolvida ao longo dos anos nos tornou mais independentes”, finaliza Martins.


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