Fonte: OpenWeather

    Bandeira vermelha


    Tarifa da conta de luz está 52% mais cara desde quinta-feira (1)

    Reajuste para agosto já está em planejamento e pode aumentar 90%

     

    A principal justificativa para o aumento da tarifa é a crise hídrica que o Brasil vem enfrentando
    A principal justificativa para o aumento da tarifa é a crise hídrica que o Brasil vem enfrentando | Foto: Divulgação

    Manaus- Conforme decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o valor da tarifa da bandeira vermelha 2 passou a valer R$ 9,49 pelo consumo de 100 kWh, na última quinta-feira (1). O aumento é de 52% em relação a junho.

    Apesar da bandeira vermelha 2 sofrer o maior reajuste, a amarela também terá um aumento, passando de R$ 1,34 para R$ 1,874 por 100 kWh. A vermelha 1 é a única com queda, saindo de R$ 4,16 para R$ 3,971 por 100 kWh consumidos. 

      A Aneel já prepara ainda um novo reajuste para o mês de agosto, que elevará o valor da bandeira vermelha 2 a R$ 12 por 100 kWh, valor 90% mais alto do que o cobrado no mês de junho. As bandeiras tarifárias são reajustadas anualmente, mas ficaram congeladas em 2020 como uma medida de emergência para ajudar a população com as contas durante a pandemia de Covid-19.  

    O analista judiciário João Carlos Salvador, 50, mora em Pauini, no interior do Amazonas, e paga, em média, R$ 250 por mês na conta de energia elétrica.

      Com baixa temperatura, que atualmente atinge o Amazonas, Salvador relata que no momento está conseguindo diminuir o consumo do ar-condicionado, item essencial na casa dos amazonenses que sofrem com o intenso calor. Além de controlar o uso do aparelho, ele também desliga todas as luzes quando vai dormir e só utiliza a máquina de lavar uma vez por semana. A geladeira é o único aparelho que fica sempre ligado.  

    Sobre o aumento na conta, o analista jurídico reclama que as distribuidoras, além de cobrarem caro, prestam um péssimo serviço.

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    O governo deveria intervir junto a essas empresas e tentar reduzir esses valores que, na minha opinião, são indevidamente cobrados. Por exemplo: o mês ainda nem terminou e já chega a fatura com vencimento do próximo mês; outra situação que eu sempre olho é o cabeçalho da fatura, onde fala os dias de consumo, e, às vezes, eu vejo 35, 32, 36 dias. Como pode cobrar 36 dias de consumo se não existe mês com esse número? O consumidor está sendo lesado "

    Salvador, critica

     

    Salvador ainda lembra que, em seu trabalho, chegam muitas denúncias a respeito de cobranças indevidas quanto à energia. “Eu conheço pessoas que usam duas lâmpadas em casa, não usam geladeira e nem televisão, e mesmo assim pagam em torno de R$ 80. Quando vão fazer alguma reclamação, os atendentes não conseguem responder com clareza o porquê desses aumentos abusivos. Por isso, futuramente, vou investir em placas solares, como já fazem muitos que moram na zona rural”, comenta.

    Na casa do contador Mateus Perez, 25, onde moram cinco pessoas, a conta chega a R$ 600. “Esse valor pesa, é uma despesa grande que nós temos. Uma estratégia que uso para a conta permanecer estável é, à noite, ligar o ar-condicionado até o ambiente ficar refrescante, e umas 3h da manhã desligar. Se esquentar, ligo o ventilador”, revela.

    Sobre o reajuste da Aneel, Perez fala que esse aumento vai doer no bolso de sua família, mas acredita que as pessoas menos favorecidas e afetadas pela pandemia vão sofrer ainda mais. “Essa porcentagem é muito alta. Chega a ser ridículo, visto que nesse momento, várias pessoas estão se reestruturando, como vão fazer?”, questiona.

    Crise hídrica

      A principal justificativa para o aumento da tarifa é a crise hídrica que o Brasil vem enfrentando, a pior dos últimos 91 anos, de acordo com o ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque. Com a diminuição das chuvas, ocorre a baixa no volume de água dos reservatórios de hidrelétricas – principal fonte de energia no país –, acarretando, portanto, a necessidade de acionar as termelétricas, que funcionam à base de carvão, gás ou óleo diesel, combustíveis fósseis e mais caros.  

    Em pronunciamento feito no último dia 28, o ministro das Minas e Energia afirmou que o sistema elétrico brasileiro evoluiu bastante nos últimos anos, interligando o sistema em escala nacional, e que o Governo Federal vem atuando em várias frentes de soluções, como reduzir a dependência das usinas hidrelétricas de 85% para 61%, expandindo as usinas eólicas, solares e de biomassa, além de termelétricas a gás natural e nucleares. "Hoje temos um setor elétrico robusto, que nos traz garantia do fornecimento de energia elétrica aos brasileiros, para enfrentar a situação”, garantiu Albuquerque.

    Na ocasião, o ministro aproveitou para pedir ajuda da população, para que se atente quanto ao desperdício e à economia. “Para aumentar nossa segurança energética, é fundamental que além dos setores do comércio, de serviços, e da indústria, a sociedade brasileira participe desse esforço, evitando desperdícios no consumo de energia elétrica. O uso consciente e responsável diário de água e energia reduzirá consideravelmente a pressão sobre o sistema elétrico”, ressaltou. 

     

    "Estamos na iminência de sofrermos um apagão", diz Corrêa
    "Estamos na iminência de sofrermos um apagão", diz Corrêa | Foto: Reprodução Internet

      O deputado estadual Serafim Corrêa afirmou ser válido o apelo feito pelo ministro, mas destacou que a possibilidade de o país reprisar a série de apagões vividos em 2001 é resultado da política ambiental do Governo Federal.  

    “Lamento e condeno que o Governo Federal tenha ao longo dos últimos tempos estimulado o avanço da devastação na Amazônia, das queimadas, aumentando a temperatura e, sobretudo, evitando chuvas, evitando os rios voadores, que vão da Amazônia para o Centro Oeste. (...) A verdade é que nem aumentando a conta de luz diminuiu o consumo. Estamos na iminência de sofrermos um apagão”, disse Serafim durante discurso na sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), na última terça-feira, 29.

    O economista Sóstenes Farias declara que o sistema de bandeira tarifária, que entrou em vigor em 2015, serve para provar que Brasil não tem energia elétrica suficiente para suportar a demanda.

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    O que ocorre é que, por falta de geração de energia de fontes alternativas, [a Aneel] fica utilizando esse artifício [aumento] para iludir a população, para forçar que todos economizem no consumo, o que eu chamo de ‘chantagem’, e que já ocorre desde 2015, infelizmente "

    Farias, desaprova

     


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