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    Crise Hídrica


    Governo cria taxa de "escassez hídrica" e conta de luz sobe quase 7%

    Essa nova bandeira é ainda mais 'grave' que a vermelha 2, que vinha sendo aplicada, e deve ser mantida até abril de 2022

     

    Leito seco do rio Grande em uma das usinas de Furnas em Minas Gerais
    Leito seco do rio Grande em uma das usinas de Furnas em Minas Gerais | Foto: Guilherme Baffi/Diário da Região

    Com a falta de chuvas e consequente falta de água nas usinas para tocar as hidrelétricas brasileiras, haverá nova bandeira tarifária da conta de luz, anunciada nesta terça-feira (31), pelo governo federal.

    A taxa de escassez hídrica vai adicionar R$ 14,20 às faturas para cada 100 kW/h consumidos e começa a valer já amanhã (a previsão é que permaneça até abril de 2022). Isso representa uma alta de 49,63% com relação aos R$ 9,49 da bandeira vermelha patamar 2, em vigor nos últimos meses. Mas na prática, diz o governo, a conta vai aumentar em 6,78%.

    O sistema de bandeiras tarifárias é uma cobrança adicional que repassa ao consumidor o custo da produção de energia. A "atualização" divulgada agora decorre da piora da crise hídrica, que tem exigido medidas adicionais do setor elétrico para não faltar energia em outubro e novembro (serão os meses mais críticos do ano). 

      "Assim, tendo em vista o déficit de arrecadação já existente, superior a R$ 5 bilhões, e os altos custos verificados, destacadamente de geração termelétrica, foi aprovada determinação para que a ANEEL implemente o patamar específico da Bandeira Tarifária, intitulado “Escassez Hídrica”, no valor de R$ 14,20 / kWh, com vigência de 1º de setembro de 2021 a 30 de abril de 2022", informou o governo em nota.  

    Nesta terça, o governo também anunciou que dará desconto de R$ 0,50 por kWh economizado nas faturas dos próximos meses para os consumidores que pouparem entre 10% e 20%.

    Com a nova bandeira, o governo evitou reajustar em cerca de 50% a bandeira vermelha nível 2, que passaria de R$ 9,49 para cerca de R$ 14 durante esse período. Sem o reajuste, Jair Bolsonaro evita desgaste em sua popularidade.

    Assessores do Palácio do Planalto avaliam que a adoção de um racionamento no momento prejudicaria ainda mais Jair Bolsonaro em sua campanha pela reeleição. O presidente vê sua popularidade despencar diante de medidas contra a pandemia e da degradação do cenário econômico.

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