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    Economia


    Cisper da Amazônia fecha as portas no PIM

    A empresa Cisper da Amazônia, ligada à produção de moldes para embalagens e utilidades domésticas de vidros encerrou suas atividades no Polo Industrial de Manaus nesta sexta-feira (11), firmando acordo de vantagens com 67 funcionários.
    As informações foram divulgadas pelo Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal), de acordo com o qual os representantes da fábrica alegaram não haver condições de concorrer em ‘pé de igualdade’ em termos de custos de produção com o setor Termoplástico local.
    Segundo a secretária geral do Sindmetal, Dulce Rodrigues Sena, responsável pela mediação entre os operários e a diretoria da Cisper, o acordo garante, entre outros benefícios sociais, o pagamento integral, a partir da próxima sexta-feira (18), do último salário acrescido do quinquênio mais abonos.
    “A empresa atendeu à pauta de reivindicação dos trabalhadores, garantindo que todos eles terão direito a usufruir do plano de saúde e odontológico, auxílio-creche no valor de R$ 300 e a PLR [Participação nos Lucros e Resultados] por até seis meses”, afirmou a representante do Sindmetal.
    Dulce explicou que a Cisper fazia pouca rotatividade da mão de obra, o que levou a empresa a manter trabalhadores com mais de cinco anos nas suas linhas de produção. “Por isso, o acordo trabalhista assinado hoje também prevê que se um empregado com mais de cinco anos de casa que recebia R$ 800, por exemplo, deverá receber o dobro dessa quantia. Já aqueles com mais de 15 anos deverão receber o salário multiplicado por três”, explicou.
    Para o presidente do Sindicato das Indústrias Metalmecânicas de Manaus (Sinmem), Athaydes Félix Mariano, o encerramento da produção da Cisper no PIM deve ser vista com cuidado, já que não é um bom negócio para a atratividade de novos investimentos.
    Mariano afirmou que assim como a Cisper, outras empresas poderão também optar por produzir fora de Manaus, se não forem dadas condições suficientes para tornar vantajosa a produção local.
    “O capital não tem pátria. Ele migra para onde for mais vantajoso investir e onde a produção ficar mais competitiva em termos de mercado. Assim aconteceu em outras regiões, como o Japão, por exemplo, onde o custo da mão de obra ficou caro, fazendo as indústrias migrarem para Taiwan e depois para Índia e China. É preciso um mecanismo de compensação. O nosso país já não mais é uma região com baixo custo de produção. É uma pena a saída da Cisper”, disse.
    A Cisper chegou a Manaus em 1990 e atendia, além do mercado nacional, uma parcela significativa do mercado da Venezuela, Porto Rico, Colômbia, Chile, Argentina, Bolívia e Paraguai entre outros. Ela vai manter a unidade em São Paulo.