Fonte: OpenWeather

    Editorial


    Chega de desculpa. Tolerância zero, já!

    O mais recente insulto à cidadania brasileira renasce das cinzas da boate Kiss, de Santa Maria. Proprietários da casa de shows e seus advogados de defesa, aliados àqueles que deveriam ser autoridades constituídas do município gaúcho, mas se revelaram cafetões do acanalhamento da cidade, desfilam a tese de que o incêndio foi uma fatalidade “que só Deus pode explicar e aplacar a dor” dos que ficaram para chorar os mortos e os mutilados.
    Da mesma maneira como repercutiu, nacional e internacionalmente, o efeito retardado do incêndio, que uma promotoria decente enquadraria na figura jurídica do dolo eventual, e não culposo, em Manaus, os proprietários e/ou arrendatários (mais de 50, nos últimos três dias) dos prédios interditados pela prefeitura estão tentando mostrar-se ao público, que eles enganaram por muito tempo, como “vítimas” de uma ação, do seu ponto de vista, “precipitada” do Executivo (pois do Legislativo não se espera muito ou quase nada) municipal. Esses empresários do lazer exigem que a prefeitura deva ser “mais tolerante” e deveria notificá-los de que estavam na contramão da legalidade e não interditar suas atividades, ameaçando milhares de empregos. As funerárias também perderam milhares de (futuros) negócios, mas não engrossaram o coro desses “injustiçados”.

    Em Santa Maria não houve fatalidade. Houve, como em Manaus, irresponsabilidade e negociata, em prejuízo da segurança pública. Quem deve reclamar das duas prefeituras são os frequentadores incautos dessas armadilhas.

    Na verdade, o que existe é tolerância em excesso com pequenas, médias e grandes transgressões e achincalhamento dos direitos dos cidadãos. Qual o proprietário de qualquer dessas casas não sabe ou não sabia que suas atividades estavam e estão se dando em “área de risco”?

    E houve e há tolerância demasiada do governo do Estado, pois o Corpo de Bombeiros é de sua jurisdição e tem ou deveria ter capacidade técnica e legal para interditar esses locais em que o único respiradouro é a bilheteria. Os inocentes estão mortos ou mutilados. Está na hora de o poder público no Amazonas exercer a tolerância zero com todo e qualquer tipo de delito. Essa postura tem dado certo onde a propina não garante alvará de funcionamento. E a autoridade está a serviço do povo e para o povo e não da produção de ilícitos.