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    Editorial


    Os caras-pintadas voltam em versão high-tech

    Eles voltaram, mas ao invés das caras-pintadas, que evidenciaram os jovens e adolescentes que se pintaram e saíram às ruas do país clamando, em protesto, pelo impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello, o apelo, 21 anos depois, ganha contornos típicos da atual época: o uso dos recursos cibernéticos como ferramenta de ação e reação.
    Se em 1992 o movimento estudantil “arrancou” Collor de sua cadeira no Planalto, duas décadas depois outro motim se apresenta para destronar um conterrâneo do ex-presidente da República. Trata-se do presidente recém-eleito para assumir o assento de destaque do Senado, Renan Calheiros.

    Mesmo antes da eleição, com cartas marcadas, o povo já se mobilizava para tentar sensibilizar os senadores a deixarem de lado o corporativismo e impedirem a ascensão de Calheiros ao cargo de presidente do Senado. Um grupo de ativista chegou a levar de presente aos jardins da casa legislativa 81 baldes, vassouras e panos de chão como forma de protesto e pela exigência de um mandatário ficha limpa. Não adiantou nada!

    E, embora pesasse contra Renan Calheiros os crimes de peculato, falsidade ideológica e uso de documentos falsos, acusações oferecidas ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, os senadores não se convenceram.

    Entram, então, em cena, os internautas que se mobilizam em uma campanha nas redes sociais cujo objetivo é levantar mais de 1,3 milhão de assinaturas para fortalecer um abaixo-assinado como forma de impulsionar o impeachment de Renan.

    Se vai valer a pena todo o esforço ainda não se sabe. Os especialistas acreditam que, se o ato em si não tem força jurídica, pelo menos demonstra que o povo não se curva ante aos absurdos que se apregoam e se aprovam na capital federal.

    Ressalta-se, aqui, que foi por meio de um apelo popular que a lei da “ficha limpa” tomou força e, embora ainda não tenha consistência e status, já é um começo para quem não tinha nada com o que se agarrar.