Fonte: OpenWeather

    Editorial


    Apagão é um problema recorrente no Amazonas

    O doutor em energética Heitor Scalambrini Costa escreveu ontem, em seu artigo na agência Adital, que “2011 e 2012 ficarão marcados como os anos das tarifas astronômicas e das interrupções temporárias no fornecimento de energia elétrica”. Ele cita o modelo mercantil empregado pelo governo federal, que prioriza a oferta de energia, desprezando a “diversificação da matriz energética com as novas fontes renováveis e a consequente eficientização no uso dessa energia”.

    Muito se falou, durante todo o ano de 2012, sobre os apagões no Brasil. No Sudeste especialmente. Não comentam por lá, talvez por falta de interesse ou conhecimento, o que se passa no Amazonas, cujo fornecimento de energia elétrica é precário e a única eficiência é a chegada pontual da conta de luz na caixa de correio. Se um temporal desaba sobre o Amazonas, muitas cidades ficam sem energia. Quando o temporal se vai, a escuridão e o calor permanecem.

    Somando-se o fato de que vivemos abaixo da linha do Equador, pontuados por duas estações do ano – que muitos costumam chamar de estação do calor e estação do inferno –, o que nos sobra? Um serviço de péssima qualidade e um preço muito – mas muito – alto a pagar. De volta a Scalambrini, ele comenta que 2013 “começa diante de declarações e ameaças sobre a possibilidade de um risco iminente de um novo desabastecimento de energia elétrica”. Para nós, o assunto é recorrente.

    O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) admitiu que os níveis dos reservatórios estão abaixo do normal, menor do que o verificado em 2001, quando houve o último racionamento de energia elétrica no país. Conforme a Agência Brasil, em todos os subsistemas, o nível dos reservatórios está abaixo ou próximo da Curva de Aversão ao Risco (CAR). No Nordeste, o nível dos reservatórios está em 30,96%; na Região Norte, em 40,48%; e no Sul, em 40,39%.
    Esse assunto será discutido hoje, na reunião do Conselho de Monitoramento do Setor Elétrico, onde será analisada a situação energética do país. Que o Norte, especialmente o Amazonas, seja colocado em pauta com as prioridades que merece e as necessidades até hoje insolúveis, que já viraram um círculo vicioso, um eterno apagão em nossa história.