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    Editorial


    Tarifa de ônibus pode alterar índice de inflação

    O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Antônio Henrique Silveira, reconheceu, na quarta-feira 16, que existe uma defasagem no preço dos combustíveis de cerca de 7%, mas sustentou não haver decisão do governo sobre reajuste. A presidente da Petrobras, Graça Foster, “não fala sobre o assunto”. Mas tem fogo sob essa fumaça: o ministro Guido Mantega está articulando ações anti-inflacionárias junto aos governos estaduais. Algumas simples.
    Por exemplo: junto aos governos do Rio de Janeiro e São Paulo, ele pediu que segurem o reajuste nas tarifas do transporte coletivo neste primeiro semestre. O Ministério da Fazenda teme que o reajuste das passagens do transporte urbano nas principais regiões metropolitanas do país pressione demais o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial. Combinado com o aumento previsto dos combustíveis e com altas tradicionais de início de ano, como mensalidades escolares, o governo teme que o índice suba para próximo de 1% e alimente as expectativas inflacionárias para o ano.
    Uma equação difícil de resolver, essa que enfrenta o governo federal. O aumento do combustível provoca, como se sabe, um efeito cascata... e tudo aumenta em sua esteira. Que a presidente da Petrobras se recuse a “falar do assunto” é sintomático de que o aumento não demorará a ser anunciado. A fala do secretário Antônio Henrique Silveira – existe uma defasagem de cerca de 7% no preço dos combustíveis – também não deixa dúvidas de que o governo não poderá segurar o aumento por muito tempo.
    Em Manaus, o prefeito Arthur Neto sofre o condicionamento do aumento do combustível, depois de receber pressão das empresas que dominam o transporte coletivo na cidade e, para serem mais fortes, cooptam os trabalhadores rodoviários, alinhando  aumento dos salários ao da tarifa dos coletivos. União, Estado e municípios estão aperfeiçoando o jeitinho brasileiro, um recurso que o jornal britânico “Financial Times” define como o hábito nacional de se desviar das regras ou convenções por meio de táticas “altamente criativas” e beirando a ilegalidade. O aumento virá. Só falta uma boa desculpa.