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    Editorial


    ‘Choque de ordem’ tem significado restabelecido

    Às 7h30 de hoje, o prefeito Arthur Neto (PSDB) reúne na sede do governo municipal com o seu secretariado, em número reduzido. Logo depois da sua posse, dia 1º, o tucano comandou um mutirão de limpeza, à noite, à frente de uma legião de garis e uma frota de caminhões. Ontem, Arthur anunciou sua insatisfação com o aumento de salário, no apagar das luzes, com que a Câmara se presenteou e, para firmar seu descontentamento recusou o aumento que os vereadores também concederam ao prefeito, como que para cooptá-lo nesse avanço contra os cofres públicos. Em seu discurso no Teatro Amazonas, durante a posse no dia 1º, Arthur Virgílio deixou bem claro que a cidade receberia um “choque de ordem”, embora essa expressão tenha sido desmoralizada mais de uma vez por mais de um agente público, a ponto de não ser mais acreditada nem pelo mais fanático dos crédulos. Não demorou muito e o novo prefeito restabeleceu o crédito do choque de ordem e a cidade a todo momento vê ou tem notícia da sua presença em alguma frente de trabalho. A mobilidade de Arthur soa como uma bem articulada campanha de marketing, principalmente aos cidadãos de uma capital de Estado acostumados a sentir desanimados as administrações do município funcionarem sob a lei da inércia ou, por um descuido, ao sabor da lei da gravidade. Na verdade, as ações de novo prefeito são tão óbvias que se pode perguntar por que não foram realizadas pelos governos municipais que o sucederam. Por que se discutiu mais a relação da concessionária Manaus Ambiental, sucessora da Águas do Amazonas, com o poder público, do que se tentou abastecer de água as zonas Norte e Leste da cidade, as mais prejudicadas entre as menos favorecidas? E a questão do transporte coletivo que virou um mistério tão intrincado que foi necessário trocar um superintendente por um delegado da Polícia Federal? Neste início de governo, Arthur Virgílio está mostrando que Manaus tem sido governada pela falta de vontade política para resolver problemas e, principalmente, pela má-fé, esta, no mínimo, instruída para conceber o povo desta cidade reduzido à resignação mais infame diante de um destino que não pudesse ser mudado pelo voto.