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    Alcoolismo


    Abuso de bebidas alcoólicas avança entre mulheres

    A psiquiatra Ana Cecília Marques, da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead), considera que a tendência vem dos anos 1980 e a expectativa é de que mulheres logo se equiparem aos homens no consumo de bebidas

    Mulheres têm menos enzimas para metabolizarem o álcool no fígado e isso faz com que a bebida se distribua mais rapidamente pelo corpo
    Mulheres têm menos enzimas para metabolizarem o álcool no fígado e isso faz com que a bebida se distribua mais rapidamente pelo corpo | Foto: Divulgação

    Pesquisa da Vigitel aponta que cresceu mais entre as mulheres o uso abusivo de bebida alcoólica. Passou de 7,7% em 2016 para 11% no ano passado. Entre os homens, a porcentagem passou de 24,8% há 12 anos para 26% na pesquisa atual. Somados, os dados totais chegam a 17,9% da população adulta.

    O Ministério da Saúde considera uso abusivo a ingestão de quatro ou mais doses entre as mulheres e cinco ou mais entre os homens, em uma mesma ocasião, nos últimos 30 dias. A dose corresponde a uma lata de cerveja, uma taça de vinho ou uma dose de cachaça, uísque ou qualquer outra bebida destilada. 

    Os dados mostram também que entre os homens isso é mais frequente na faixa etária de 25 a 34 anos (34,2%) - e entre as mulheres nas idades de 18 a 24 anos (18%). O menor porcentual entre os homens e mulheres foi observado em pessoas com 65 anos ou mais. 

    Tendência desde 1980

    A psiquiatra Ana Cecília Marques, da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead), considera que a tendência vem dos anos 1980 e a expectativa é de que mulheres logo se equiparem aos homens. "As meninas se aproximavam dos meninos quanto à idade de iniciação, depois veio a semelhança no padrão de consumo e agora as mulheres alcançarão os homens em relação à taxa de dependência", disse. Para ela, a falta de políticas para tratar as consequências do uso de bebidas alcoólicas explica o fenômeno.

    O supervisor do grupo de estudos de álcool e drogas do Hospital das Clínicas, Arthur Guerra, alerta para o fato de mulheres, em geral, terem menos enzimas que metabolizam o álcool no fígado e, geralmente, terem menos massa corporal. "O álcool fica distribuído no corpo, e especialmente no cérebro, de forma mais rápida", alerta. Ele também chama a atenção para o aumento do consumo no público de 18 a 24 anos. "Quanto mais cedo a pessoa começa a beber, mais vulnerabilidade ela tem para desenvolver um problema com a bebida."

    O ministério lembra que não existe limite tolerável para o uso de bebida alcoólica e ressalta que são ofertados atendimentos gratuitos a pessoas que sofrem com a dependência alcoólica, com destaque para os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) "onde o paciente recebe atendimento próximo da família com assistência multiprofissional".

    Ingestão é tóxica e já responde por 1,45% das mortes

    Dados inéditos do ministério, divulgados nesta quinta-feira, 25 apontam que, entre 2000 e 2017, 1,45% do total de óbitos no Brasil é totalmente atribuído à ingestão abusiva de bebidas, como doença hepática alcoólica. "Quando verificado o número de mortes entre os sexos, os homens morrem aproximadamente nove vezes mais do que as mulheres por causas totalmente atribuídas ao álcool. Os óbitos excluem acidentes e violências e outras causas parcialmente atribuídas", informou o ministério.

    Em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde OMS), mais de 3 milhões de homens e mulheres morrem todos os anos pelo uso nocivo de bebidas alcoólicas e 5% das doenças mundiais são causadas hoje pelo álcool.