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    Sexualidade


    Ejaculação feminina é mito ou verdade? Especialista responde

    Sexóloga esclarece essa e outras dúvidas interessantes sobre o assunto. E aprenda informações importantes sobre prazer e sexualidade

    A ejaculação depende do organismo de cada mulher
    A ejaculação depende do organismo de cada mulher | Foto: Reprodução

    Manaus – A ejaculação feminina existe? Essa é a principal dúvida sobre os mitos e verdades sobre sexualidade feminina. Para esclarecer o tema, a especialista explica ao Portal EM TEMPO sobre a existência da ejaculação e os seus principais mitos, que rodeiam homens e mulheres.

    A psicóloga e sexóloga Neyla Silveira, afirma que a ejaculação feminina é também conhecida como squirt ou esguicho existe. E tal existência ocorre devido as mulheres possuírem a glândula de Skene, que é responsável por expelir pela uretra, durante a estimulação, o líquido viscoso, sem cor e sem cheiro diferenciado dos demais líquidos que a mulher pode expelir. "O liquido não é urina e nem lubrificação vaginal, até porque a quantidade é menor, ainda que muitas mulheres cheguem a jorrar”, destaca a sexóloga. 

    A sexóloga destaca também que a ejaculação  depende do organismo de cada mulher, que é normal mulheres ejacularem em grande, pouca ou nenhuma quantidade durante as relações sexuais e que nenhuma dessas características representam algum tipo de doença ou problema da mulher. "Todas as mulheres podem atingir esse ponto por terem glândulas de skene, mas somente algumas são estimuladas da forma correta. É normal que nunca aconteça ou possar acontecer repetidamente”, destaca Neyla. 

    Entre um dos mitos sobre a ejaculação feminina é que está associado ao prazer que a mulher possui durante as relações sexuais. E segundo Neyla Silveira, a ejaculação feminina é muito diferente da ejaculação masculina. “Diferente de como acontece com os homens, a mulher pode atingir o orgasmo sem ejacular e ter prazer durante o sexo. E  prova disso é que mulheres que já ejacularam nem sempre repetem o feito, mas atingem o orgasmo normalmente e sentem muito prazer sim”, destaca a sexóloga.

    Sexualidade feminina é tabu na sociedade.

    Neyla Silveira destaca que somente cerca de 10% a 20% das mulheres no mundo já ejacularam ou vão ejacular nas relações sexuais e esse fato está associado ao autoconhecimento da mulher com o próprio corpo e os tabus gerados na sociedade em afirmarem que é errado a mulher sentir prazer no sexo.

    "O prazer sexual feminino sempre foi um tabu, então tudo que esteja associado a ele vira assunto para se falar em voz baixa. É importante analisar por alguns lados essa questão", destaca a sexóloga. 

    A sexóloga destaca que os relatos de mulheres com vergonha do fato de ejacularem é muito comum. "Algumas mulheres relatam vergonha ao ponto até de se privarem de relações sexuais por medo de algum julgamento do parceiro, assim como existem também as mulheres que se frustram por nunca atingirem o orgasmo",  enfatiza a especialista. 

    Para Neyla Silveira os fatores sociais são muito fortes e o esclarecimento sobre a existência da ejaculação feminina e o fato de ser uma consequência natural e biológica, também depende de cada mulher. E que o medo, desinformação e julgamento devem acabar. "A mulher não é obrigada a jorrar um líquido para ter um orgasmo ou mesmo sentir prazer", destaca Neyla. 

    Além do autoconhecimento, compreensão de que organismos são diferentes, e tabu da sociedade, a indústria pornografia também contribuiu para a imagem errada sobre ejaculação feminina. "Não assim como não podemos contribuir para a criação de mais uma imposição para as mulheres, de que ela tem que ejacular igual as atrizes pornôs, afinal na maioria destes casos são squirts fakes (ejaculações falsas)", complementa a especialista. 

    Enciclopédia da sexualidade feminina

    A dúvida sobre a existência da ejaculação feminina e o tabu da sociedade foi o ponto para o sucesso da jornalista americana Zoe Mendelson, com a Pussypedia, conhecido mundialmente como a enciclopédia da vagina. 

    No site da enciclopédia da vagina, Zoe Mendelson destaca que a dificuldade de encontrar informações sobre a ejaculação feminina nos resultados de pesquisa na internet e o tabu que, mesmo com muitos movimentos femininos sobre a questão, ainda não são suficientes.