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    Assistência


    Distribuição de absorventes ganha apoio e gera empatia entre mulheres

    A distribuição gratuita de absorventes é uma forma de promover a saúde de mulheres em situação de vulnerabilidade socioeconômica

    A distribuição de absorvente ajuda a combater a candidíase em mulheres em situação de rua | Foto: Reprodução

    Manaus - Atualmente, a deputada estadual Tabata Amaral (PDT-SP) apresentou um projeto de lei que garante a distribuição de absorventes de forma gratuita a mulheres em condições de vulnerabilidade financeira ou social. Em Manaus, a União Brasileira de Mulheres (UBM-AM) coordena o projeto "Mulheres por Elas", que busca coletar itens de higiene para destinar a mulheres vulneráveis ou não. 

    Projeto de Lei

    Mas, o projeto de lei se iniciou com a historia de uma diretora da rede pública da Bahia que descobriu que um dos motivo pelo qual suas alunas faltavam as aulas estava ligado à falta de absorventes para uso durante o período menstrual. 

    Há cinco anos, a professora Edicleia Pereira Dias, que atua como diretora da escola municipal Cosme de Farias, localizada na periferia de Camaçari, na Bahia, começou a investigar o porquê de suas alunas meninas faltarem às aulas pelo menos cinco dias por mês sem aviso.

    Em conversas com as alunas, ela descobriu que o motivo estava ligado ao ciclo menstrual. Mas o problema não eram as cólicas ou desconfortos, mas sim a falta de absorventes durante a menstruação. 

    "Elas usavam panos ou papéis higiênicos e tinham medo de ir à escola e os panos caírem ou não suportarem o fluxo menstrual, foi quando eu comecei a levar absorventes e outras funcionárias também passaram a levar para auxiliá-las", explicou a diretora.

    Doações

    Através de uma postagem da bailarina Ângela Cheirosa, que dar aulas de dança na escola, a instituição passou a receber inúmeras doações de absorventes, fazendo com que fosse produzido um banco de absorventes na escola. Atualmente, os banheiros da instituição são abastecidos pelos absorventes e as alunas passaram a aceitar o período menstrual de forma mais simples. 

    "É preciso entender que ter acesso a absorventes é ter acesso à higiene. Hoje, elas são empoderadas. Nós distribuímos até mesmo absorventes para que elas levassem durante as férias escolares, e isso é uma forma de se sentirem seguras. A menstruação ainda é vista como tabu, algo nojento, e essa atitude que tomamos foi uma forma de elas se aceitarem e entenderem que menstruar é normal", ressaltou a professora.

    Após o caso se tornar público, vários internautas passaram a levantar a hastag #Livreparamenstruar.

    Manaus 

    Em Manaus, as coletas serão feitas em universidades, escolas e até mesmo nos transportes coletivos. Segundo a coordenadora do núcleo da UBM na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Leticia Carvalho, o projeto é importante para conscientizar que a menstruação precisa ser uma temática importante na saúde pública. 

    "Duas em cada dez mulheres brasileiras não têm acesso à higiene pessoal básica e isso acarreta inúmeros problemas na saúde da mulher como a candidíase. A pobreza menstrual é um ponto que precisa ser debatido, para que o poder público seja ciente de que as mulheres em situações de rua e de vulnerabilidade socioeconômica sofrem com a falta de higiene", ressaltou Letícia. 

    Após as coletas, as participantes do projeto devem produzir kits de higiene e entregar para as mulheres que são alvo dessa problemática. Segundo o Fundo Manaus Solidaria, é realizado ações pontuais de assistência social a pessoas que se encontram em situação de rua. Nas ocasiões, onde há distribuição de absorventes e outros itens básicos de higiene pessoal, são realizadas ações direcionadas às mulheres. No entanto, não se trata de uma ação contínua.

    Campanhas

    Atualmente, as campanhas de distribuição de camisinhas na sociedade é presente em todas as épocas do ano como forma de prevenção a DST's e à gravidez precoce. As campanhas são recebidas de forma positiva na sociedade e em alguns casos podem até facilitar a abordagem a assuntos como sexo, que, em muitos casos, está diretamente ligado à menstruação. Para a acadêmica de direito Lauana Viana, a distribuição de absorventes facilitaria não só as mulheres em questão de vulnerabilidade, mas também aquelas que são pegas desprevenidas em algum momento. 

    "Algumas vezes, quando vamos pedir absorvente para uma amiga ele precisa ser entregue escondido. Então, é importante que as escolas falem de menstruação e naturalizem esse momento. Eu vim de uma escola que fornecia absorvente às meninas e isso me salvou diversas vezes. A mulher não é culpada e nem errada por menstruar, é extremamente comum que você viva esse momento, então para mim as escolas e universidades devem prover esse amparo às mulheres", esclareceu a acadêmica. 

    Solidariedade

    A pedagoga Adria Assis lembra que ao frequentar a faculdade fazia uso das caixinhas solidárias instaladas nos banheiros femininos. "Seria ótimo se os ambientes públicos também fornecessem esses serviços, assim todo mundo podia ajudar deixando um absorvente para quando outra pessoa precisasse. Absorvente é produto de higiene, como papel higiênico e sabão, não vejo motivo para não estarem presentes em locais que visam à necessidade básica da população", reforçou o pedido.

    Atualmente, alguns banheiros femininos em shoppings fornecem absorventes ou até botões de auxilio, que, ao serem acionados, profissionais mulheres trazem medicamento para cólicas ou auxiliam se as roupas estiverem sujas, além dos serviços também são deixados anúncios para que outras mulheres possam deixar absorvente a outras que virão.