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    Segurança digital


    Manda nudes? Saiba os perigos por trás da prática

    Durante a quarentena, pode surgir a vontade de trocar aquelas fotos ou vídeos picantes. Mas, não faça antes de ler essas informações

    | Foto: imagens rc

    Manaus - Com a chegada da tecnologia digital no cotidiano da sociedade, muitas atividades migraram da realidade física para a virtual. Uma delas foi o sexo, que ganhou até um nome em inglês. 'Sexting' é o ato de trocar imagens ou vídeos eróticos on-line. Mas, com a prática, surgiram também novos perigos, dentre eles a exposição na internet. 

    Não é difícil encontrar quem goste de trocar os famosos nudes. Lucas Blazute é um participante do reality show 'The Circle Brasil', da Netflix. Na primeira temporada do programa, ele  falou abertamente que "um nude e um copo com água não se nega a ninguém". A frase logo correu as redes sociais e foi replicada por várias pessoas que se identificaram.

    Mas, há um lado que por vezes pode ser pouco comentado sobre o Sexting. O perigo que as imagens ou vídeos se espalhem pela internet e a pessoa seja exposta. Aconteceu com famosos como o youtuber Felipe Neto, a cantora Luisa Sonza e o ator Caio Castro.

    "Os nudes, que são imagens ou vídeos sensuais do corpo ou parte dele não são proibidos. É uma atitude comum e quando feita entre pessoas que têm consciência da situação é algo normal", comenta o advogado Aldo Evangelista, especialista em Segurança Digital. 

    Onde mora o perigo?

    A Delegacia Interativa do Amazonas registrou 34 crimes por difamação, em 2019. Aldo abre a discussão para alguns pontos necessários de se observar ao praticar o Sexting. Segundo ele, um vazamento de nude pode ocorrer por ação de hackers, invasão de privacidade ou mesmo ameaça de ex-parceiros.

    "Chamamos de crackers os 'hackers do mal'. São eles que podem acessar conteúdo pessoal de outras pessoas na internet. Os crackers conseguem invadir as redes sociais ou mesmo os sistemas de nuvem, como Google Drive, OneDrive e outros", comenta o advogado.

    Ele explica que após os crackers terem acesso aos nudes, costumam fazer ameaças às  pessoas donas das imagens, geralmente pedindo dinheiro, em troca de não expor o material publicamente.

    Já a invasão de privacidade pode acontecer quando, facilmente, terceiros conseguem obter imagens ou vídeos eróticos no dispositivo da pessoa. Aldo cita alguns exemplos, como pessoas que vão consertar o celular ou computador, e também criminosos que vierem a furtar um dispositivo.

    Aldo costuma participar de palestras sobre comunicação e segurança digital
    Aldo costuma participar de palestras sobre comunicação e segurança digital | Foto: João Gonçalves

    "Quanto aos ex-parceiros, é porque pode acontecer também de um casal trocar nudes durante a relação, e ao término, um dos lados começar a ameaçar divulgar as imagens do outro. É mais comum do que se pensa e se chama pornografia de vingança", afirma o especialista.

    Aldo cita uma situação extra, mas que também merece atenção. É o caso de pessoas e quadrilhas que criam perfis falsos na internet para se passarem por outras. Com a prática, os criminosos conversam com pessoas reais e sugerem a troca de nudes. Depois de terem a foto da pessoa, utilizam a extorsão para arrancar dinheiro da vítima. 

    Dicas na hora de mandar nudes

    Como especialista em Segurança Digital, Aldo diz que a melhor opção é que as pessoas não mandem nudes, para assim, evitarem exposição. Mas, como a situação é irreal, o profissional orienta para outros cuidados. Veja abaixo:

    - Fique atento se o seu dispositivo tem um bom antivírus;

    - Coloque senha ou outro tipo de proteção no seu dispositivo;

    - Saber exatamente de onde a outra pessoa fala;

    - Evite salvar nudes em plataformas online, como redes sociais e sistemas de nuvem;

    - Não adicione pessoas desconhecidas nas redes sociais;

    Cabe processo

    Em 2018, o então presidente do Supremo Tribunal Federal, José Antonio Dias Toffoli, sancionou a lei de importunação sexual, que torna crime o compartilhamento de nudes sem consentimento da pessoa.

    A regra vale para qualquer pessoa que publicar, compartilhar ou vender imagens e vídeos de sexo, nudez ou pornografia de outra pessoa, sem ela ter autorizado. Caso infrinja a lei, o réu poderá cumprir de um a cinco anos de prisão. 

    A chamada 'pornografia de vingança', mencionada pelo advogado entrevistado nesta reportagem, pode ainda ter uma pena maior. Se a pessoa que divulgou o nude tiver tido relação sexual com a pessoa, o tempo de reclusão pode ser até dois terços maior, de acordo com a nova lei.

    Aldo explica que não há uma tipificação penal para quando criminosos pedem favores sexuais para não expor nudes de uma pessoa, mas que no caso do dinheiro, há também o crime de extorsão que pode ser adaptado para o caso on-line.

    Documentos para processar

    O advogado lembra que quando se trata de crimes cibernéticos. As pessoas costumam salvar muitos prints (capturas da tela dos dispositivos), mas que essa é uma atitude errada. Ele, que trabalha diariamente com os casos, diz que juristas costumam contestar as provas, porque prints podem ser alterados digitalmente.

    "O melhor mesmo é procurar logo um advogado e em seguida ir á delegacia. Policiais podem fazer uma perícia no seu dispositivo para comprovarem a situação e também identificar quem é o agressor/acusado", orienta o especialista.

    Ele explica que policiais conseguem ter acesso ao IP de quem ameaça a vítima. Com isso, conseguem saber exatamente a localização e a identidade do acusado, facilitando os trâmites judiciais. 

    Onde ir

    Em Manaus, a Delegacia Interativa da Polícia Civil do Amazonas, que trata dos crimes virtuais, fica localizada no interior da Delegacia Geral da PCAM, na Avenida Pedro Teixeira, Dom Pedro, em frente ao Sambódromo. O telefone é o 92 3214-2235, e o e-mail: [email protected]