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    Quarentena


    Relacionamento virtual: confira dicas de segurança e saúde mental

    Durante a pandemia de coronavírus, plataformas de relacionamento registraram aumento nas interações e nos perfis. Mas nem tudo são flores. Saiba quais cuidados na hora de se relacionar

    Relacionamentos virtuais estão em alta, mas também é necessário ter cuidado na hora de conhecer alguém | Foto: Pixabay

    Manaus - Os aplicativos e plataformas de relacionamento não são uma novidade. É difícil hoje não conhecer alguém que já começou um namoro e até casou depois de um bate-papo on-line. Mas, como quase tudo tem se tornado novidade na pandemia da Covid-19, os relacionamentos virtuais têm mais do que entrado na moda. São, praticamente, a única forma de se conhecer alguém de forma segura. E os números já mostram isso. 

    Tinder, a mais famosa plataforma de relacionamentos do mundo, registrou um aumento de 25% nas interações diárias, em países europeus e também no Brasil. Segundo a plataforma, as conversas pelo APP já estão até mais longas, com aumento de 20% no País Tropical. 

    Outros aplicativos e plataformas de relacionamento registraram aumento de perfis e interações, como Grindr, Hapn, e Bumble. Alguns deles, como o primeiro citado, até liberaram recursos antes exclusivos para a versão paga. 

    Natanael Silva (nome ficcional), de 21 anos, é um manauara ligado em aplicativos de relacionamento. Ele já utilizava o Tinder e o Grindr antes mesmo da pandemia e diz já ver mudanças desde que o novo coronavírus chegou no Brasil e no Amazonas.

    "Antes o Grindr [app de sexo para quem sente atração por homens] tinha muitos perfis com caras propondo sexo naquele momento e agora isso mudou. Eu mesmo coloquei no meu perfil que não estou mais saindo de casa", conta o jovem.

    Ele diz que ainda assim, é possível encontrar pessoas que não só chamam para sexo, mas até propõem encontros com mais de uma pessoa. "De vez em quando aparecem perfis assim. Parece que eles vivem em outro mundo e esqueceram da pandemia", comenta Natanael.

    Dicas de segurança

    Aldo Evangelista, advogado e especialista em Segurança Digital, diz que o primeiro passo para a buscar a própria segurança nos relacionamentos virtuais é saber o que você procura. "Apesar de parecer simplista, é um detalhe importante", diz ele. 

    O profissional explica que, a depender da plataforma que você escolher, ou seja, focada em relacionamentos amorosos ou sexo, você irá se deparar com situações diferentes. Depois disso, o certo, segundo o especialista, é ter atenção nos pontos a seguir.

    "Em tempos de coronavírus, mas não apenas, é sempre bom ver se o aplicativo permite um encontro virtual por video-chamada. Não faz mal propor essa ideia para a pessoa que você está conversando. Assim você pode, quase de certeza, saber se ela é uma pessoa real", afirma Aldo. 

    Aldo Evangelista, advogado e especialista em Segurança Digital
    Aldo Evangelista, advogado e especialista em Segurança Digital | Foto: Reprodução

    O 'quase de certeza' na fala do advogado é porque algumas plataformas de conversa on-line podem ser hackeadas para mostrar vídeos falsos, como se fossem vídeo-chamadas. Principalmente se o intuito do vídeo for apenas trocar imagens eróticas. Para isso, você pode focar em fazer perguntas para a pessoa, o que vai existir um diálogo real.

    "Outra dica boa é pesquisar o nome da pessoa nas redes sociais e no Google. Com um simples 'buscar' é possível saber se a pessoa é real e até se responde a algum processo judicial. Essa varredura não é difícil de fazer e pode ser um grande diferencial", afirma Aldo.

    Por último, o advogado sugere que se tenha cuidado ao informar dados muito pessoais ou mesmo enviar fotos de conteúdo erótico nessas plataformas de relacionamento, porque boa parte delas, como Tinder e Grindr, já foram denunciadas por possível vazamento de conteúdo. 

    Manda nudes?

    Outra prática que já não é novidade entre os jovens é a troca de imagens ou vídeos sensuais pela internet. Durante a quarentena e o distanciamento social, pode ser que os famosos nudes ganhem mais adesão ainda. Ainda mais para quem está num relacionamento virtual. 

    Mas até nesses casos o especialista em Segurança Digital pede para que as pessoas tenham cuidados. Isso porque, há riscos de exposição se você estiver conhecendo alguém, mas também se a pessoa já for próxima. 

    O advogado explica que muitas coisas podem acontecer, mas cita as principais a ter atenção:

    - Crackers (hackers 'do mal') podem acessar conteúdo pessoal nas plataformas;

    - Uma pessoa indesejada pode ter acesso ao dispositivo onde você guarda seus nudes, como terceiros. Exemplo: alguém que pode ter que consertar seu celular;

    -  'Pornografia de vingança', que é quando um ex parceiro publica fotos suas  sem permissão, propositalmente, e geralmente com algum tipo de extorsão envolvida;

    E esses pontos são essenciais para se ter em mente, porque podem prejudicar muito a pessoa exposta, como explica a psicóloga Cyntia Loiola. Ela é especialista em Gênero, Sexualidade e Direitos Humanos pela Universidade do Estado do Amazonas.

    "Vale ressaltar que o problema não está em tirar fotos sensuais ou enviá-las para alguém. O crime é quando uma outra pessoa compartilha esse conteúdo íntimo sem o consentimento de quem tirou as fotos", comenta a profissional.

    Ela lembra que boa parte das vítimas dessas exposições são as mulheres, e diz que, como consequência, pode haver "quebra de confiança, medo, vergonha, isolamento, depressão e até suicídio". 

     Cyntia diz que o dano pode ser maior em jovens e adolescentes, mas principalmente nessa última faixa etária. Segundo ela, o impacto na estrutura emocional é mais forte dada a maturidade mais baixa nessa idade. 

    Psicóloga é mestranda em Gênero e Sexualidade pela Universidade Federal do Amazonas
    Psicóloga é mestranda em Gênero e Sexualidade pela Universidade Federal do Amazonas | Foto: Reprodução

    "Temos que ter o cuidado para que a vítima não seja culpabilizada, como se ela não fosse dona do próprio corpo. E no caso de jovens e adolescentes, é preciso saber lidar e oferecer um apoio após o trauma", comenta a psicóloga.

    Para ela, muitas vezes "é isso que falta nas vítimas", principalmente um consolo da família, já que amizades da mesma faixa etária podem não saber fazer uma denúncia ou buscar apoio psicológico para a vítima. Essas duas ações são essenciais nesses casos.

    O EM TEMPO publicou uma matéria com os cuidados na hora de  tirar nudes durante - e depois - da pandemia de coronavírus. Você pode conferir as informações aqui